{"id":2274,"date":"2012-09-11T22:48:06","date_gmt":"2012-09-11T22:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/11\/filme-cara-ou-coroa-recorda-a-geracao-que-resistiu-a-ditadura-militar-2\/"},"modified":"2012-09-11T22:48:06","modified_gmt":"2012-09-11T22:48:06","slug":"filme-cara-ou-coroa-recorda-a-geracao-que-resistiu-a-ditadura-militar-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/11\/filme-cara-ou-coroa-recorda-a-geracao-que-resistiu-a-ditadura-militar-2\/","title":{"rendered":"Filme: Cara ou Coroa recorda a gera\u00e7\u00e3o que resistiu \u00e0 ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria do que vivemos n\u00e3o vem a n\u00f3s formatada em sequencias de cinema. Ainda assim, alguns dizem se lembrar de um acontecimento como se ele passasse como um filme em sua cabe\u00e7a. Deve haver a\u00ed um exagero, porque os registros individuais do passado costumam nos atingir sob a forma de flashes, sensa\u00e7\u00f5es difusas, fragmentos de situa\u00e7\u00f5es, frases soltas \u2013 ou seja, um repert\u00f3rio fragmentado de imagens e informa\u00e7\u00f5es, entre as quais as dores e o sofrimento tendem a se esmaecer, ou ganhar a moldura compensat\u00f3ria das racionaliza\u00e7\u00f5es. Isto \u00e9, por mais coerente e organizado que possa parecer, um conjunto de recorda\u00e7\u00f5es e um roteiro de filme hist\u00f3rico constituem duas coisas absolutamente diversas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocamoderna.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/i1181.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao assistirmos um filme como \u201cCara ou Coroa\u201d, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel experimentar uma enganosa sensa\u00e7\u00e3o de que aquela narrativa tivesse baixado por inteiro, como um download, na mente do roteirista. O cineasta paulista Ugo Giorgetti tinha 29 anos quando atravessou a \u00e9poca abordada no longa. O ano era precisamente 1971, quando o grupo teatral americano The Living Theatre foi preso em Ouro Preto pela ditadura militar. Este \u00e9 o fato hist\u00f3rico que serve de baliza cronol\u00f3gica para a o filme e, em torno do qual, se elabora um quadro social e dram\u00e1tico capaz de representar aquele per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Constru\u00eddos com mat\u00e9ria prima historicamente verdadeira, uma s\u00e9rie de personagens dar\u00e1 corpo \u00e0 trama: um grupo teatral financiado pelo PCB prepara uma pe\u00e7a politicamente engajada. O diretor do espet\u00e1culo (Em\u00edlio de Mello) e seu irm\u00e3o (Geraldo Rodrigues) s\u00e3o convencidos pelo dirigente do partido a conseguir um esconderijo para dois companheiros que agiam na clandestinidade. Namorada de um deles, uma estudante (Julia Ianina) resolve escond\u00ea-los no por\u00e3o da casa onde vive com o av\u00f4, um general da reserva (Walmor Chagas). Como anteparo c\u00f4mico e afetivo dessa quase talvez desgra\u00e7a, h\u00e1 um chofer de pra\u00e7a (Ot\u00e1vio Augusto), tio dos rapazes, e a sua abnegada esposa (Thaia Perez).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pipocamoderna.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/ebaav7ilvy4dx7btvum18orac1.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"400\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nenhum dos que aparecem no filme teve seu rosto estampado nos cartazes pelos quais o regime divulgava os seus \u201cprocurados\u201d e nem foi trocado por embaixadores sequestrados. Eles apenas davam uma for\u00e7a para quem \u201cpegara em armas\u201d e assistiam apavorados \u00e0 escalada da tortura e da viol\u00eancia por parte da repress\u00e3o. E por isso, representam a maioria dos jovens que, assim como eu e o diretor e roteirista do filme, testemunhamos o que se passou. \u00c9 imposs\u00edvel esquecer tudo aquilo. E, mais ainda, que todos se lembrem do mesmo modo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>CARA OU COROA TRAILER OFICIAL<\/strong><\/p>\n<p> <object width=\"560\" height=\"315\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5oRhpk3I3tA?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5oRhpk3I3tA?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object> <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Fonte &#8211; <span class=\"s2\">Pipoca Moderna<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mem\u00f3ria do que vivemos n\u00e3o vem a n\u00f3s formatada em sequencias de cinema. 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