{"id":2288,"date":"2012-09-13T12:19:49","date_gmt":"2012-09-13T12:19:49","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/13\/ex-presos-e-exilados-politicos-relembram-solidariedade-do-povo-chileno-2\/"},"modified":"2012-09-13T12:19:49","modified_gmt":"2012-09-13T12:19:49","slug":"ex-presos-e-exilados-politicos-relembram-solidariedade-do-povo-chileno-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/13\/ex-presos-e-exilados-politicos-relembram-solidariedade-do-povo-chileno-2\/","title":{"rendered":"Ex-presos e exilados pol\u00edticos relembram solidariedade do povo chileno"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">No dia em que o golpe que levou o ditador Augusto Pinochet ao poder no Chile completa 39 anos, ex-presos pol\u00edticos realizaram um debate sobre as ditaduras militares do Cone Sul e lembraram a solidariedade com que foram acolhidos pelo governo de Salvador Allende entre 1970 e 1973 \u2013 per\u00edodo em que o pa\u00eds atraiu exilados pol\u00edticos e militantes interessados em participar da experi\u00eancia socialista levada em curso pela Unidade Popular. O ato ocorreu nesta ter\u00e7a-feira (11) e integra a programa\u00e7\u00e3o da mostra de cinema \u201cMem\u00f3ria e Resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina\u201d, promovida pelo Sindibanc\u00e1rios em parceria com o Sul21 e o Comit\u00ea Carlos de R\u00e9 da Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2169\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Sul21-e-CineBanc%C3%A1rios-mostra-e-debate-Mem%C3%B3ria-e-Resist%C3%AAncia-na-Am%C3%A9rica-Latina-03-300x200.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: top;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<address \/>Militantes recordaram ex\u00edlio no Chile e solidariedade do povo. | Foto: Tiago Prosperi \/ Sul21  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">Ap\u00f3s assistirem aos filmes \u201cNunca fomos t\u00e3o felizes\u201d e \u201cCr\u00f4nica de uma fuga\u201d, o p\u00fablico p\u00f4de ouvir os relatos de ex-presos e militantes pol\u00edticos que atuaram contra as ditaduras militares que tomaram conta da Am\u00e9rica do Sul entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1980. Participaram do evento o ex-militante da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), Ubiratan de Souza, o ex-fundador do Partido Oper\u00e1rio Comunista, Flavio Koutzii, o cantor e compositor Raul Ellwanger e o ex-militante do Movimiento de Izquierda Revolucion\u00e1ria (MIR), o chileno Carlos Zanzi Gonz\u00e1les.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">Apesar de a discuss\u00e3o ter como tema os regimes militares do Cone Sul de uma maneira geral, a conversa acabou se focando mais no Chile, em fun\u00e7\u00e3o da data e da presen\u00e7a de Zanzi Gonz\u00e1les. Ele falou sobre o ambiente de liberdade pol\u00edtica e social no qual o pa\u00eds se encontrava antes do golpe.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">\u201cOs estrangeiros chegavam ao Chile para apoiar o governo Allende ou porque, em seus pa\u00edses, era proibido fazer pol\u00edtica, como no caso do Brasil. O Chile foi o lugar onde era poss\u00edvel discutir e planejar a grande p\u00e1tria latino-americana\u201d, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">Gonz\u00e1les acredita que o 11 de setembro n\u00e3o deve ser lembrado como uma data \u201csomente de dor e sofrimento\u201d, mas como \u201cuma convoca\u00e7\u00e3o ao otimismo e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um novo pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">Ele citou as atuais manifesta\u00e7\u00e3o de estudantes secundaristas chilenos, que tomam as ruas para exigir uma educa\u00e7\u00e3o 100% p\u00fablica, seguindo o rastilho deixado pelos universit\u00e1rios, que fizeram o mesmo no ano passado. \u201cS\u00e3o os jovens que ir\u00e3o construir o futuro do pa\u00eds e eles est\u00e3o dizendo que o modelo neoliberal n\u00e3o os representa. Querem mudar um pa\u00eds onde, para se ter uma boa educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ter dinheiro\u201d, exaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">\u201cTemos uma d\u00edvida de gratid\u00e3o com o Chile\u201d, diz Ubiratan<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2170\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/20110225165500tarde72es250211-11-300x188.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"188\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; \">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Ubiratan de Souza chegou a se encontrar com o ex-presidente Salvador Allende em Valpara\u00edso. | Eduardo Seidl\/Pal\u00e1cio Piratini<\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ex-militante da VPR, Ubiratan de Souza desembarcou no Chile no dia 13 de janeiro de 1971. Ele foi um dos 70 presos pol\u00edticos brasileiros que foram trocados pela liberdade do Embaixador da Su\u00ed\u00e7a sequestrado pelos guerrilheiros.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Logo ao chegar no pa\u00eds governado por Salvador Allende, ele sentiu a diferen\u00e7a. \u201cOs militares brasileiros que nos escoltavam queriam que desc\u00eassemos do avi\u00e3o algemados, temiam que atac\u00e1ssemos eles. O representante do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Chile n\u00e3o permitiu e tiveram que nos soltar. Esse foi o primeiro impacto que senti: sa\u00eda de uma ditadura e chegava em um pa\u00eds livre\u201d, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-guerrilheiro, que chegou a ser recebido pelo pr\u00f3rprio Allende na cidade de Valpara\u00edso, disse que ele e outros exilados brasileiros estavam atentos \u00e0s crescentes tens\u00f5es pol\u00edticas e sociais no pa\u00eds e advertiam a popula\u00e7\u00e3o sobre a possibilidade de um golpe de Estado. \u201c\u00c9ramos gatos escaldados, n\u00e3o t\u00ednhamos a ilus\u00e3o de que deixariam florescer um projeto socialista\u201d, contou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ubiratan lembrou que, nos primeiros dias ap\u00f3s o golpe, o Ex\u00e9rcito \u201cprocurava por estrangeiros como a Alemanha nazista procurava os judeus\u201d e que o apoio da popula\u00e7\u00e3o chilena foi fundamental para a sobreviv\u00eancia dos exilados. \u201cA solidariedade desse povo \u00e9 impag\u00e1vel. Temos uma d\u00edvida de gratid\u00e3o com o Chile\u201d, considerou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O cantor e compositor ga\u00facho Raul Ellwanger tamb\u00e9m viveu no Chile durante o governo de Salvador Allende. Ex-militante da Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria (VAR-Palmares), ele recorda que foi \u201cum privil\u00e9gio\u201d poder chegar ao pa\u00eds sob o comando da Unidade Popular justamente no per\u00edodo em que a ditadura brasileira foi mais dura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cTivemos o privil\u00e9gio de sair de um pa\u00eds totalmente brutalizado e sermos bem acolhidos. No Brasil, o terrorismo psicol\u00f3gico causado pelos desaparecimentos apavorou uma gera\u00e7\u00e3o inteira\u201d, lamentou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ellwanger entende que, apesar de as ditaduras militares j\u00e1 terem acabado, a democracia ainda precisa ser fotalecida. \u201cNem tudo est\u00e1 terminado. Paraguai e Honduras nos mostram que a democracia \u00e9 algo muito fr\u00e1gil\u201d, avaliou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2171\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Sul21-e-CineBanc%C3%A1rios-mostra-e-debate-Mem%C3%B3ria-e-Resist%C3%AAncia-na-Am%C3%A9rica-Latina-02-300x200.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">P\u00fablico p\u00f4de participar do debate no primeiro dia da mostra &#8220;Mem\u00f3ria e Resist\u00eancia na Am\u00e9rica Latina&#8221;. | Foto: Tiago Prosperi \/ Sul21<\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima fala do encontro foi a de Flavio Koutzi. Apesar de ter militado na Argentina \u2013 onde ficou preso durante quatro anos \u2013 ele preferiu n\u00e3o comentar muito essa experi\u00eancia, por considerar que o painel estava focado no golpe chileno. Koutzii lembrou que o Chile do in\u00edcio dos anos 1970 vivia um contexto de crescimento das for\u00e7as sociais de esquerda.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cHavia um grande partido socialista e um grande partido comunista. E tinha tamb\u00e9m a emerg\u00eancia de uma nova for\u00e7a mais \u00e0 esquerda, o MIR. A repress\u00e3o s\u00f3 foi gigantesca porque foi gigantesca a capacidade de luta da sociedade chilena\u201d, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Militante hist\u00f3rico e fundador do PT, Koutzii disse que o Brasil est\u00e1 \u201cchegando atrasad\u00edssimo \u00e0s comiss\u00f5es da verdade\u201d, mas availou que elas representam passos importantes na consolida\u00e7\u00e3o da democracia no pa\u00eds, \u201cpor tudo o que n\u00e3o se conseguiu fazer, mesmo com governos democr\u00e1ticos de car\u00e1ter nacional\u201d, avaliou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Sul 21<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 No dia em que o golpe que levou o ditador Augusto Pinochet ao poder no Chile completa 39 anos, ex-presos pol\u00edticos realizaram um debate sobre as ditaduras militares do Cone Sul e lembraram a solidariedade com que foram acolhidos pelo governo de Salvador Allende entre 1970 e 1973 \u2013 per\u00edodo em que o pa\u00eds [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2288"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}