{"id":2300,"date":"2012-09-16T13:06:18","date_gmt":"2012-09-16T13:06:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/16\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch-2\/"},"modified":"2012-09-16T13:06:18","modified_gmt":"2012-09-16T13:06:18","slug":"grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/16\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch-2\/","title":{"rendered":"Grande imprensa apoiou golpe militar e a ditadura at\u00e9 1968, revela pesquisa da fflch"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A grande imprensa, em geral, valoriza a sua posi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica e resist\u00eancia no per\u00edodo da ditadura militar no Brasil. Colocam-se como porta-vozes da democracia e defensores dos interesses populares nesse <a href=\"http:\/\/www.salariominimo.net\/2012\/09\/14\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch\/#\">momento<\/a> hist\u00f3rico. Entretanto, uma pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP verificou que o papel dos dois maiores jornais no in\u00edcio do regime militar foi complexo, com apoio ao golpe, \u00e0 ditadura e de condena\u00e7\u00e3o do trabalhismo e de movimentos sociais.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O estudo do professor de hist\u00f3ria Eduardo Zayat Chammas analisou editoriais dos ve\u00edculos Correio da Manh\u00e3 e Jornal do Brasil entre 1964, ano do golpe, e 1968, ano de implanta\u00e7\u00e3o do Ato <a href=\"http:\/\/www.salariominimo.net\/2012\/09\/14\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch\/#\">Institucional<\/a> 5 (AI-5). Os dois jornais, nesse tipo de texto que exp\u00f5e a opini\u00e3o do ve\u00edculo, mostraram-se a favor da queda de Jo\u00e3o Goulart do poder. O primeiro, inclusive, publicou editoriais na capa pedindo a sa\u00edda do presidente e se declarou herdeiro dos ideais democr\u00e1ticos da revolu\u00e7\u00e3o de 1964, segundo Chammas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a ditadura, os dois jornais trouxeram algumas ressalvas em alguns momentos pontuais. Por exemplo, depois da passeata dos 100 mil em protesto contra os militares, em junho de 1968, o Jornal do Brasil questiona alguns pontos do regime. O Correio da Manh\u00e3 questionou, nos primeiros quatro anos, as medidas que apresentassem alguma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de imprensa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O professor aponta que os dois jornais tinham um alvo de cr\u00edticas em comum: os trabalhistas. Eram contra o <a href=\"http:\/\/www.salariominimo.net\/2012\/09\/14\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch\/#\">projeto<\/a> social desenvolvimentista que possibilitava mudan\u00e7a nas estruturas sociais, na estrutura de poder, explica. S\u00f3 era leg\u00edtimo o poder que vinha das institui\u00e7\u00f5es formais da democracia liberal, como o poder legislativo ou a pr\u00f3pria imprensa, considerada a porta-voz da opini\u00e3o p\u00fablica. Os movimentos das ruas n\u00e3o tinham voz para esses jornais. Um exemplo disso \u00e9 que ambos foram a favor do Estatuto da Terra, que nega uma reforma agr\u00e1ria voltada ao povo e traz grandes empresas capitalistas para o campo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O movimento estudantil, apesar de criticar os militares, foi bem noticiado at\u00e9 1968 pelo Correio da Manh\u00e3, pois, segundo o pesquisador, este jornal dialogava um pouco mais com as classes m\u00e9dias, de onde vinham esses <a href=\"http:\/\/www.salariominimo.net\/2012\/09\/14\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch\/#\">estudantes<\/a>. Entretanto, naquele ano, as tens\u00f5es pol\u00edticas eram maiores, e as a\u00e7\u00f5es dos militares mais cerceadoras ao movimento. Os estudantes estavam tomando posi\u00e7\u00f5es mais radicais e apresentando um discurso mais parecido com o da esquerda cl\u00e1ssica. Sendo assim, o ve\u00edculo retirou o apoio ao movimento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Atos institucionais<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No estudo, intitulado A ditadura militar e a grande imprensa: os editoriais do Jornal do Brasil e do Correio da Manh\u00e3 entre 1964 e 1968, a postura dos jornais sobre os atos institucionais, (AI) que eram uma s\u00e9rie de decretos que o governo militar anunciava, com novas normas a serem cumpridas, teve import\u00e2ncia. At\u00e9 o quarto AI, o Jornal do Brasil n\u00e3o contestou nenhum deles. O Correio da Manh\u00e3, por sua vez, fez cr\u00edticas leves \u00e0s medidas, nesses atos, que iam contra as liberdades individuais, principalmente de express\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com o AI-5, que diminuiu muito as liberdades dos <a href=\"http:\/\/www.salariominimo.net\/2012\/09\/14\/grande-imprensa-apoiou-golpe-militar-e-a-ditadura-ate-1968-revela-pesquisa-da-fflch\/#\">cidad\u00e3os<\/a>, implantou a censura a toda forma de manifesta\u00e7\u00e3o contra o governo e aumentou muito mais o controle do estado sobre a imprensa, a postura dos jornais mudou. Os dois ve\u00edculos dialogavam com a classes m\u00e9dia e a burguesia, que foram mais afetadas depois do AI-5, esclarece Chammas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ve\u00edculos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A escolha do Jornal do Brasil e do Correio da Manh\u00e3 aconteceu por diversos motivos. O estudo, que foi orientado pelo professor Marcos Francisco Napolitano de Eug\u00eanio, optou por jornais com a sede no Rio de Janeiro, j\u00e1 que a cidade havia deixado de ser capital havia poucos anos e ainda era palco da cena pol\u00edtica no pa\u00eds, segundo Chammas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, diferentemente de jornais mais populares, os escolhidos dialogavam com o p\u00fablico que tinha mais influ\u00eancia na pol\u00edtica do Pa\u00eds, classes mais altas. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o eram vinculados a um partido espec\u00edfico. Outros fatores determinantes s\u00e3o que eram os dois jornais com maior tiragem no pa\u00eds e tinham circula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mais informa\u00e7\u00f5es: email <a href=\"mailto:educhammas@hotmail.com\">educhammas@hotmail.com<\/a>,\u00a0 com Eduardo Zayat Chammas<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Fonte &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.usp.br\/\">USP<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande imprensa, em geral, valoriza a sua posi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica e resist\u00eancia no per\u00edodo da ditadura militar no Brasil. Colocam-se como porta-vozes da democracia e defensores dos interesses populares nesse momento hist\u00f3rico. Entretanto, uma pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP verificou que o papel dos dois maiores jornais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}