{"id":2329,"date":"2012-09-17T15:40:43","date_gmt":"2012-09-17T15:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/17\/comissao-da-verdade-10-a-cassacao-de-plinio-ii-2\/"},"modified":"2012-09-17T15:40:43","modified_gmt":"2012-09-17T15:40:43","slug":"comissao-da-verdade-10-a-cassacao-de-plinio-ii-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/17\/comissao-da-verdade-10-a-cassacao-de-plinio-ii-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade (10) \u2013 A Cassa\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio (II)"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Alter\u00edcio Assis, o nosso AA, naquele dia de junho de 1964, acordou tarde, varou a manh\u00e3 inteirinha. Na v\u00e9spera, j\u00e1 desiludido com seu antigo l\u00edder Pl\u00ednio Ramos Coelho, saiu do Caf\u00e9 do Pina e foi ao Mercad\u00e3o, onde com frequ\u00eancia celebr\u00e1vamos as madrugadas. L\u00e1, com amigos e companheiros, \u2018de bar, de copo e de ideais\u2019, como gostava de destacar, pediram a cachacinha de praxe e a consumiram com exuberantes cajus e sal, precedentes da caldeirada de tucunar\u00e9, com a qual sublim\u00e1vamos a noite naqueles tempos da nossa juventude.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fal\u00eancia da esperan\u00e7a e a total aus\u00eancia de perspectivas davam o tom de nossos sentimentos, diante do Golpe Militar, que imagin\u00e1vamos pudesse durar mais de duas d\u00e9cadas. E n\u00e3o est\u00e1vamos equivocados, como a hist\u00f3ria encarregou-se de demonstrar. Muitos j\u00e1 estavam presos no Quartel do Ex\u00e9rcito em S\u00e3o Jorge e a ang\u00fastia nos fazia indagar sobre a pr\u00f3xima v\u00edtima? O clima era de vel\u00f3rio e a escurid\u00e3o agora ca\u00eda pesada sobre todos n\u00f3s e sobre o Brasil, que um dia esper\u00e1vamos ver livre e desenvolvido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o poderia deixar de ser, algu\u00e9m trouxe \u00e0 baila a situa\u00e7\u00e3o do governador Pl\u00ednio Coelho, que deveria ser cassado a qualquer momento. \u201cEle bem que merece e nada o livrar\u00e1 da puni\u00e7\u00e3o, ainda que venha fazendo tudo para escapar do cutelo. Tornou-se subserviente aos interesses dos militares, ao promover inclusive a reforma de seu secretariado, cumprindo determina\u00e7\u00e3o dos golpistas\u201d, disse Alter\u00edcio. \u201cPl\u00ednio me decepcionou quando por puro ressentimento come\u00e7ou a implicar com Almino Affonso, \u00edcone maior de nossa gera\u00e7\u00e3o, que elegemos e reelegemos deputado federal, tribuno brilhante e insuper\u00e1vel. Como se n\u00e3o bastasse, pra mim, a gota d\u2019\u00e1gua deu-se com a invas\u00e3o da pol\u00edcia do governador ao quarto do velho Jocelyn Brasil no L\u00edder Hotel\u201d, concluiu AA.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O cearense Jocelyn, brigadeiro da reserva da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira e aplaudido escritor de esquerda, estivera meses antes em Manaus a convite da Uni\u00e3o dos Estudantes do Amazonas \u2013 UEA, a fim de proferir confer\u00eancia em semin\u00e1rio promovido pela entidade dos universit\u00e1rios. Ao ter seu apartamento arrombado por policiais armados, do qual foram roubados livros e outros documentos, denunciou o fato ao ministro da Justi\u00e7a Abelardo Jurema, que cobrou explica\u00e7\u00f5es em telegrama enviado ao governador. Pl\u00ednio mandou a Bras\u00edlia a seguinte resposta: \u201cAcusando o telegrama de Voss\u00eancia a respeito da den\u00fancia partida de um Jocelyn Brasil qualquer informo que, tudo ignorando, consultei a Pol\u00edcia que esclareceu s\u00f3 ter tido ci\u00eancia da presen\u00e7a em Manaus do dito indiv\u00edduo por certa a gita\u00e7\u00e3o comunista na Uni\u00e3o dos Estudantes e por haver aumentado o n\u00famero de roubos, inclusive de galinhas, na cidade. Felizmente com a sa\u00edda do dito indiv\u00edduo a popula\u00e7\u00e3o voltou \u00e0 tranquilidade normal. Atenciosas sauda\u00e7\u00f5es. a) Pl\u00ednio Ramos Coelho, Governador do Estado do Amazonas (sic)\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um esc\u00e1rnio, uma enorme falta de respeito aos estudantes amazonenses, uma agress\u00e3o intoler\u00e1vel. N\u00e3o apenas contra o famoso jornalista e escritor, mas sobremodo contra a liberdade de reuni\u00e3o e express\u00e3o, lembrou algu\u00e9m, com refer\u00eancias ao memor\u00e1vel discurso de Almino Affonso pronunciado no mesmo semin\u00e1rio da UEA. Quem n\u00e3o recordaria da bela imagem criada pelo amazonense de Humait\u00e1 sobre a liberdade, com a eloqu\u00eancia po\u00e9tica que Deus lhe deu. Usou o modelo do p\u00e1ssaro preso durante longo tempo, que, mesmo depois de solto, teria bastante dificuldade de al\u00e7ar novo voo, uma vez que havia perdido a capacidade de voar para a qual fora treinado desde o nascimento. Era preciso caminhar, e caminhar muito, dizia o ent\u00e3o ministro do Trabalho, pois as vicissitudes que no caminho ce rtamente seriam encontradas faziam parte do longo e muitas vezes penoso processo de adestramento.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Alter\u00edcio, ainda sonolento, saiu de casa e comprou a edi\u00e7\u00e3o do dia de O Jornal. Aproveitou o hor\u00e1rio e foi almo\u00e7ar no Restaurante Guanabara, altos do Pavilh\u00e3o Ajuricaba, ao lado da Igreja Matriz. Numa de suas mesas, ao abrir o jornal deu com a informa\u00e7\u00e3o oficial sobre a cassa\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio, feita pelo general Bizarria Mamede, por delega\u00e7\u00e3o do presidente Castelo Branco. Logo, dividiu a not\u00edcia com Wilson, exemplo de figura humana, propriet\u00e1rio do estabelecimento e antiplinista visceral. Com \u2018Cerveja Amazonense\u2019, azeda como o pr\u00f3prio momento se revelara para o governador, brindaram a queda do l\u00edder trabalhista, que agora s\u00f3 teria o caminho negro do ostracismo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ato finalmente estava consumado e sem nenhuma surpresa para AA. Nunca acreditou na disposi\u00e7\u00e3o confessada de Pl\u00ednio de resistir \u00e0 bala em defesa do mandato, estampada antes em manchete de primeira p\u00e1gina do O Jornal, em letras garrafais e no estilo da \u00e9poca. Nada, n\u00e3o deu em nada. Pl\u00ednio transferiu o governo a Anfremom Monteiro, presidente da Assembleia, e saiu de mansinho do Pal\u00e1cio Rio Negro. Na assist\u00eancia, quase ningu\u00e9m, apenas alguns auxiliares pr\u00f3ximos do ex-governador e o seu pai, Francisco Coelho, presidente licenciado da C\u00e2mara de Vereadores de Manaus. Bem feito: aqui se faz, aqui se paga, pensou Alter\u00edcio, com um sorriso maroto. Quem diria?<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; D24am<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alter\u00edcio Assis, o nosso AA, naquele dia de junho de 1964, acordou tarde, varou a manh\u00e3 inteirinha. 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