{"id":233,"date":"2012-05-13T13:16:09","date_gmt":"2012-05-13T13:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/13\/maes-de-desaparecidos-da-ditadura-esperam-punicao-para-torturadores-2\/"},"modified":"2012-05-13T13:16:09","modified_gmt":"2012-05-13T13:16:09","slug":"maes-de-desaparecidos-da-ditadura-esperam-punicao-para-torturadores-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/13\/maes-de-desaparecidos-da-ditadura-esperam-punicao-para-torturadores-2\/","title":{"rendered":"M\u00e3es de desaparecidos da ditadura  esperam puni\u00e7\u00e3o para torturadores"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Quase 30 anos depois do fim do regime militar, Brasil ainda n\u00e3o esclareceu crimes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A ex-militante pol\u00edtica Crim\u00e9ia Alice Schmidt de Almeida, de 66 anos, estava no s\u00e9timo m\u00eas de gravidez quando foi sequestrada por militares, em dezembro de 1972, ano em que o Brasil era governado por uma ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-227\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Crimeia-ana-nascimento-Abr-20120511.jpg\" border=\"0\" width=\"225\" height=\"169\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><span class=\"s1\" \/> <\/p>\n<address \/>Crim\u00e9ia participou, em 2009, da comiss\u00e3o que acompanhou a localiza\u00e7\u00e3o dos corpos dos mortos na Guerrilha do Araguaia  <!--more-->  <\/address>\n<p> <\/span>Ainda gr\u00e1vida, ela foi torturada nos por\u00f5es do Doi-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna), em Bras\u00edlia. Jo\u00e3o Carlos Grabois, hoje com 39 anos, nasceu na pris\u00e3o, e segundo Crimeia tamb\u00e9m sofreu com as crueldades do regime.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 Ele [Jo\u00e3o Carlos] teve problemas. Teve problemas de desnutri\u00e7\u00e3o porque, para me castigarem, eles [os torturadores] tiravam meu filho de perto de mim. Diziam que iam dar para a ado\u00e7\u00e3o. Abusavam muito de tortura psicol\u00f3gica. S\u00f3 quando ele estava bem mal, depois de tr\u00eas ou quatro dias, me devolviam para amamentar. Eles diziam que eu estava torturando ele. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Embora Crim\u00e9ia e o filho tenham sobrevivido, seu marido, Andr\u00e9 Grabois, \u00e9 um dos quase 500 desaparecidos deixados pela ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985). Ele tamb\u00e9m estava na <a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/brasil\/noticias\/entenda-o-que-foi-a-guerrilha-do-araguaia-20100520.html\">Guerrilha do Araguaia<\/a>, como ficou conhecida a tentativa de militantes contr\u00e1rios ao regime de come\u00e7ar uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no interior Brasil.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Ao falar sobre a possibilidade de ver agentes da ditadura serem enquadrados pelo crime de sequestro <a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/brasil\/noticias\/mpf-anuncia-nova-acao-e-denuncia-agentes-da-ditadura-por-sequestro-qualificado-em-sp-20120424.html?question=0\">permanente<\/a>, como est\u00e1 tentando o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Crim\u00e9ia se empolga. Segundo ela, julgar e punir torturadores e respons\u00e1veis pelos crimes do regime militar seria um presente para as poucas m\u00e3es de desaparecidos pol\u00edticos que ainda est\u00e3o vivas. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>\u2014 \u00c9 um presente que muitas m\u00e3es [de desaparecidos pol\u00edticos] n\u00e3o v\u00e3o poder receber porque j\u00e1 morreram. Mas, se um dia se fizer Justi\u00e7a, e esses torturados forem condenados, esse seria o melhor presente do Dia das M\u00e3es que, ali\u00e1s, j\u00e1 poderia ter chegado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Uma dessas m\u00e3es que ainda est\u00e3o vivas e continuam a enfrentar a dor de n\u00e3o saber o que aconteceu com o filho \u00e9 Maria Leonor Pereira Marques, de 83 anos. Seu filho mais velho, Paulo Roberto Pereira Marques, o Paulinho, saiu de casa com 19 anos. Na clandestinidade, adotou o codinome \u201cAmauri\u201d e tamb\u00e9m foi para o Araguaia. Passados 39 anos, dona Leonor ainda n\u00e3o recebeu sequer uma certid\u00e3o de \u00f3bito.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 No come\u00e7o, ele mandava cartas. Recebi duas. Minha \u00fanica sa\u00edda era rezar para que n\u00e3o acontecesse nada. Mas, quando parou de chegar [cartas], pensei \u2018ai meu Deus\u2019. E s\u00f3 quando a ditadura caiu n\u00f3s ficamos sabendo do Araguaia. At\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o podia saber onde ele estava.Para n\u00f3s, da fam\u00edlia, o governo n\u00e3o deu not\u00edcia nenhuma at\u00e9 hoje. N\u00e3o deram atestado de \u00f3bito, nem nada.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Heleny Guariba <\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O cineasta Francisco Guariba, de 49 anos, viveu o sentimento contr\u00e1rio. Ele \u00e9 filho da diretora de teatro Heleny Guariba, que sumiu com cerca de 30 anos no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Chico, como \u00e9 conhecido, tinha entre sete e oito anos quando sua m\u00e3e foi presa pela segunda vez. Na primeira, Heleny ficou no pres\u00eddio Tiradentes, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Enquanto Heleny esteve detida na capital paulista, o cineasta a visitava acompanhado do pai. Sua m\u00e3e ficava em uma cela ao lado da hoje presidente Dilma Rousseff. As duas se conheciam porque militavam no mesmo grupo, o VRP (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Ela foi presa em 1970. Eu me lembro de ir ao pres\u00eddio Tiradentes. Foi l\u00e1 at\u00e9 que a Dilma ficava. Inclusive numa cela do lado da dela [Heleny]. Elas ficaram l\u00e1 na mesma \u00e9poca e eram bem amigas. Tanto \u00e9 que agora quando ela [Heleny] foi homenageada pelo governo, foi a Dilma que acabou entregando um pr\u00eamio de honra ao m\u00e9rito para mim e para a minha filha. E ela comentou que se lembrava de mim pequenininho.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, ao contr\u00e1rio de Dilma, Heleny foi solta e pouco tempo depois, quando se preparava para deixar o Pa\u00eds, acabou sequestrada novamente. Nesta segunda vez, ela teria sido levada para uma pris\u00e3o em Petr\u00f3polis, regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, que ficou conhecida como Casa da Morte. Segundo Francisco, a \u00fanica pessoa que conseguiu sair viva do local disse, posteriormente, que a m\u00e3e dele tamb\u00e9m foi vista l\u00e1, antes de desaparecer.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Houve todo um processo de procura, o processo mais doloroso, para saber se ela estava viva ou morta. Claro que a d\u00favida era mais nossa, das crian\u00e7as, e n\u00e3o dos adultos. A gente ficava com esse vazio porque n\u00e3o sabia se ela tinha morrido ou n\u00e3o. Ela podia ter ido embora, para outro Pa\u00eds.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 30 anos depois do fim do regime militar, Brasil ainda n\u00e3o esclareceu crimes A ex-militante pol\u00edtica Crim\u00e9ia Alice Schmidt de Almeida, de 66 anos, estava no s\u00e9timo m\u00eas de gravidez quando foi sequestrada por militares, em dezembro de 1972, ano em que o Brasil era governado por uma ditadura. 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