{"id":2374,"date":"2012-09-24T00:44:21","date_gmt":"2012-09-24T00:44:21","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/24\/ex-alunos-homenageiam-estudantes-desaparecidos-no-regime-militar-2\/"},"modified":"2012-09-24T00:44:21","modified_gmt":"2012-09-24T00:44:21","slug":"ex-alunos-homenageiam-estudantes-desaparecidos-no-regime-militar-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/24\/ex-alunos-homenageiam-estudantes-desaparecidos-no-regime-militar-2\/","title":{"rendered":"Ex-alunos homenageiam estudantes desaparecidos no regime militar"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Com o objetivo de homenagear os alunos desaparecidos na Universidade de Bras\u00edlia durante o regime militar e repudiar a tortura, um grupo de ex-alunos vai realizar o ato \u201cTortura n\u00e3o tem perd\u00e3o\u201d. A homenagem vai acontecer no dia 9 de novembro, \u00e0s 10h, no audit\u00f3rio Dois Candangos e est\u00e1 sendo organizada com apoio da Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e Verdade An\u00edsio Teixeira e da Comiss\u00e3o UnB 50 anos.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Idealizado por ex-estudantes da UnB durante o regime militar, o ato contar\u00e1 com depoimentos e exposi\u00e7\u00e3o de fotos e documentos. Ser\u00e3o convidados a participar do ato a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, o Comit\u00ea da Verdade do Distrito Federal e ex-alunos da Universidade que vivenciaram e foram punidos pela repress\u00e3o militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-estudante da UnB \u00c1lvaro Lins come\u00e7ou a articular, junto com outro ex-aluno, Aldir Nunes, o ato de homenagem aos tr\u00eas estudantes desaparecidos durante o regime militar: Honestino Guimar\u00e3es, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino. Paulo de Tarso e Ieda, que foram estudantes do curso de Direito, desapareceram em 1971 e 1974, respectivamente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Reconhecido como lideran\u00e7a estudantil, \u00c1lvaro, foi preso duas vezes entre 1968 \u2013 ano em que entrou na Universidade para fazer o curso de F\u00edsica \u2013 e 1969, quando foi jubilado. \u201cO Azevedo, reitor da \u00e9poca, for\u00e7ou meu jubilamento. Eu estava preso quando houve a prova de recupera\u00e7\u00e3o e o Azevedo n\u00e3o aceitou essa justificativa para que eu fizesse a prova em outro momento\u201d, conta. \u00c1lvaro terminou por n\u00e3o concluir o curso de gradua\u00e7\u00e3o. Atualmente trabalha com marketing pol\u00edtico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>EXPULS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante o regime militar, iniciado em 1964 e encerrado em 1985, foram exclu\u00eddos da UnB 58 estudantes, segundo dados que constam da obra, ainda in\u00e9dita, Paix\u00e3o de Honestino, de Betty Almeida. \u201cHouve duas grandes levas de expuls\u00e3o de estudantes na UnB. A primeira, por meio do decreto 447, ocorreu em 1969. A segunda, em 1976\u201d, conta Betty, ex-estudante de Qu\u00edmica da UnB e integrante do Comit\u00ea da Verdade do DF. Ela entrou na Universidade em 1967 e, depois de presenciar tr\u00eas invas\u00f5es policiais na UnB, pediu transfer\u00eancia para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Betty, o ex-reitor da UnB Jos\u00e9 Carlos de Almeida Azevedo foi respons\u00e1vel pela exclus\u00e3o de 56 do total de estudantes afastados. Azevedo assumiu a fun\u00e7\u00e3o de vice-reitor da UnB em 1968. Em 1976, assumiu o cargo de reitor, que exerceu at\u00e9 1985.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A ideia da homenagem aos alunos desaparecidos foi apresentada nesta ter\u00e7a-feira, 18 de setembro, ao reitor Jos\u00e9 Geraldo de Sousa Junior. Participaram da reuni\u00e3o, al\u00e9m de \u00c1lvaro e Betty, outros ex-alunos da UnB durante o per\u00edodo militar: Eust\u00e1quio Jos\u00e9 Ferreira Santos e o professor da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o H\u00e9lio Doyle, al\u00e9m do coordenador de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Comiss\u00e3o Mem\u00f3ria e Verdade da UnB, professor Cristiano Paix\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O grupo de ex-alunos da UnB que organiza a homenagem adotou o nome \u201cDa Oca ao Centro Ol\u00edmpico\u201d por uma motiva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cOca era o nome do alojamento onde ficavam os estudantes naquele per\u00edodo do regime militar, e o Centro Ol\u00edmpico ficou marcado pela interven\u00e7\u00e3o policial de agosto de 1968?, conta o arquiteto Eust\u00e1quio Santos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A ideia de homenagem aos desaparecidos foi encampada pelo reitor Jos\u00e9 Geraldo. \u201cEssa \u00e9 uma boa iniciativa, que ajuda a fortalecer a Comiss\u00e3o da UnB e integra a programa\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00e3o dos 50 anos da Universidade\u201d, afirmou o reitor.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de homenagear os alunos desaparecidos na Universidade de Bras\u00edlia durante o regime militar e repudiar a tortura, um grupo de ex-alunos vai realizar o ato \u201cTortura n\u00e3o tem perd\u00e3o\u201d. 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