{"id":2378,"date":"2012-09-24T01:11:53","date_gmt":"2012-09-24T01:11:53","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/24\/maria-rosa-a-mae-que-desafiou-a-ditadura-2\/"},"modified":"2012-09-24T01:11:53","modified_gmt":"2012-09-24T01:11:53","slug":"maria-rosa-a-mae-que-desafiou-a-ditadura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/09\/24\/maria-rosa-a-mae-que-desafiou-a-ditadura-2\/","title":{"rendered":"MARIA ROSA, A M\u00c3E QUE DESAFIOU A DITADURA"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A obstina\u00e7\u00e3o de Maria Rosa Leite Monteiro na busca por justi\u00e7a \u00e9 um marco na luta contra o regime militar. A professora morreu ontem, aos 84 anos, sem ter encontrado o corpo do filho Honestino Guimar\u00e3es, estudante da UnB desaparecido em 1973.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ela deixou essa hist\u00f3ria contada num livro que \u00e9 um dos mais importantes documentos sobre a dor e a saga das fam\u00edlias dos presos pol\u00edticos no pa\u00eds\u00a0Maria Rosa Leite Monteiro, m\u00e3e de Honestino Guimar\u00e3es, estudante da Universidade de Bras\u00edlia desaparecido durante a ditadura militar, sofreu uma parada card\u00edaca e morreu na madrugada de ontem, aos 84 anos. Ela dedicou as \u00faltimas quatro d\u00e9cadas \u00e0 luta por justi\u00e7a\u00a0la morreu sem ter respostas sobre o paradeiro do corpo do filho, Honestino Guimar\u00e3es, l\u00edder estudantil desaparecido em 10 de outubro de 1973, ao 26 anos, no Rio de Janeiro. Preso durante a ditadura militar, o ent\u00e3o estudante de geologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) defendia a democracia e a liberdade no pa\u00eds. Mesmo assim, Maria Rosa Leite Monteiro, nunca se deu por vencida na batalha por not\u00edcias. Ela buscou a verdade, mas nunca a encontrou. Mesmo assim, escreveu seu nome na hist\u00f3ria de resist\u00eancia da capital da Rep\u00fablica e na luta pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A goiana, nascida na cidade de Itabera\u00ed, partiu aos 84 anos de idade. Professora aposentada, era vi\u00fava e teve tr\u00eas filhos biol\u00f3gicos e uma adotiva, dos quais apenas um est\u00e1 vivo, Lu\u00eds Carlos Guimar\u00e3es, que mora nos Estados Unidos. No \u00faltimo fim de semana, ao tentar se levantar sozinha de um sof\u00e1 no apartamento onde morava, em \u00c1guas Claras, sofreu uma queda. O acidente causou uma fratura no f\u00eamur, o que a levou ao Hospital Alvorada, em Taguatinga. Embora submetida, com sucesso, a uma cirurgia, Maria Rosa entrou em um quadro delicado, com a press\u00e3o muito baixa, acabou tendo uma parada card\u00edaca \u2014 por volta das 2h30 de ontem \u2014 \u00e0 qual n\u00e3o resistiu.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Emocionado, o neto Mateus Guimar\u00e3es, 26 anos, descreveu a av\u00f3 como um exemplo de vida, de humanidade. &#8220;Ela sempre buscou o bem, lutou pela mem\u00f3ria de Honestino e pelo direito \u00e0 Justi\u00e7a&#8221;, pontuou. &#8220;Ficam v\u00e1rias lembran\u00e7as boas. Ela n\u00e3o \u00e9 um modelo de pessoa apenas para os familiares, mas para amigos e conhecidos. Ent\u00e3o, permanece esse legado de busca pela verdade. Infelizmente, ela est\u00e1 indo sem saber o desfecho da hist\u00f3ria do filho&#8221;, ressente-se.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A saga do filho de Maria Rosa foi relatada por ela no livro Honestino, o bom da amizade \u00e9 a n\u00e3o cobran\u00e7a, lan\u00e7ado em 2004. Trata-se de um importante registro sobre os anos de chumbo, um dos primeiros documentos a revelar a dor do desaparecimento de presos pol\u00edticos sob a \u00f3tica familiar. Recentemente, Rosa enfrentava problemas de sa\u00fade relacionados \u00e0 perda de mem\u00f3ria. O corpo dela ser\u00e1 velado hoje, a partir de 9h, na capela 6 do Cemit\u00e9rio Campo da Esperan\u00e7a, na Asa Sul. O enterro ocorrer\u00e1 \u00e0s 17h.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dona Maria Rosa era esp\u00edrita. O neto conta que, ap\u00f3s tantos anos de busca, o cora\u00e7\u00e3o da mulher s\u00f3 se tranquilizou depois de um encontro espiritual com o filho. Parte dessa hist\u00f3ria ser\u00e1 relatada em um cap\u00edtulo do livro Paix\u00e3o de Honestino, biografia encampada pela professora aposentada Maria Elisabete Barbosa de Almeida, amiga da fam\u00edlia. O projeto caminha h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Elisabete, em 2007, foram iniciadas as conversas sobre a produ\u00e7\u00e3o da obra, mas, a todo tempo, a m\u00e3e do l\u00edder estudantil evitava falar sobre o assunto. &#8220;Ela nunca quis conversar sobre ele. Falava de outras coisas da vida dela, do que passou. O assunto do desaparecimento era muito doloroso&#8221;, esclarece. &#8220;Depois de compreender que n\u00e3o poderia conseguir respostas, deixou de falar sobre Honestino. Mesmo assim, ele estava presente no ambiente familiar. A casa era cheia de fotografias dele e da neta (filha dele)&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A autora do livro tamb\u00e9m buscou respostas sobre processo da pris\u00e3o e da morte de Honestino. Em 2010, recorreu \u00e0 Ordem dos Advogados do Brasil, solicitando c\u00f3pia dos documentos, no entanto, nada foi encontrado. &#8220;Pelo que sei, em 1992, as investiga\u00e7\u00f5es pararam em Bras\u00edlia&#8221;, frisou Maria Elisabete. Em 2000, a Justi\u00e7a reconheceu oficialmente a culpa dos governos militares e, por decis\u00e3o do ent\u00e3o juiz da 1\u00aaVara da Justi\u00e7a Federal no Rio, Mauro Souza Marques da Costa Braga, determinou \u00e0 Uni\u00e3o o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia do estudante. \u00c0 \u00e9poca, em entrevista ao Correio, Maria Rosa classificou como irrepar\u00e1veis os danos causados pela ditadura. E, embora tenha dito que o dinheiro ajudaria a neta, destacou que nada mudaria para ela. &#8220;A minha perda foi afetiva e pol\u00edtica. N\u00e3o h\u00e1 valor que pague e jamais aceitaria esse tipo de recompensa&#8221;&#8221; , disse na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Amizade<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A jornalista K\u00e1tia Aguiar conheceu os filhos de Maria Rosa em meio aos embates estudantis e, assim, acabou se aproximando dela, tornando-se, mais tarde, amiga da fam\u00edlia. &#8220;Ela finalmente vai encontrar o filho, por quem ela lutou para encontrar com vida, desde que ele foi preso. Com certeza, o c\u00e9u est\u00e1 em festa porque ali vai chegar mais uma guerreira do bem, da paz, do amor, da \u00e9tica, da esperan\u00e7a, da dignidade e da liberdade&#8221;, exclamou. &#8220;A ditadura, que matou e separou muitas pessoas, uniu, de uma certa maneira, outras por la\u00e7os indissol\u00faveis&#8221;, arrematou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o senador Cristovam Buarque, o Brasil perdeu uma mulher s\u00edmbolo da luta por uma sociedade mais justa. &#8220;\u00c9 uma grande l\u00e1stima. Ela n\u00e3o era apenas um exemplo, mas o retrato de outras tantas m\u00e3es que sofreram o mesmo. E ela nos deixa num momento em que a Comiss\u00e3o da Verdade trabalha&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3rias nas p\u00e1ginas do jornal<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, o Correio acompanhou o drama da fam\u00edlia de Honestino Guimar\u00e3es e as reviravoltas do caso envolvendo a pris\u00e3o e a morte do l\u00edder estudantil. As publica\u00e7\u00f5es, eternizadas nas p\u00e1ginas do jornal, retratam epis\u00f3dios hist\u00f3ricos, como as revela\u00e7\u00f5es de dossi\u00ea da 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Comando Militar do Planalto. No documento, que foi analisado pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara dos Deputados em 2010, o filho de Maria Rosa foi descrito como uma amea\u00e7a ao regime. Outra reportagem relatou a decis\u00e3o da Justi\u00e7a que determinou o pagamento de uma indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia. O trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade na UnB \u2014 que pretende resgatar e esclarecer epis\u00f3dios ocorridos durante a ditadura militar contra alunos e professores \u2014 tamb\u00e9m ganhou as p\u00e1ginas do jornal recentemente. A \u00faltima reportagem sobre o militante foi publicada pela editoria de Cidades no fim de julho.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211;\u00a0clippingmp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obstina\u00e7\u00e3o de Maria Rosa Leite Monteiro na busca por justi\u00e7a \u00e9 um marco na luta contra o regime militar. 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