{"id":2504,"date":"2012-10-07T15:00:05","date_gmt":"2012-10-07T15:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/07\/a-cassacao-de-mestrinho-2\/"},"modified":"2012-10-07T15:00:05","modified_gmt":"2012-10-07T15:00:05","slug":"a-cassacao-de-mestrinho-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/07\/a-cassacao-de-mestrinho-2\/","title":{"rendered":"A Cassa\u00e7\u00e3o de Mestrinho"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Pl\u00ednio Ramos Coelho elegeu-se governador em 1954, ao derrotar o candidato das oligarquias locais, que h\u00e1 d\u00e9cadas dominavam o poder no Estado. Aos 34 anos, promove um governo inovador e inaugura no Amazonas o trabalhismo na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com reformas estruturais e o saneamento das finan\u00e7as do Estado, fato que lhe permitiria eleger o sucessor.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contra as expectativas de muitos trabalhistas, que preferiam o nome de Edson Stanislau Affonso, ent\u00e3o presidente da Assembleia, Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo \u00e9 escolhido candidato do PTB, em decis\u00e3o inapel\u00e1vel, imposta pelo governador Pl\u00ednio Coelho. Mestrinho, que vinha de uma administra\u00e7\u00e3o exitosa na Prefeitura de Manaus, para a qual tamb\u00e9m fora indicado por Pl\u00ednio, elege-se em 1958, com apenas 30 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Faz um governo bem avaliado, com a implanta\u00e7\u00e3o de projetos desenvolvimentistas, impregnados de otimismo, na mesma linha do presidente Juscelino Kubitschek. De igual modo, com a\u00e7\u00f5es governamentais de largo apelo popular, consolida sua lideran\u00e7a e torna-se refer\u00eancia pol\u00edtica na regi\u00e3o. Ao concluir o mandato, em 1963, chega a ter seu nome cogitado para disputar o governo do Par\u00e1, ao mesmo tempo em que os demais estados do Norte querem t\u00ea-lo como seu representante na C\u00e2mara Federal. N\u00e3o tinha alternativa, a n\u00e3o ser a C\u00e2mara dos Deputados, porquanto n\u00e3o preenchia o requisito da idade m\u00ednima de 35 anos para concorrer ao Senado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Assim, no pleito de 1962, elege-se deputado federal por Roraima, ainda no exerc\u00edcio do cargo de governador do Amazonas, o que na \u00e9poca era legalmente poss\u00edvel. J\u00e1 no desempenho das novas fun\u00e7\u00f5es \u00e9 que \u00e9 cassado pelo Golpe de Abril, na primeira lista de v\u00edtimas do arb\u00edtrio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com a ditadura de 1964 no Brasil, tivemos grandes e irrepar\u00e1veis perdas, todos n\u00f3s, o Estado e a Na\u00e7\u00e3o. Algumas gera\u00e7\u00f5es, precocemente castradas, viram seus sonhos esva\u00edrem-se, enquanto outros, em situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas e terr\u00edveis, perderam a vida nos por\u00f5es da repress\u00e3o e da tortura levadas \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No Amazonas, a hist\u00f3ria registra o assassinato de Antogildo Pascoal Viana, l\u00edder sindical, \u2018suicidado\u2019 pela quartelada num hospital do Rio de Janeiro, e de Thomaz Meirelles, ainda hoje presente no rol dos desaparecidos da ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O caso de Thomazinho, como o trat\u00e1vamos seus amigos, \u00e9 o mais emblem\u00e1tico. Parintinense de boa cepa, intelig\u00eancia fulgurante do movimento estudantil nos anos 50\/60, cedo percebeu os limites de sua atua\u00e7\u00e3o no distante Amazonas e deslocou-se para o Rio de Janeiro. Atuou na UNE\/UBES e em seguida foi para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, onde estudou na Universidade Patrice Lumumba. Mais tarde, foi um dos poucos brasileiros a ascender \u00e0 Universidade de Moscou, tributo a seu reconhecido talento. Voltou ao Brasil, para morrer. Ainda escreverei, ao longo desta s\u00e9rie, artigo especial sobre Thomaz Ant\u00f4nio da Silva Meirelles Netto e o mart\u00edrio de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas, no plano pol\u00edtico regular e institucional, quem suporta grandes perdas \u00e9 Mestrinho. Ainda mo\u00e7o, em franco processo de consolida\u00e7\u00e3o de uma lideran\u00e7a que tendia a se transformar em hegem\u00f4nica no Norte do Pa\u00eds, \u00e9 atingido pela f\u00faria do golpe e v\u00ea uma carreira promissora ser abruptamente interrompida. Costurava alian\u00e7as com nomes expressivos e tradicionais na pol\u00edtica paraense, a partir de Bel\u00e9m, onde estabeleceu interesses empresariais de sucesso. Em Bras\u00edlia, como deputado federal, aglutinava as bancadas estaduais da regi\u00e3o, com base em projetos e iniciativas que contemplavam todos Estados locais. O discurso do Norte ganhou ent\u00e3o express\u00e3o e passou a sensibilizar o poder central, pressionado a atender as grandes demandas regionais. Nesse sentido, o trabalho de Mes trinho tinha o aval do PTB, partido do presidente Jo\u00e3o Goulart, que via com bons olhos o surgimento de nova for\u00e7a pol\u00edtica na Amaz\u00f4nia, em substitui\u00e7\u00e3o ao conservadorismo de direita, representado pela Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional, pelo Partido Social Democr\u00e1tico e legendas auxiliares e perif\u00e9ricas desses partidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mestrinho tinha a t\u00eampera e a idiossincrasia do oriental, paciente e reservado na formula\u00e7\u00e3o de projetos que cultivava de forma solit\u00e1ria, muito antes de compartilh\u00e1-los com assessores ou amigos mais pr\u00f3ximos. E foi assim que alimentou a possibilidade de assumir a lideran\u00e7a da Amaz\u00f4nia, com a qual se projetaria no concerto da Na\u00e7\u00e3o, com vistas a um salto maior no quadro pol\u00edtico nacional.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Amazonino Mendes, 23 anos depois, perseguiria o mesmo objetivo, com a cria\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum de Governadores da Amaz\u00f4nia e do Instituto Superior de Estudos da Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m sem \u00eaxito, diante da falta de vis\u00e3o e sensibilidade dos demais governadores regionais. Ningu\u00e9m consegue entender que nenhum Estado do Norte tem peso pol\u00edtico na balan\u00e7a de poder no Brasil, agindo isoladamente e em confronto com a representa\u00e7\u00e3o do Centro-Sul.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mestrinho perdeu tudo, o mandato, os neg\u00f3cios. Logo ap\u00f3s a cassa\u00e7\u00e3o teve que sair de Bras\u00edlia para S\u00e3o Paulo usando identidade simulada, em busca de prote\u00e7\u00e3o do general Amaury Kruel, comandante do II Ex\u00e9rcito e seu amigo. No Amazonas, sumiu de cena por longo per\u00edodo, durante o qual a imprensa simplesmente emudeceu a seu respeito. De repente parecia acometido de doen\u00e7a contagiosa e muitos daqueles que antes o cortejavam sumiram, at\u00e9 a anistia e seu retorno em 1982, quando foi eleito novamente governador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com Golpe de Abril, a lideran\u00e7a amaz\u00f4nica, talvez uma de suas maiores aspira\u00e7\u00f5es, foi por \u00e1gua abaixo, literalmente.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; D24am<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pl\u00ednio Ramos Coelho elegeu-se governador em 1954, ao derrotar o candidato das oligarquias locais, que h\u00e1 d\u00e9cadas dominavam o poder no Estado. 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