{"id":2516,"date":"2012-10-09T18:54:58","date_gmt":"2012-10-09T18:54:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/09\/caravana-da-anistia-analisa-casos-de-vitimas-da-ditadura-no-rj-2\/"},"modified":"2012-10-09T18:54:58","modified_gmt":"2012-10-09T18:54:58","slug":"caravana-da-anistia-analisa-casos-de-vitimas-da-ditadura-no-rj-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/09\/caravana-da-anistia-analisa-casos-de-vitimas-da-ditadura-no-rj-2\/","title":{"rendered":"Caravana da Anistia analisa casos de v\u00edtimas da ditadura no RJ"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Os casos de de Daniel Carvalho de Souza, Maria Cristina da Costa Lyra e Maria C\u00e9lia de Melo Lundberg foram apreciados hoje (8) pela Caravana da Anistia, da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a na sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 62. A sess\u00e3o ocorreu no Armaz\u00e9m da Utopia, espa\u00e7o do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, onde ocorrem debates e sess\u00f5es populares.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Maria C\u00e9lia era professora em Belo Horizonte e foi presa em 1971, junto com o irm\u00e3o Herv\u00ea, por ser militante da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ALN). Torturada e violentada sexualmente, foi para o ex\u00edlio na Su\u00e9cia e n\u00e3o voltou mais ao Brasil, at\u00e9 a sess\u00e3o de hoje da Caravana da Anistia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Emocionada, Maria C\u00e9lia falou da dificuldade de superar o trauma. &#8220;De muitas formas tenho me realizado na Su\u00e9cia, embora tenha sido um caminho de muita luta, constante e dura. No entanto, sinto que n\u00e3o pude fechar o cap\u00edtulo da tortura e da repress\u00e3o. Aqui volto porque quero e espero que possa fechar esse cap\u00edtulo doloroso para mim e para a minha fam\u00edlia, que tamb\u00e9m sofreu pelo que aconteceu comigo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da comiss\u00e3o, Paulo Abr\u00e3o, disse que, mesmo depois de tanto tempo do Estado Democr\u00e1tico de Direito restaurado no Brasil, ainda existem brasileiros exilados pol\u00edticos, como \u00e9 o caso de Maria C\u00e9lia. &#8220;As pessoas n\u00e3o acreditam que ainda existem exilados, que ainda n\u00e3o est\u00e3o no Brasil, em raz\u00e3o do medo ou da aus\u00eancia de confian\u00e7a suficiente nas institui\u00e7\u00f5es da democracia de hoje, para poder retornar com seguran\u00e7a. No fundo \u00e9 isso que n\u00f3s procuramos fazer, resgatar a seguran\u00e7a p\u00fablica e c\u00edvica dos cidad\u00e3os no Estado&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Maria Cristina tinha 19 anos quando foi presa e torturada por integrar o Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores, em 1970. Por causa da tortura, tentou suic\u00eddio duas vezes e foi monitorada pelo governo mesmo depois da publica\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia, em 1979. Ela disse que pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que sonhou com a liberdade, com uma sociedade justa e igualit\u00e1ria e um Brasil democr\u00e1tico. &#8220;Essa luta para muitos de n\u00f3s culminou na pris\u00e3o, onde conhecemos a crueldade, a brutalidade, a tortura, um jogo perverso da crueldade. Mas apesar de todos os infort\u00fanios, vivemos motivos de grande esperan\u00e7a e motivo de celebra\u00e7\u00e3o, ao encontrar at\u00e9 no ambiente hostil do c\u00e1rcere seres capazes de exercer a solidariedade, a bondade, a compaix\u00e3o, o amor ao pr\u00f3ximo&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Abr\u00e3o ressalta que a repress\u00e3o no Brasil, diferentemente do que ocorreu em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, foi econ\u00f4mica. &#8220;A forma mais recorrente de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ditadura brasileira, distintamente de outras, foi a persegui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, foi por meio das demiss\u00f5es arbitr\u00e1rias e o afastamento profissional. Quando as pessoas dizem que na Argentina, no Chile a repress\u00e3o foi pior porque l\u00e1 houve mais mortos, mais desaparecidos, \u00e9 porque elas ignoram que os m\u00e9todos repressivos est\u00e3o relacionados com os contextos hist\u00f3ricos de cada pa\u00eds. A viol\u00eancia de uma ditadura n\u00e3o \u00e9 medida pela pilha de corpos que ela \u00e9 capaz de produzir, mas sim pela cultura autorit\u00e1ria que ela projeta no tempo&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo caso analisado no Armaz\u00e9m da Utopia foi o de Daniel, que viveu a inf\u00e2ncia e parte da juventude na clandestinidade, passando por v\u00e1rios pa\u00edses, devido \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a seus pais, Irles Carvalho e Herbert Jos\u00e9 de Souza, o Betinho, os dois j\u00e1 anistiados pela comiss\u00e3o. Daniel n\u00e3o consegue esquecer a sensa\u00e7\u00e3o de ter que deixar tudo para tr\u00e1s mais de uma vez. &#8220;Eu acho que o que ficou daquela \u00e9poca, talvez a parte mais complicada, \u00e9 voc\u00ea passar 15 anos com a sensa\u00e7\u00e3o de que onde quer que voc\u00ea esteja, eu n\u00e3o pertencia \u00e0quele lugar, sabia que algum dia, aonde eu estivesse, eu ia sair dali e ao mesmo tempo a gente mantinha uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com o Brasil, com a m\u00fasica brasileira, com a comida brasileira&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da comiss\u00e3o justifica a concess\u00e3o de anistia aos filhos dos perseguidos por eles tamb\u00e9m passarem por uma situa\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o de seus direitos fundamentais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tem direito \u00e0 anistia, \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, todos aqueles que foram atingidos por atos de exce\u00e7\u00e3o durante a ditadura militar. E atos de exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o todos aqueles violadores dos nossos direitos fundamentais segundo a normalidade democr\u00e1tica. N\u00e3o que hoje, na democracia, os direitos das pessoas n\u00e3o sejam violados, mas ocorre que durante a ditadura militar eles foram violados deliberadamente, o Estado que existe para ser um ente artificial de prote\u00e7\u00e3o das pessoas foi instrumentalizado para ser o contr\u00e1rio disso, para ser um ente de persegui\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da vida das pessoas&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas casos de requerimento de anistia analisados hoje foram deferidos por unanimidade. Ap\u00f3s a sess\u00e3o ocorreu o lan\u00e7amento do filme Eu Me Lembro, de Luiz Fernando L\u00f4bo, document\u00e1rio sobre o trabalho da Caravana da Anistia nos \u00faltimos cinco anos, dentro da programa\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os casos de de Daniel Carvalho de Souza, Maria Cristina da Costa Lyra e Maria C\u00e9lia de Melo Lundberg foram apreciados hoje (8) pela Caravana da Anistia, da Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a na sua edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 62. 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