{"id":2542,"date":"2012-10-18T19:44:50","date_gmt":"2012-10-18T19:44:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/18\/familia-chora-desaparecimento-de-militante-da-esquerda-vitima-da-operacao-condor-2\/"},"modified":"2012-10-18T19:44:50","modified_gmt":"2012-10-18T19:44:50","slug":"familia-chora-desaparecimento-de-militante-da-esquerda-vitima-da-operacao-condor-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/18\/familia-chora-desaparecimento-de-militante-da-esquerda-vitima-da-operacao-condor-2\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia chora desaparecimento de militante da esquerda v\u00edtima da Opera\u00e7\u00e3o Condor"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O olhar triste, a voz embargada e as m\u00e3os tr\u00eamulas s\u00e3o marcas do sofrimento de Maria Rita Apolin\u00e1rio, ao falar do irm\u00e3o desaparecido Jo\u00e3o Batista Rita h\u00e1 39 anos, v\u00edtima da Opera\u00e7\u00e3o Condor, a\u00e7\u00e3o que reuniu seis pa\u00edses sul-americanos, inclusive o Brasil, com o intuito de reprimir os opositores \u00e0s ditaduras militares.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO Jo\u00e3o era tudo de bom. Ele era extremamente cavalheiro com as mulheres, adorava crian\u00e7as, adorava cachorro. Ele era bom, inteligente, queria que a gente estudasse, que a gente fosse algu\u00e9m\u201d, diz Maria Rita, com rosto em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Batista Rita &#8211; o \u201cCatarina\u201d, como ficou conhecido entre os militantes pol\u00edticos &#8211; nasceu em 1948 na pequena Bra\u00e7o do Norte, no interior de Santa Catarina. De fam\u00edlia humilde, mudou-se ainda crian\u00e7a para Crici\u00fama (SC), onde viveu at\u00e9 completar 15 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio Marcos de Souza, jornalista, relembra hist\u00f3rias com o amigo de inf\u00e2ncia: \u201cA minha rua era de terra batida em Crici\u00fama, na chamada Vila Oper\u00e1ria, com uma fila de casinhas todas iguais, de madeira, de quatro pe\u00e7as, feitas apenas para trabalhadores e n\u00f3s mor\u00e1vamos em uma daquelas. No fim dessa rua, tinha a casa do m\u00e9dico, onde o pai do Jo\u00e3o Batista era caseiro, e [os donos da casa] tinham um filho da idade dele. N\u00f3s tr\u00eas conviv\u00edamos muito, brinc\u00e1vamos de bola nos terrenos da redondeza, corr\u00edamos pela rua, jog\u00e1vamos bolinha de gude, convers\u00e1vamos e estud\u00e1vamos juntos, \u00e9ramos amigos de inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois, Jo\u00e3o Batista seguiu para Porto Alegre para estudar. Foi ent\u00e3o que ele ingressou no movimento pol\u00edtico de esquerda M3G \u2013 Marx, Mao, Marighella. O irm\u00e3o Romilton Rita conta o medo que Jo\u00e3o tinha de expor a fam\u00edlia por ter se tornado um militante de esquerda na \u00e9poca. \u201cQuando ele vinha visitar fam\u00edlia aqui, vinha no fim de semana e chegava no meio da madrugada. Nunca dizia o nome quando batia na porta. Ele batia na porta e n\u00e3o dizia que era o Jo\u00e3o. Ele falava com voz alterada [\u2026]. Ele achava que podia ter algu\u00e9m na rua esperando ele chegar para visitar a fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1970, Jo\u00e3o Batista foi preso ap\u00f3s tentativa frustrada do sequestro do ent\u00e3o c\u00f4nsul norte-americano na capital ga\u00facha. No ano seguinte, fez parte do grupo de militantes pol\u00edticos libertado em troca de um embaixador su\u00ed\u00e7o que havia sido sequestrado. Em seguida, recebeu asilo pol\u00edtico no Chile. Quando o presidente chileno Salvador Allende foi deposto, em 1973, Jo\u00e3o fugiu para a Argentina. Na capital argentina, Buenos Aires, desapareceu junto com o ex-major Joaquim Pires Cerveira, tamb\u00e9m militante do movimento de esquerda. Os dois s\u00e3o considerados v\u00edtimas da Opera\u00e7\u00e3o Condor. Desde ent\u00e3o, as fam\u00edlias nunca mais tiveram not\u00edcias dos dois.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, Jair Krischke, ainda pairam d\u00favidas sobre o desaparecimento de 13 brasileiros fora do pa\u00eds, por causa da Condor. O n\u00famero \u00e9 reconhecido pelo governo federal. \u201cTodos foram v\u00edtimas. Porque se pode ver por meio de documentos como eram monitorados.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Maria Rita, a falta de respostas sobre o que aconteceu com o irm\u00e3o \u00e9 um de seus maiores sofrimentos. \u201cA gente precisa ter um final, um corpo, saber o que aconteceu, ter um retorno disso. A gente n\u00e3o tem. O que d\u00f3i \u00e9 que ele deu a vida pela democracia, e ficou por isso. At\u00e9 hoje a gente n\u00e3o tem um corpo para chorar, n\u00e3o sabe o que aconteceu.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A TV Brasil iniciou segunda-feira (15) a exibi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie jornal\u00edstica, com quatro reportagens, sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor. At\u00e9 o dia 19, o Rep\u00f3rter Brasil Noite vai exibir uma reportagem, sempre \u00e0s 21h, com reprise no Rep\u00f3rter Brasil Manh\u00e3, \u00e0s 8h. Depoimentos completos, fotos e documentos est\u00e3o dispon\u00edveis no portal da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), no endere\u00e7o www.ebc.com.br\/operacaocondor.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O olhar triste, a voz embargada e as m\u00e3os tr\u00eamulas s\u00e3o marcas do sofrimento de Maria Rita Apolin\u00e1rio, ao falar do irm\u00e3o desaparecido Jo\u00e3o Batista Rita h\u00e1 39 anos, v\u00edtima da Opera\u00e7\u00e3o Condor, a\u00e7\u00e3o que reuniu seis pa\u00edses sul-americanos, inclusive o Brasil, com o intuito de reprimir os opositores \u00e0s ditaduras militares.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2542"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2542\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}