{"id":2674,"date":"2012-10-31T23:27:19","date_gmt":"2012-10-31T23:27:19","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/31\/biografo-rejeita-tese-de-traicao-a-marighella-2\/"},"modified":"2012-10-31T23:27:19","modified_gmt":"2012-10-31T23:27:19","slug":"biografo-rejeita-tese-de-traicao-a-marighella-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/10\/31\/biografo-rejeita-tese-de-traicao-a-marighella-2\/","title":{"rendered":"Bi\u00f3grafo rejeita tese de trai\u00e7\u00e3o a Marighella"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>M\u00e1rio Magalh\u00e3es diz ter certeza que guerrilheiro foi morto pela ditadura e que aliados foram bodes expiat\u00f3rios.\u00a0Livro traz revela\u00e7\u00f5es saborosas, como a de que Mir\u00f3 e Luchino Visconti ajudaram a financiar a ALN  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ba\u00fa de descobertas do livro de M\u00e1rio Magalh\u00e3es, um catatau de 760 p\u00e1ginas regiamente documentado, come\u00e7a pela fam\u00edlia -Marighella era neto de uma escrava.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Passa pela religi\u00e3o -apesar de se dizer ateu, era filho de Ox\u00f3ssi no candombl\u00e9.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">E chega \u00e0 sua morte -o policial que revistou o corpo diz que n\u00e3o havia arma na pasta que o guerrilheiro carregava.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o de que portava um rev\u00f3lver foi inventada pela pol\u00edcia tr\u00eas semanas ap\u00f3s a morte, segundo Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda revela\u00e7\u00f5es saborosas, como a de que o artista espanhol Joan Mir\u00f3 (1893-1983) doou obras para ajudar a financiar o grupo. O cineasta italiano Luchino Visconti (1906-1976), de &#8220;O Leopardo&#8221;, tamb\u00e9m o auxiliou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marighella tornou-se um mito pela hist\u00f3ria que carregava. Preso em 1932, 1935 e 1939 pelo governo de Get\u00falio Vargas, foi eleito deputado constituinte pelo Partido Comunista Brasileiro em 1946.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1953, organizou a Greve dos 300 mil, que parou S\u00e3o Paulo. Nos anos 1950 e 1960, foi sempre um contrapeso \u00e0 pol\u00edtica oficial do PC.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, os comunistas, seguindo diretrizes de Moscou, haviam sepultado a ideia de revolu\u00e7\u00e3o e defendiam uma uni\u00e3o com a burguesia. Ap\u00f3s o golpe militar de 1964, Marighella foi um dos primeiros a defender a guerrilha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por isso escreveu ao ditador cubano Fidel Castro, em dezembro de 1966 -uma das revela\u00e7\u00f5es da obra. Dizia estar &#8220;confiante nos promissores resultados do processo de interc\u00e2mbio que ora iniciamos&#8221;. O Centro de Intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito contou 85 integrantes da ALN treinados em Cuba, registra o livro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marighella tinha simpatia pelo levante comunista na China, no Vietn\u00e3 e em Cuba e via na guerrilha rural a sa\u00edda contra a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele se dizia terrorista, mas n\u00e3o aceitava preju\u00edzo para inocentes&#8221;, afirma Magalh\u00e3es. Jamais perdoaria, segundo ele, os ataques feitos por Carlos, o Chacal, em plena Paris, ou as bombas das Brigadas Vermelhas em esta\u00e7\u00f5es de trem, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de defender a guerrilha rural, paradoxalmente tornou-se conhecido com um manual sobre a guerrilha urbana, de 1969. A obra compilava em 51 p\u00e1ginas os erros e acertos dos atentados praticados da ALN e virou refer\u00eancia para grupos como o alem\u00e3o Baaden Meinhoff ou os Panteras Negras, dos EUA.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O maior temor de Magalh\u00e3es era que o livro se tornasse mais uma obra sobre a morte de Marighella, por seu car\u00e1ter tr\u00e1gico para a esquerda -muitos historiadores usam o epis\u00f3dio para marcar o come\u00e7o do fim da luta armada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tanto setores da esquerda quanto o regime militar diziam que os dominicanos que auxiliaram Marighella foram os respons\u00e1veis pela emboscada. Magalh\u00e3es rejeita com veem\u00eancia essa vers\u00e3o e a no\u00e7\u00e3o de que houve um traidor. Para ele os frades foram bodes expiat\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pergunta que ele faz n\u00e3o \u00e9 por que a ditadura demorou tanto para achar Marighella, em novembro de 1969, d\u00favida sustentada por dois fatos:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">1) A pol\u00edcia sabia desde 1968 da liga\u00e7\u00e3o dos frades com a ALN; 2) entre o final de 1968 e maio de 1969, a CIA (central de intelig\u00eancia dos EUA) infiltrara o italiano Alessandro Malavasi no grupo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o mais apropriada, ele diz, \u00e9: como Marighella n\u00e3o foi apanhado antes, tantos eram os descuidos de seu grupo com a seguran\u00e7a?<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Mas, para M\u00e1rio Magalh\u00e3es, n\u00e3o faz sentido buscar culpados. Ap\u00f3s entrevistar 256 pessoas e incluir 2.580 notas para detalhar suas fontes, ele chegou a uma s\u00f3 conclus\u00e3o: &#8220;Quem matou Marighella foi a ditadura&#8221;. (MARIO CESAR CARVALHO)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>MARIGHELLA &#8211; O GUERRILHEIRO QUE INCENDIOU O MUNDO<\/strong><span class=\"s1\"><br \/> <\/span>AUTOR M\u00e1rio Magalh\u00e3es<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>EDITORA Companhia das Letras<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>QUANTO R$ 56,50 (760 p\u00e1gs.)<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Magalh\u00e3es diz ter certeza que guerrilheiro foi morto pela ditadura e que aliados foram bodes expiat\u00f3rios.\u00a0Livro traz revela\u00e7\u00f5es saborosas, como a de que Mir\u00f3 e Luchino Visconti ajudaram a financiar a ALN<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2674"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}