{"id":2706,"date":"2012-11-09T13:50:25","date_gmt":"2012-11-09T13:50:25","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/09\/regime-militar-exigiu-que-onu-operasse-no-brasil-na-clandestinidade-2\/"},"modified":"2012-11-09T13:50:25","modified_gmt":"2012-11-09T13:50:25","slug":"regime-militar-exigiu-que-onu-operasse-no-brasil-na-clandestinidade-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/09\/regime-militar-exigiu-que-onu-operasse-no-brasil-na-clandestinidade-2\/","title":{"rendered":"Regime militar exigiu que ONU operasse no Brasil na clandestinidade"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O escrit\u00f3rio da ONU dedicado a lidar com refugiados foi obrigado pelo regime militar brasileiro a atuar de forma semi-clandestina no Pa\u00eds, a adotar um outro nome e apenas pode se instalar no Pa\u00eds diante do compromisso de que simplesmente n\u00e3o falasse do assunto com a imprensa e muito menos com a comunidade internacional.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es fazem parte de centenas de telegramas, relat\u00f3rios e cartas que est\u00e3o guardadas nos arquivos da ONU em Genebra e que o Estado pode consultar. Em sua edi\u00e7\u00e3o de domingo, a reportagem revelou como, no auge da repress\u00e3o na Argentina, Chile e Uruguai, o governo brasileiro devolveu opositores buscados pelos regimes nos pa\u00edses vizinhos, rejeitou dezenas de pedidos da ONU para que passasse a dar asilo a fam\u00edlias e militantes perseguidos e ainda for\u00e7ou a entidade a buscar uma sa\u00edda desses refugiados para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para tentar ajudar as fam\u00edlias a deixar o Brasil, a ONU acabou aceitando as condi\u00e7\u00f5es impostas pelo regime militar. As condi\u00e7\u00f5es, segundo funcion\u00e1rios da entidade que atuam em Genebra hoje, s\u00e3o similares \u00e0s que a ONU opera atualmente em Mianmar. Nos \u00faltimos anos do regime de Muamar Kadafi, a presen\u00e7a da ONU na L\u00edbia tamb\u00e9m seguia um padr\u00e3o similar ao que existiu entre a entidade e o Brasil no final dos anos 70.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante mais de uma d\u00e9cada, os assuntos relacionados com o Brasil eram tratados pelos escrit\u00f3rios da ONU em Buenos Aires e em Bogot\u00e1. Mas, depois de anos de negocia\u00e7\u00e3o, o governo e a ONU chegariam a um acordo para o desembarque da entidade no Pa\u00eds. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) se estabeleceria no Rio de Janeiro em 1977. Teria a fun\u00e7\u00e3o de identificar os refugiados, registra-los e buscar uma forma de retir\u00e1-los do Brasil em dire\u00e7\u00e3o a pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas isso tudo com uma condi\u00e7\u00e3o: ela n\u00e3o poderia usar seu nome e agisse sob o nome do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), entidade especializada no combate \u00e0 pobreza. Al\u00e9m disso, pedia-se que as opera\u00e7\u00f5es fossem &#8220;discretas&#8221; e que a dimens\u00e3o do problema de refugiados n\u00e3o fosse explicada ao p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Num telegrama de 8 de fevereiro de 1977, os representantes da ONU relatam como o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores &#8220;insistiu muito que o m\u00ednimo de publicidade fosse dado sobre esses acordos e sobre a situa\u00e7\u00e3o geral dos refugiados no Brasil&#8221;. Instru\u00e7\u00f5es eram dadas aos funcion\u00e1rios da ONU para que evitassem fazer barulho e que contassem a &#8220;vers\u00e3o verdadeira&#8221; da presen\u00e7a da entidade e sobre os refugiados aos jornalistas s\u00f3 em caso de &#8220;necessidade&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo os documentos, essa negocia\u00e7\u00e3o resultou num &#8220;acordo verbal&#8221; e, no telegrama de 25 de junho de 79, o vice-diretor do escrit\u00f3rio da ONU em Buenos Aires, Rolf Jenny, confirmava que a entidade operava em uma &#8220;posi\u00e7\u00e3o extra-oficial&#8221; no Pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do sigilo em suas atividades, outra condi\u00e7\u00e3o colocada pelo regime era de que a ONU &#8220;fizesse o poss\u00edvel&#8221; para dar um destino aos refugiados que estavam entrando no Pa\u00eds. Ou seja, retir\u00e1-los do Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma mudan\u00e7a importante viria apenas em 1982, quando finalmente a rela\u00e7\u00e3o entre o regime e a ONU come\u00e7ou a se normalizar. Num telegrama daquele ano, o Acnur relatava em um tom euf\u00f3rico que, em uma reuni\u00e3o com diplomatas no Itamaraty, o ent\u00e3o conselheiro Jadiel Ferreira, admitiria que havia chegado o momento de acabar com a atitude de que o tema de refugiados era um &#8220;assunto fantasma&#8221; no Brasil. O diplomata tamb\u00e9m apontava que era a hora de dar um basta \u00e0 vers\u00e3o de que o Pa\u00eds seria &#8220;inundado por refugiados&#8221; se come\u00e7assem a aceitar esses refugiados do Cone Sul.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escrit\u00f3rio da ONU dedicado a lidar com refugiados foi obrigado pelo regime militar brasileiro a atuar de forma semi-clandestina no Pa\u00eds, a adotar um outro nome e apenas pode se instalar no Pa\u00eds diante do compromisso de que simplesmente n\u00e3o falasse do assunto com a imprensa e muito menos com a comunidade internacional.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2706"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}