{"id":2740,"date":"2012-11-13T18:06:31","date_gmt":"2012-11-13T18:06:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/13\/video-sugere-que-ditadura-ensinou-indigenas-a-torturar-2\/"},"modified":"2012-11-13T18:06:31","modified_gmt":"2012-11-13T18:06:31","slug":"video-sugere-que-ditadura-ensinou-indigenas-a-torturar-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/13\/video-sugere-que-ditadura-ensinou-indigenas-a-torturar-2\/","title":{"rendered":"V\u00eddeo sugere que ditadura ensinou ind\u00edgenas a torturar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para se livrar de press\u00f5es externas e n\u00e3o ter os planos de expans\u00e3o do interior alterados, a ditadura criou na d\u00e9cada de 70 a Guarda Rural Ind\u00edgena (Grin), informa a rep\u00f3rter especial da Folha Laura Capriglione.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2646\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/208029-640x480-1.png\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"250\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cena do filme &#8220;Arara&#8221;, de Jesco von Puttmaker, que mostra cenas da formatura da 1\u00aa turma da Guarda Rural Ind\u00edgena, em 1970<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">  <!--more-->  <\/address>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo a portaria que criou a guarda, no ano de 1969, a tropa teria a miss\u00e3o de &#8220;executar o policiamento ostensivo das \u00e1reas reservadas aos silv\u00edcolas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/1182605-como-a-ditadura-ensinou-tecnicas-de-tortura-a-guarda-rural-indigena.shtml\">Como a ditadura ensinou t\u00e9cnicas de tortura \u00e0 Guarda Rural Ind\u00edgena<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A formatura da primeira turma da guarda era composta por 84 \u00edndios recrutados em aldeias xerente, maxacali, caraj\u00e1, krah\u00f4 e gavi\u00f5es que aparecem em cenas gravadas h\u00e1 42 anos e reveladas pelo pesquisador Marcelo Zelic, 49, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais\/SP e membro da Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As imagens foram encontradas no Museu do \u00cdndio, no Rio de Janeiro, em um DVD com o t\u00edtulo &#8220;Arara&#8221;, fruto da digitaliza\u00e7\u00e3o de 20 rolos de filme 16 mm, sem \u00e1udio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A etiqueta levava a crer que se tratava de material sobre a etnia arara &#8211;\u00edndios conhecidos nas cercanias de Altamira (PA) desde 1850. Mas, em vez do &#8220;povo das araras vermelhas&#8221;, como se denominam at\u00e9 hoje seus 361 remanescentes (dados de 2012), era outra &#8220;arara&#8221; que nomeava a caixa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de pau de arara, a aut\u00eantica contribui\u00e7\u00e3o brasileira ao arsenal mundial de t\u00e9cnicas de tortura, usado desde os tempos da col\u00f4nia para punir &#8220;negros fuj\u00f5es&#8221;, como se dizia. Por lembrar as longas varas usadas para levar aves aos mercados, atadas pelos p\u00e9s, o supl\u00edcio ganhou esse nome.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na ditadura militar (1964-85), por\u00e9m, o pau de arara s\u00f3 aparecia sob a forma de den\u00fancia, estampando jornais alternativos, em filmes e document\u00e1rios realizados por militantes oposicionistas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entranhada nos por\u00f5es, a tortura jamais recebera tratamento t\u00e3o alegre e solto quanto naqueles 26 minutos e 55 segundos, que exibem o pau de arara orgulhosamente \u00e0 luz do dia, em ato oficial, sob os aplausos das autoridades e de uma multid\u00e3o de basbaques.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fot\u00f3grafos e cinegrafistas cobriram o evento, mas a cena, que assusta pela impud\u00eancia, ficou de fora dos jornais e das revistas. Sobrou, ao que se saiba, apenas camuflada sob o t\u00edtulo inocente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O filme \u00e9 parte do acervo sobre 60 povos ind\u00edgenas, coletado durante quatro d\u00e9cadas pelo documentarista Jesco von Puttkamer (1919-94) e doado em 1977 ao IGPA (Instituto Goiano de Pr\u00e9-Hist\u00f3ria e Antropologia), da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Descendente da nobreza alem\u00e3, mas nascido no Brasil, Von Puttkamer sabia o que era a repress\u00e3o. Foi preso pela Gestapo quando conclu\u00eda os estudos em qu\u00edmica na Universidade de Breslau (Alemanha), por se recusar a se alistar no Ex\u00e9rcito durante a Segunda Guerra (1939-45). Safou-se ao provar que era cidad\u00e3o brasileiro nato.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Trabalhou como fot\u00f3grafo no Tribunal de Nuremberg (1945-46), que julgou hierarcas nazistas por crimes de guerra. J\u00e1 de volta, foi um dos fot\u00f3grafos oficiais da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia (1956-60). Nos anos 1960, integrou pela primeira vez uma expedi\u00e7\u00e3o em busca de tribos isoladas no Brasil central. Nunca mais largou os \u00edndios.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Deixou 43 mil slides, 2.800 p\u00e1ginas de di\u00e1rios de campo e filmes na bitola 16 mm que, desenrolados, chegariam a 330 km. S\u00e3o registros delicados e muitas vezes emocionantes da aproxima\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e de seu encontro com as frentes de explora\u00e7\u00e3o &#8211;e tamb\u00e9m das epidemias e mortandades por gripe, var\u00edola e sarampo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em um document\u00e1rio sobre Von Puttkamer, o sertanista Apoena Meirelles afirma: &#8220;Jesco nunca se promoveu, nunca enriqueceu, permaneceu no anonimato, mas seu trabalho possibilitou que se denunciasse e se documentasse muita coisa errada da pol\u00edtica indigenista&#8221;. \u00c9 o caso das aulas de pau de arara.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>GRIN<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A formatura foi o ponto alto de uma longa prepara\u00e7\u00e3o. Em 23 de novembro de 1969, reportagem no &#8220;Jornal do Brasil&#8221; mostrou os \u00edndios da Grin em sala de aula e contou o que aprendiam: princ\u00edpios de ordem unida, marcha e desfile, instru\u00e7\u00f5es gerais, contin\u00eancia e apresenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o moral e c\u00edvica, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, equita\u00e7\u00e3o, lutas de defesa e ataque, patrulhamento, abordagem, condu\u00e7\u00e3o e guarda de presos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 12 de dezembro de 1969, nota no Informe JB, coluna pol\u00edtica do &#8220;Jornal do Brasil&#8221;, fazia tro\u00e7a de tipo racista dos &#8220;selvagens&#8221;: &#8220;O presidente da Funai, Queir\u00f3s Campos, dizia que a Guarda Ind\u00edgena vai de vento em popa. S\u00f3 h\u00e1 um problema, o do uniforme.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a que n\u00e3o h\u00e1 jeito de fazer com que os futuros guardas usem botina ou qualquer tipo de sapato, [&#8230;] machuca-lhes os p\u00e9s. O quepe j\u00e1 perdeu toda a tradicional seriedade porque \u00e9 logo enfeitado com uma pena atravessada. Finalmente, a fivela e os bot\u00f5es n\u00e3o param no lugar certo pois, como tudo o que brilha, s\u00e3o invariavelmente colocados na testa e nas orelhas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na formatura, por\u00e9m, botas, fivelas e bot\u00f5es tiniam, tudo no lugar e sem penachos &#8220;&#8221;o filme mostra o capit\u00e3o Pinheiro se desdobrando para ajeitar os cintos dos soldados. A ressalva foram os cabelos: n\u00e3o houve quem convencesse os krah\u00f4 a aparar as melenas que lhes desciam at\u00e9 os ombros. E assim eles desfilaram.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ministro Cavalcanti discursou em nome do presidente Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici: &#8220;Nada at\u00e9 hoje me orgulhou tanto quanto apadrinhar a formatura [&#8230;] da Guarda Ind\u00edgena, pois estou certo de que os ensinamentos recebidos por eles, neste per\u00edodo de treinamento intensivo, servir\u00e3o de exemplo para todos os pa\u00edses do mundo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, &#8220;os \u00edndios l\u00edderes, h\u00edgidos, sadios, fortes e inteligentes&#8221;, segundo Cavalcanti, embarcaram rumo a suas respectivas aldeias. Decolaram fardados, armados e com soldo mensal de 250 cruzeiros novos (pouco mais de R$ 1.000, em valor atualizado).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <object width=\"560\" height=\"315\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/H0s4m1WQNmg?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/H0s4m1WQNmg?version=3&amp;hl=en_US&amp;rel=0\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object> <\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para se livrar de press\u00f5es externas e n\u00e3o ter os planos de expans\u00e3o do interior alterados, a ditadura criou na d\u00e9cada de 70 a Guarda Rural Ind\u00edgena (Grin), informa a rep\u00f3rter especial da Folha Laura Capriglione. 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