{"id":2998,"date":"2013-01-22T02:29:51","date_gmt":"2013-01-22T02:29:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/22\/os-codigos-secretos-de-carlos-marighella\/"},"modified":"2013-01-22T02:29:51","modified_gmt":"2013-01-22T02:29:51","slug":"os-codigos-secretos-de-carlos-marighella","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/22\/os-codigos-secretos-de-carlos-marighella\/","title":{"rendered":"Os c\u00f3digos secretos de Carlos Marighella"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s a morte do guerrilheiro, em 1969, Ex\u00e9rcito destacou equipe para tentar decifrar anota\u00e7\u00f5es encontradas com o ex-l\u00edder da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2995\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230711292194i.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"450\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>O militante pol\u00edtico Carlos Marighella foi assassinado em 1969 em um suposto confronto com policiais do extinto Dops de S\u00e3o Paulo  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Uma s\u00e9rie de pap\u00e9is apreendidos no carro onde o ex-l\u00edder da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ANL) Carlos Marighella foi assassinado, em 1969, revelam que o guerrilheiro s\u00f3 se comunicava por c\u00f3digos e idiomas diferenciados. Os documentos fazem parte dos anexos de um Relat\u00f3rio Especial de Investiga\u00e7\u00e3o (REI) produzido pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), 17 dias depois de sua morte. Os militares s\u00f3 conseguiram decifrar parte dos manuscritos, supostamente de Marighella, principalmente os mapas feitos em folhas de caderno.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio, produzido em 21 de novembro de 1969, \u00e9 assinado pelo general Milton Tavares de Souza, que \u00e0 \u00e9poca chefiava a CIE. Al\u00e9m das oito p\u00e1ginas onde relata a morte de Marighella, ele anexou os pap\u00e9is encontrados com o guerrilheiro. A maior parte \u00e9 composta por manuscritos, muitas vezes utilizando os alfabetos russo e grego, ou em c\u00f3digos num\u00e9ricos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 v\u00e1rios mapas, sendo que um deles mostra uma liga\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia com cidades de Minas Gerais, como Una\u00ed, Arinos e Paracatu, al\u00e9m de Ribeir\u00e3o Preto (SP) e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cParecem esbo\u00e7os de liga\u00e7\u00f5es dos centros ou cidades, interligadas por rodovias e onde, provavelmente, existem elementos da organiza\u00e7\u00e3o Marighella\u201d, diz o documento, que foi distribu\u00eddo para toda a comunidade de informa\u00e7\u00f5es. A avalia\u00e7\u00e3o do CIE foi baseada nos desenhos do guerrilheiro. Outro mapa tamb\u00e9m localiza v\u00e1rios estados brasileiros. \u201cParecem os croquis dos principais centros onde a organiza\u00e7\u00e3o Marighella vem atuando\u201d, descrevem os militares.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na an\u00e1lise dos agentes do servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, a organiza\u00e7\u00e3o de Marighella provavelmente estava se expandindo para a Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds, e os mapas apreendidos confirmavam isso. \u201cH\u00e1 de se considerar in\u00fameros informes da presen\u00e7a de elementos subversivos no norte do Paran\u00e1 (Lamarca teria sido visto em localidade daquele estado). O aparecimento de Apucarana (em um dos croquis) \u00e9 um ind\u00edcio bem sintom\u00e1tico da exist\u00eancia de focos da organiza\u00e7\u00e3o Marighella nessa \u00e1rea, e provavelmente na cidade referenciada\u201d, observaram os arapongas.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2996\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230845401325o.jpg\" border=\"0\" width=\"365\" height=\"274\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230845401325o.jpg 365w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230845401325o-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Cena do filme document\u00e1rio Utopia e Barb\u00e1rie, do diretor Silvio Tendler.<\/address>\n<address><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\"><strong>C\u00f3digos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">Nem sempre, entretanto, era poss\u00edvel decifrar o que era o desenho. \u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0s garatujas (letra feita ou ineleg\u00edveis) existentes nessas tr\u00eas folhas, n\u00e3o chegamos a nenhuma conclus\u00e3o\u201d, observaram os analistas, referindo-se a uma s\u00e9rie de c\u00edrculos desenhados em uma folha de caderno. \u201cH\u00e1, por\u00e9m, uma certa frequ\u00eancia de espirais conc\u00eantricas, que parecem simbolizar uma afirma\u00e7\u00e3o de envolvimento\u201d, ressalta o documento. Em um dos pap\u00e9is, os militares reconhecem que a escrita era do pr\u00f3prio Marighella.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cA folha 5 cont\u00e9m tr\u00eas peda\u00e7os de papel, com anota\u00e7\u00f5es de pr\u00f3prio punho de Carlos Marighella, que usou c\u00f3digos pessoais, abreviaturas mnem\u00f4nicas, alfabeto grego, alfabeto russo e c\u00f3digo morse\u201d, descreve o agente, ressaltando que conseguiu decifrar algumas das anota\u00e7\u00f5es. Normalmente, tratavam-se de nomes de ruas e hor\u00e1rios. Os n\u00fameros, segundo os militares, simbolizavam integrantes da organiza\u00e7\u00e3o. Um dos pap\u00e9is est\u00e3o relacionados a uma sequ\u00eancia de 23 n\u00fameros com alguns nomes \u00e0 frente.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cChamou-nos aten\u00e7\u00e3o o n\u00ba 0818, cuja grafia do nome Marighella teve o cuidado de escrever em sua grafia pessoal, utilizando o alfabeto grego\u201d, observam os analistas. \u201cJulgamos ser algu\u00e9m muito importante para despertar a preocupa\u00e7\u00e3o de Marighella ao escrever seu nome, pois os demais nomes est\u00e3o manuscritos normalmente\u201d, ressaltam os agentes que analisaram o material apreendido durante a morte do l\u00edder da ALN. Os documentos fazem parte do acervo da Coordena\u00e7\u00e3o do Arquivo Nacional em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\">No Relat\u00f3rio Especial de Informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m continha o regimento interno do campo de treinamento do Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o e um organograma da Frente Armada de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Ainda foram anexadas duas rela\u00e7\u00f5es de presos ligados a Carlos Marighella.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2997\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230625782328a.jpg\" border=\"0\" width=\"365\" height=\"238\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230625782328a.jpg 365w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/20130118230625782328a-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<address>Autom\u00f3vel VW Fusca, onde o militante pol\u00edtico Carlos Marighella foi assassinado<\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Assassinado em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Carlos Marighella morreu em 4 de novembro de 1969, em um suposto confronto com policiais do extinto Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) de S\u00e3o Paulo, como descrevem documentos oficiais da \u00e9poca. Por\u00e9m, h\u00e1 contesta\u00e7\u00f5es se ele havia reagido \u00e0 ordem de pris\u00e3o. O tiroteio ocorreu na Alameda Casa Branca, na capital paulista. Na mesma ocasi\u00e3o, foram baleados o delegado Rubens Tucunduva \u2014 que fazia parte da opera\u00e7\u00e3o \u2014, a agente Estela Morato e o dentista Friederich Rohmann. As duas \u00faltimas pessoas tamb\u00e9m morreram.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Marighella era baiano, nascido em Salvador, e ainda jovem largou a faculdade de engenharia para se filiar ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Logo depois, em 1932, foi preso. Escritor, o guerrilheiro escreveu um poema de cr\u00edticas a Juracy Magalh\u00e3es, que era o interventor em seu estado. Ele foi detido novamente quatro anos depois, j\u00e1 no primeiro governo de Get\u00falio Vargas. Libertado pouco depois, o ex-l\u00edder da Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN) viveu na clandestinidade e voltou para a pris\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Libertado, ele se tornou deputado federal em 1946, mas o PCB foi impedido de exercer atividades no Brasil. Marighella viajou para v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo China e Cuba e, em 1968, fundou a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), um dos grupos respons\u00e1veis pelo sequestro do ent\u00e3o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Durante muitos anos, Marighella foi uma das pessoas mais procuradas pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o do regime militar, sendo localizado em S\u00e3o Paulo, onde foi morto pelos policiais comandado pelo delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury, considerado um dos mais r\u00edgidos da ditadura.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a morte do guerrilheiro, em 1969, Ex\u00e9rcito destacou equipe para tentar decifrar anota\u00e7\u00f5es encontradas com o ex-l\u00edder da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional O militante pol\u00edtico Carlos Marighella foi assassinado em 1969 em um suposto confronto com policiais do extinto Dops de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2995,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2998"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2995"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}