{"id":3015,"date":"2012-12-24T17:03:29","date_gmt":"2012-12-24T17:03:29","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/12\/24\/noticias-13\/"},"modified":"2012-12-24T17:03:29","modified_gmt":"2012-12-24T17:03:29","slug":"noticias-13","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/12\/24\/noticias-13\/","title":{"rendered":"NOT\u00cdCIAS"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Por mais de dez anos, at\u00e9 a data em que morreram, Jayme e Alice de Freitas nem sequer trocaram a fechadura da porta do apartamento onde viviam, em Belo Horizonte, esperando que um dia o filho ca\u00e7ula entrasse pela porta.   <!--more-->  Mas Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, comandante da VAR-Palmares e dirigente na \u00e9poca em que a presidente Dilma Rousseff ali militava, nunca retornou. Desaparecido desde 15 de fevereiro de 1971 no Rio, at\u00e9 hoje nenhuma institui\u00e7\u00e3o militar assumiu a pris\u00e3o de Beto. A primeira pista oficial sobre ele foi localizada pelo jornal em documento da ASP\/SNI, guardado no Arquivo Nacional e in\u00e9dito at\u00e9 hoje. Possivelmente Beto foi executado pela repress\u00e3o dois meses ap\u00f3s a pris\u00e3o: 15 de abril de 1971, no ent\u00e3o Estado da Guanabara. O documento, intitulado &#8220;Informa\u00e7\u00e3o N\u00ba 4.057&#8221;, de 11 de setembro de 1975, lista 165 nomes, seguidos por datas e nomes de Estados. Tudo indica que as datas apontam quando o preso morreu. Em 89 dos 165 nomes as datas e os locais citados s\u00e3o oficialmente reconhecidos como sendo os da morte do militante; 23 deles n\u00e3o constam da lista oficial de mortos e desaparecidos &#8211; podem ser codinomes ou nomes frios. H\u00e1 41 pessoas cujas informa\u00e7\u00f5es sobre a prov\u00e1vel data da morte divergem das oficiais; oito n\u00e3o est\u00e3o associada a uma data, e quatro foram dadas como mortas erroneamente na \u00e9poca em que o documento foi elaborado. &#8220;\u00c9 uma lista de mortos&#8221;, disse Suzana Lisb\u00f4a, ex-integrante da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos e respons\u00e1vel pela maioria dos processos de desaparecidos, ao verificar o documento.\u00a0\u00a0Al\u00e9m de Beto, s\u00e3o apontadas datas das poss\u00edveis mortes de outros 11 guerrilheiros considerados desaparecidos. Entre eles, Aylton Adalberto Mortati, \u00cdsis Dias de Oliveira, Ruy Carlos Vieira Berbert e Stuart Edgard Angel Jones. Tamb\u00e9m constam do documento os nomes de Alu\u00edsio Palhano, Ant\u00f4nio Joaquim Machado, Celso Gilberto de Oliveira, Heleny Telles Guariba, Mariano Joaquim da Silva, Paulo de Tarso Celestino e Rubens Beyrodt Paiva -o MPF investiga se essas pessoas teriam passado pela Casa da Morte de Petr\u00f3polis, centro clandestino de torturas mantido pelo CIE na regi\u00e3o serrana do Rio. At\u00e9 agora as poucas informa\u00e7\u00f5es tanto sobre o destino de Beto quanto dos outros guerrilheiros possivelmente desaparecidos na Casa da Morte vinham do depoimento de In\u00eas Etienne Romeu. Ela foi a \u00fanica sobrevivente do centro de torturas. In\u00eas conta que, quando esteve presa no local -durante 96 dias- foi informada por seus torturadores que Beto havia sido executado naquela casa. A dirigente da VPR tamb\u00e9m viu e conversou com Mariano Joaquim da Silva, ouviu as torturas a que foram submetidos Alu\u00edsio Palhano, Heleny Telles Guariba e Paulo de Tarso Celestino. Os torturadores disseram a ela que Rubens Paiva tamb\u00e9m esteve naquele local e que n\u00e3o pretendiam mat\u00e1-lo, mas que ele n\u00e3o resistira \u00e0s torturas. O of\u00edcio localizado pelo jornal com a prov\u00e1vel data da morte de Beto tamb\u00e9m cita um companheiro de milit\u00e2ncia preso com ele: Ant\u00f4nio Joaquim Machado. \u00c9 a primeira vez que um documento com a poss\u00edvel data da morte de Machado \u00e9 tornado p\u00fablico: 12 de abril de 1971, tr\u00eas dias antes de Beto. Publicado no caderno \u2018Poder\u2019, da\u00a0Folha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Continua\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria da\u00a0Folha.\u00a0O coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Cl\u00e1udio Fontelles, considerou &#8220;important\u00edssimo&#8221; o documento localizado pelo jornal e afirmou que o of\u00edcio pode ajudar tanto na investiga\u00e7\u00e3o dos casos de desaparecidos quanto na constru\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio a ser apresentado ao final dos trabalhos da CNV. &#8220;\u00c9 como se dissesse &#8216;olha essa pessoa, agora tem um documento oficial que diz que a data \u00e9 esta&#8217;. Aqui j\u00e1 tem uma luz bem clara, mas que necessita de confirma\u00e7\u00e3o.&#8221; Na avalia\u00e7\u00e3o de Rosa Cardoso, tamb\u00e9m membro da CNV, a lista demonstra que havia um trabalho sistem\u00e1tico e organizado dos agentes da repress\u00e3o a respeito de nomes e datas de morte de militantes contra a ditadura. &#8220;Essa precis\u00e3o de datas de mortes mostra que eles sabem o que aconteceu e que isso foi divulgado para um certo n\u00famero de militares que trabalhavam nos organismos de seguran\u00e7a. Eles devem ter esse tipo de registro at\u00e9 hoje em algum lugar&#8221;, disse. Primo de Beto, o int\u00e9rprete S\u00e9rgio Ferreira investiga seu desaparecimento desde os anos 1970. De acordo com Ferreira, \u00e0 \u00e9poca a fam\u00edlia foi a Bras\u00edlia, contratou advogados, buscou por Beto em todas as institui\u00e7\u00f5es militares. Mas nunca foram encontrados documentos oficiais de sua pris\u00e3o. Para Ferreira, a data apontada no documento localizado pelo jornal \u00e9 coerente com um relat\u00f3rio da Anistia Internacional de 1974, que fazia refer\u00eancia \u00e0 morte de Beto em 04\/1971. &#8220;Acho muito poss\u00edvel por ser exatamente dois meses depois da pris\u00e3o. \u00c9 muito prov\u00e1vel que eles o tenham mantido porque Beto teve uma milit\u00e2ncia longa, conhecia muita gente&#8221;, disse Ferreira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">#<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Coluna de Ancelmo G\u00f3is, em\u00a0O Globo. A Comiss\u00e3o da Verdade abriu uma linha de investiga\u00e7\u00e3o contra aqueles m\u00e9dicos legistas que forjaram laudos falsos para encobrir mortes sob tortura nos por\u00f5es da ditadura. O caso mais not\u00f3rio \u00e9, como se sabe, o do m\u00e9dico Harry Shibata, que escreveu os laudos de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho. Veja s\u00f3. Um dos laudos que chegou \u00e0 comiss\u00e3o, de um m\u00e9dico pouco conhecido, \u00e9 t\u00e3o mal feito que pode, quem sabe, ter sido escrito assim de prop\u00f3sito, sem nexo t\u00e9cnico, para um dia ser desmascarado e, enfim, revelar um crime da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paulo Abr\u00e3o<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Por mais de dez anos, at\u00e9 a data em que morreram, Jayme e Alice de Freitas nem sequer trocaram a fechadura da porta do apartamento onde viviam, em Belo Horizonte, esperando que um dia o filho ca\u00e7ula entrasse pela porta.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3015"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}