{"id":3047,"date":"2013-01-11T18:44:09","date_gmt":"2013-01-11T18:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/11\/jornalista-que-morreu-na-argentina-indicou-a-cnv-existencia-de-centro-clandestino-de-tortura-no-rio-2\/"},"modified":"2013-01-11T18:44:09","modified_gmt":"2013-01-11T18:44:09","slug":"jornalista-que-morreu-na-argentina-indicou-a-cnv-existencia-de-centro-clandestino-de-tortura-no-rio-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/11\/jornalista-que-morreu-na-argentina-indicou-a-cnv-existencia-de-centro-clandestino-de-tortura-no-rio-2\/","title":{"rendered":"Jornalista que morreu na Argentina indicou \u00e0 CNV exist\u00eancia de centro clandestino de tortura no Rio"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">COMISS\u00c3O NACIONAL DA VERDADE\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">SUBCOMISS\u00c3O DE COMUNICA\u00c7\u00c3O EXTERNA <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">ASSESSORIA DE COMUNICA\u00c7\u00c3O<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Jornalista que morreu na Argentina indicou \u00e0 CNV exist\u00eancia de centro clandestino de tortura no Rio  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ottoni Fernandes atuou na resist\u00eancia ao regime militar e foi preso e torturado pela equipe do delegado Fleury. Em depoimento \u00e0 CNV, apontou a exist\u00eancia de uma casa de tortura na zona sul da cidade<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista Ottoni Guimar\u00e3es Fernandes J\u00fanior, morto no \u00faltimo dia 28 na Argentina, prestou um importante servi\u00e7o \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e \u00e0 luta pela busca da mem\u00f3ria e justi\u00e7a. Militante de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura de 64, Fernandes se ofereceu para prestar depoimento \u00e0 CNV, em outubro passado, onde contou detalhes da sua pris\u00e3o e tortura, em 1970, pela equipe do delegado Sergio Paranhos Fleury.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fernandes foi preso por integrar a Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN), grupo de resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura, e levado a um centro de tortura clandestino localizado em S\u00e3o Conrado, bairro da zona sul carioca, junto com outros cinco prisioneiros, todos encapuzados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A casa de tortura indicada por Ottoni j\u00e1 havia sido mencionada em depoimentos de outros torturados, mas nunca com a precis\u00e3o que possibilitasse o reconhecimento do local. Ali, esteve preso com Eduardo Leite, o Bacuri. Ele contou que encontrou Eduardo muito machucado, \u201cmas ainda vivo\u201d. Bacuri foi encontrado morto em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s mais de 100 dias de pris\u00e3o e tortura no Rio de janeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de a tortura ser ilegal, mesmo no regime militar, e, portanto, esses locais s\u00e3o clandestinos, casas como as mencionadas por Ottoni s\u00e3o chamadas de \u201ccentros clandestinos\u201d de tortura, pois as sev\u00edcias ocorriam em im\u00f3veis privados, normalmente cedidos por colaboradores do regime e n\u00e3o em pr\u00e9dios p\u00fablicos. Esse expediente geralmente acontecia quando a pris\u00e3o ainda n\u00e3o era oficialmente documentada e comunicada \u00e0s autoridades judiciais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cOttoni revelou nomes de companheiros desaparecidos que encontrou, ainda com vida, em v\u00e1rios pres\u00eddios e casas de tortura por onde passou. Foi um colaborador valioso da CNV na quest\u00e3o dos mortos e desaparecidos e da estrutura da repress\u00e3o da Ditadura. A mesma calma com que falou \u00e0 Comiss\u00e3o deve t\u00ea-lo ajudado a enfrentar a viol\u00eancia a que foi submetido em v\u00e1rios lugares do Rio, sem entregar ningu\u00e9m\u201d, afirma a psicanalista Maria Rita Kehl, membro da CNV, que participou, com Paulo S\u00e9rgio Pinheiro e Jos\u00e9 Carlos Dias, da colheita do depoimento de Fernandes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ottoni Fernandes foi torturado diversas vezes e s\u00f3 conseguiu sair com vida da pris\u00e3o porque entregou pistas de um \u201cponto\u201d (como eram chamados os locais de reuni\u00e3o dos opositores ao regime miliar) falso, armado por ele pr\u00f3prio com anteced\u00eancia para despistar os militares em caso de pris\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao final do depoimento, Fernandes disse: &#8220;a tortura n\u00e3o termina quando param de te bater, nem quando voc\u00ea sai dos quart\u00e9is e delegacias e vai pro pres\u00eddio. A tortura psicol\u00f3gica dos presos n\u00e3o termina nunca&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">HIST\u00d3RIA E RESIST\u00caNCIA &#8211; Ottoni Fernandes foi um militante de esquerda que atuou na resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar de 64. O primeiro contato com a milit\u00e2ncia veio atrav\u00e9s do movimento estudantil, em SP. Em seguida, entrou para na Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN), no Grupo T\u00e1tico Armado, e em 1968 j\u00e1 vivia na clandestinidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Depois da morte do l\u00edder da ALN, Carlos Marighella, Fernandes foi viver clandestinamente no Rio de Janeiro. No bolso de Marighella foi encontrado o endere\u00e7o de um irm\u00e3o do depoente que n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o com a resist\u00eancia, mas que abrigava alguns militantes em sua casa em Curitiba.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1970, Fernandes foi preso pela equipe do delegado Fleury e por militares do Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (CENIMAR), no bairro da Tijuca. Foi torturado e depois levado ao Distrito Naval onde respondeu a um Inqu\u00e9rito Policial Militar (IPM). Quando o preso descrevia as torturas que havia sofrido, o delegado Fleury ordenava ao escriv\u00e3o que omitisse as informa\u00e7\u00f5es, segundo relatou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ottoni Fernandes tamb\u00e9m atuou como jornalista em jornais de circula\u00e7\u00e3o nacional como a Gazeta Mercantil, onde chegou a ser diretor-geral. Foi redator-chefe da revista Isto\u00e9 e editor da Exame. Foi tamb\u00e9m diretor de Comunica\u00e7\u00e3o do Instituto Lula, secret\u00e1rio executivo da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica na gest\u00e3o de 2007 a 2010 e atualmente ocupava a dire\u00e7\u00e3o internacional da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele sofreu um infarto fulminante dia 28 de dezembro, quando passava f\u00e9rias com a fam\u00edlia na Patag\u00f4nia Argentina. O corpo de Fernandes foi sepultado em S\u00e3o Paulo no \u00faltimo dia 4 de janeiro. As mem\u00f3rias do jornalista tamb\u00e9m podem ser lidas no livro \u201cO Ba\u00fa do Guerrilheiro\u201d, publicado em 2004, pela editora Record.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMISS\u00c3O NACIONAL DA VERDADE\u00a0SUBCOMISS\u00c3O DE COMUNICA\u00c7\u00c3O EXTERNA ASSESSORIA DE COMUNICA\u00c7\u00c3O Jornalista que morreu na Argentina indicou \u00e0 CNV exist\u00eancia de centro clandestino de tortura no Rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}