{"id":3050,"date":"2013-01-11T18:58:14","date_gmt":"2013-01-11T18:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/11\/comissao-da-verdade-recebe-primeiro-relato-de-tortura-2\/"},"modified":"2013-01-11T18:58:14","modified_gmt":"2013-01-11T18:58:14","slug":"comissao-da-verdade-recebe-primeiro-relato-de-tortura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/11\/comissao-da-verdade-recebe-primeiro-relato-de-tortura-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade recebe primeiro relato de tortura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O empres\u00e1rio Boris Tabacof relatou as viola\u00e7\u00f5es que sofreu ao ser preso em 1952<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O empres\u00e1rio Boris Tabacof demorou 60 anos para revelar as viola\u00e7\u00f5es por que passou ao ser preso, por motivos pol\u00edticos, em 1952. \u201cMe obrigaram a tirar a roupa e a ficar nu durante v\u00e1rios dias e a \u00fanica coisa que tinha nesse cub\u00edculo era um balde para as necessidades e esse balde n\u00e3o era retirado. Ent\u00e3o, tinha que dormir no ch\u00e3o e, de vez em quando, chegava um soldado e jogava \u00e1gua\u201d, contou, em depoimento prestado \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) em novembro de 2012.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/exame2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2013\/1\/79487\/size_590_advogado.jpeg?1357914155\" border=\"0\" width=\"590\" height=\"443\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Inaugura\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade: Tabacof prestou depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) em novembro de 2012.<\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O depoimento \u00e9 o primeiro tomado pela CNV de uma v\u00edtima de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos fora do per\u00edodo da <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/ditadura\">ditadura<\/a> militar (1964-1985). \u201cO \u00fanico que falou que est\u00e1 dentro do per\u00edodo da comiss\u00e3o [de 1946 a 1988], mas que n\u00e3o foi torturado na ditadura, foi no governo Get\u00falio Vargas [de 1951 a 1954 ]\u201d, ressaltou, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a psicanalista Maria Rita Kehl, um dos membros da comiss\u00e3o presentes ao depoimento de Tabacof.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Hoje com 84 anos, Tabacof era \u00e0 \u00e9poca membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e dava suporte a militantes que atuavam dentro das For\u00e7as Armadas. \u201cFui secret\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea do PCB na Bahia, o segundo cargo do partido no estado. \u00c9 a\u00ed que entra como eu tenho a ver com todo esse movimento, que foi um movimento dentro da esfera militar\u201d, explica o empres\u00e1rio que fornecia material ideol\u00f3gico para os militares comunistas. \u201cEu s\u00f3 tinha contato com uma pessoa, um cabo do Ex\u00e9rcito cujo nome de guerra era Pl\u00ednio\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Em 20 de outubro de 1952, Tabacof foi preso dentro de um \u00f4nibus. \u201cForam bofetadas de todo jeito e me arrancaram do \u00f4nibus, me colocaram em uma caminhonete e essa caminhonete foi direto para o Forte do Barbalho [em Salvador]\u201d, conta. No local, come\u00e7ou o per\u00edodo de 400 dias de pris\u00e3o ao qual foi submetido. Segundo o empres\u00e1rio, as grades das celas do forte eram cobertas com t\u00e1buas, \u201cpara ningu\u00e9m ver o que estava acontecendo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\">Al\u00e9m de Tabacof, foram presos na opera\u00e7\u00e3o para desmantelar a infiltra\u00e7\u00e3o comunista nas For\u00e7as Armadas mais um civil e 28 militares. De acordo com o empres\u00e1rio, os agentes do governo de Get\u00falio queriam provar que havia um compl\u00f4 comunista simp\u00e1tico \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para assumir o poder no Brasil. \u201cComo eu n\u00e3o estava contando nada que eles queriam, nem queria assinar, eles foram piorando as coisas. Eu fiquei alguns dias de p\u00e9 com um soldado, de baioneta calada, ao meu lado que n\u00e3o deixava que eu me sentasse\u201d, lembra sobre o per\u00edodo de c\u00e1rcere que tamb\u00e9m incluiu 50 dias de isolamento em uma penitenci\u00e1ria em Sergipe.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ao final, o empres\u00e1rio acabou assinando uma confiss\u00e3o, junto com os demais presos. Ele respondeu a processo at\u00e9 julho de 1954, quando foi solto ap\u00f3s o julgamento.<\/p>\n<p class=\"p1\">O trauma impediu que Tabacof revelasse sua hist\u00f3ria at\u00e9 mesmo para a fam\u00edlia, que s\u00f3 recentemente soube desses eventos. \u201cAt\u00e9 a fam\u00edlia n\u00e3o sabia, era uma coisa de humilha\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o conseguia contar\u201d, ressalta Maria Rita Kehl.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; Exame<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O empres\u00e1rio Boris Tabacof relatou as viola\u00e7\u00f5es que sofreu ao ser preso em 1952 O empres\u00e1rio Boris Tabacof demorou 60 anos para revelar as viola\u00e7\u00f5es por que passou ao ser preso, por motivos pol\u00edticos, em 1952. \u201cMe obrigaram a tirar a roupa e a ficar nu durante v\u00e1rios dias e a \u00fanica coisa que tinha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3050"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}