{"id":3062,"date":"2013-01-18T12:04:09","date_gmt":"2013-01-18T12:04:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/18\/jornalista-ottoni-fernandes-ajudaria-comissao-da-verdade-a-localizar-centro-de-tortura-2\/"},"modified":"2013-01-18T12:04:09","modified_gmt":"2013-01-18T12:04:09","slug":"jornalista-ottoni-fernandes-ajudaria-comissao-da-verdade-a-localizar-centro-de-tortura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/18\/jornalista-ottoni-fernandes-ajudaria-comissao-da-verdade-a-localizar-centro-de-tortura-2\/","title":{"rendered":"Jornalista Ottoni Fernandes ajudaria Comiss\u00e3o da Verdade a localizar centro de tortura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Quando foi preso, em 1970, o jornalista Ottoni Guimar\u00e3es Fernandes J\u00fanior tentou identificar, mesmo com os olhos vendados pelos agentes da ditadura, detalhes que pudessem, mais tarde, revelar a localiza\u00e7\u00e3o de seu cativeiro.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ele se preocupou muito para tentar entender para onde estava indo. De que lado estava o barulho do mar, onde virava \u00e0 direita, se subia morro &#8211; contou a psicanalista Maria Rita Kehl, uma das integrantes da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), que ouviu o depoimento de Ottoni concedido em outubro de 2012.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista morreu no fim de dezembro do ano passado <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/morre-jornalista-ottoni-guimaraes-fernandes-junior-7166077\">v\u00edtima de um infarto<\/a>. Ex-militante da Alian\u00e7a Libertadora Nacional (ALN), ele era diretor Internacional da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ele ia nos levar l\u00e1. Ele disse: &#8216;Vamos para o Rio de Janeiro que eu vou tentar achar (a casa de tortura)&#8217;. Ele fez uma descri\u00e7\u00e3o minuciosa do que foi gravando (em mente) &#8211; ressalta Maria Rita.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ela acha que ser\u00e1 mais dif\u00edcil achar a casa de tortura, que ficava em S\u00e3o Conrado, sem a ajuda do jornalista. O local, segundo a psicanalista, foi mencionado por outras pessoas em depoimentos \u00e0 comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As declara\u00e7\u00f5es de Ottoni ajudam, particularmente, a desmentir a vers\u00e3o do regime militar sobre a morte de Eduardo Leite, o Bacuri.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Na casa, quando ele foi jogado em um quarto, que era um por\u00e3o, ele viu o Bacuri &#8211; destaca Maria Rita sobre o relato do jornalista. &#8211; O Bacuri fez um sinal para ele n\u00e3o falar nada, porque devia ter gravador. Eles n\u00e3o trocaram uma palavra. Mas ele viu o Bacuri vivo. Ferido, mas vivo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, a ditadura divulgou uma vers\u00e3o falsa de que Eduardo Leite foi morto em uma tentativa de fuga. A hist\u00f3ria agora foi desmentida por tr\u00eas pessoas, contando com o depoimento de Ottoni.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Maria Rita explica que o maior valor dos testemunhos das v\u00edtimas da repress\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o apenas as revela\u00e7\u00f5es em si, mas sobretudo o relato das experi\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O que nos fez pegar os testemunhos, n\u00e3o foi no sentido de que aquilo pudesse conduzir uma investiga\u00e7\u00e3o. Ele (depoimento) tem uma certa fun\u00e7\u00e3o de incluir no nosso campo de pensamento alguma coisa que \u00e9 da ordem do trauma, que ningu\u00e9m diz, de uma experi\u00eancia limite.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No caso de Ottoni, \u00e9 especialmente interessante a maneira como ele despistou os torturadores com um plano elaborado antes de sua pris\u00e3o. \u201cEle entregou um papel que tinha guardado dentro de um forro de mala. Uma coisa complicad\u00edssima que ele tinha produzido antes, pensando nisso\u201d. Depois que os militares acharam o documento falso, o jornalista se livrou da tortura sem ter entregado nenhum companheiro.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando foi preso, em 1970, o jornalista Ottoni Guimar\u00e3es Fernandes J\u00fanior tentou identificar, mesmo com os olhos vendados pelos agentes da ditadura, detalhes que pudessem, mais tarde, revelar a localiza\u00e7\u00e3o de seu cativeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3062"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3062"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3062\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}