{"id":3159,"date":"2013-01-30T14:51:58","date_gmt":"2013-01-30T14:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/30\/ex-presos-discutem-com-delegado-em-visita-a-predio-usado-pela-ditadura\/"},"modified":"2013-01-30T14:51:58","modified_gmt":"2013-01-30T14:51:58","slug":"ex-presos-discutem-com-delegado-em-visita-a-predio-usado-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/01\/30\/ex-presos-discutem-com-delegado-em-visita-a-predio-usado-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Ex-presos discutem com delegado em visita a pr\u00e9dio usado pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"font-family: arial, helvetica, freesans, sans-serif; font-size: 1.26em; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px 0px 1.5em; line-height: 1.45em; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Tahoma, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 1.3em;\">Centro de tortura da ditadura funcionava atr\u00e1s do 36\u00ba Distrito Policial em SP.\u00a0Para ex-presos, delegacia serviu de fachada para crimes cometidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: arial, helvetica, freesans, sans-serif; font-size: 1.26em; margin: 0px; outline: 0px; padding: 0px 0px 1.5em; line-height: 1.45em; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Tahoma, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 1.3em;\"> <\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3154\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/delegadoefon620.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"220\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address \/><span style=\"font-family: Tahoma, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 1.3em;\" \/>Delegado M\u00e1rcio de Castro ouve Antonio Carlos Fon (Foto: Roney Domingos\/ G1 )  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Uma visita ao pr\u00e9dio que foi a sede da extinta Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes e do DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna) foi marcado por uma discuss\u00e3o, nesta ter\u00e7a-feira (29), entre ex-presos pol\u00edticos e militantes de movimentos de defesa dos direitos humanos e o delegado de pol\u00edcia M\u00e1rcio de Castro, respons\u00e1vel pelo 36\u00ba Distrito Policial, da Vila Mariana.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O im\u00f3vel da delegacia, na Rua Tutoia, fica \u00e0 frente dos pr\u00e9dios que serviram \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes e ao Doi-Codi que os ex-presos identificaram como centros de tortura durante a ditadura militar. O delegado recebeu o grupo amistosamente em sua sala no in\u00edcio da tarde e\u00a0 a conversa seguia tranquila, mas os ex-presos n\u00e3o aceitaram a afirma\u00e7\u00e3o do delegado de que a delegacia n\u00e3o fazia parte do sistema de tortura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3158\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/nanciefon300x225.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Ox ex-presos pol\u00edticos Darci Miyaki e Antonio Carlos\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Fon em frente ao pr\u00e9dio do extinto DOI-CODI <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">(Foto: Roney Domingos\/ G1)<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui era a fachada legal dessa masmorra cruel que tinha aqui atr\u00e1s&#8221;, disse o deputado estadual e presidente da Comiss\u00e3o da verdade Estadual, Adriano Diogo (PT). &#8220;Estava intimamente ligada uma coisa com outra. Eram tr\u00eas equipes, militares, delegados e agentes federais do pa\u00eds todo. Era o maior centro de tortura do pa\u00eds&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O delegado rebateu o parlamentar. &#8220;Veementemente eu contesto. Sempre foi uma depend\u00eancia da Pol\u00edcia Civil que nada tinha a ver com o Dops&#8221;, respondeu o delegado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O deputado rebateu o delegado.&#8221;O senhor imagina se no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz funcionasse uma depend\u00eancia policial do regime alem\u00e3o&#8221;, retrucou Diogo. &#8220;Se fosse na frente, a mesma coisa&#8221;, respondeu o delegado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estou dizendo que o 36\u00ba Distrito Policial nunca pertenceu \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da Opban e nem do Doi-Codi. N\u00e3o estou dizendo que a Pol\u00edcia Civil ou a Pol\u00edcia Militar n\u00e3o fizeram parte da chamada repress\u00e3o naqueles tempos. Eu tinha 22 anos e era investigador do Dops. Eu fiz parte, sim, da repress\u00e3o e eu inclusive estava na Divis\u00e3o de Ordem Pol\u00edtica. Outros investigadores que aqui trabalhavam pertenciam \u00e0 divis\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e Divis\u00e3o de Ordem Social do Dops. N\u00e3o estou negando a hist\u00f3ria jamais. Jamais vou negar isso&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O delegado afirmou que nenhum dos policiais hoje atuantes no 36\u00ba Distrito Policial trabalharam naquela \u00e9poca. &#8220;Somente alguem que passou por aquele per\u00edodo pode dizer. Eu n\u00e3o tenho funcion\u00e1rios hoje que tenham trabalhado naquela \u00e9poca. Eu nunca vi aqui como investigador do Dops&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Visita de ex-presos<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Apesar do incidente, a visita seguiu sem interrup\u00e7\u00e3o. O grupo reivindica o tombamento do pr\u00e9dio, em an\u00e1lise pelo Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Arqueol\u00f3gico, Art\u00edstico e Tur\u00edstico (Condephaat) da Secretaria de Estado da Cultura de <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/cidade\/sao-paulo.html\">S\u00e3o Paulo<\/a>. O acesso \u00e0s celas identificadas pelos presos pol\u00edticos continuava fechado por grades.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esta foi a primeira vez em 41 anos que a advogada Darci Miyaki, de 67 anos, ex-militante da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) visitou a sede do DOI-CODI onde ficou presa durante sete meses em 1972. &#8220;Pensei muito. Ali\u00e1s eu n\u00e3o gostava nem de passar aqui perto. Ontem\u00a0 fez 41 anos. Depois de 41 anos e um dia \u00e9 a primeira vez que eu retorno. \u00c9 dific\u00edlimo. Porque as lembran\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o sobre as suas torturas. As lembran\u00e7as s\u00e3o sobre as torturas que os companheiros sofreram. Os assassinatos ocorreram aqui dentro. E depos simulavam tiroteios&#8221;, afirmou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Darci lembra que as torturas eram di\u00e1rias, realizadas por tr\u00eas grupos, que se revezavam. &#8220;Fui duas vezes para o hospital com hemorragia oral e vaginal. Eu sou est\u00e9ril. N\u00e3o consigo manter um relacionamento. S\u00e3o os traumas que voc\u00ea leva para o resto da vida&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A modifica\u00e7\u00e3o da estrutura dos pr\u00e9dios provocou confus\u00e3o sobre a localiza\u00e7\u00e3o exata dos locais de pris\u00e3o e tortura. Mas as recorda\u00e7\u00f5es chegaram com clareza ao jornalista Antonio Carlos Fon, de 67 anos, assim que ele pisou o pavimento onde ficou preso durante 17 dias em 1969.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele identificou a sala onde sofreu torturas em mecanismos de choque como a Cadeira de Drag\u00e3o, objeto com assento e encosto met\u00e1licos onde o preso tinha as m\u00e3os algemadas. &#8220;Onde estou agora foi morto o Jonas, Virg\u00edlio Gomes da Silva&#8221;, afirmou, apontando para o ch\u00e3o, em uma sala do segundo pavimento do pr\u00e9dio anexo \u00e0 delegacia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui era a sucursal do inferno&#8221;, disse o ex-preso pol\u00edtico Cl\u00f3vis de Castro, tamb\u00e9m ex-integrante da ALN, que ficou sob poder do DOi-Codi durante 30 dias, em dezembro de 1969, antes de ir para o Dops e para o Pres\u00eddio Tiradentes.\u00a0 Para ele o pr\u00e9dio do DOi Codi deve ser transformado em museu da resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fone &#8211; G1<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Centro de tortura da ditadura funcionava atr\u00e1s do 36\u00ba Distrito Policial em SP.\u00a0Para ex-presos, delegacia serviu de fachada para crimes cometidos. 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