{"id":3269,"date":"2013-02-05T16:00:57","date_gmt":"2013-02-05T16:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/05\/militares-ordenaram-silencio-sobre-tortura-de-paiva\/"},"modified":"2013-02-05T16:00:57","modified_gmt":"2013-02-05T16:00:57","slug":"militares-ordenaram-silencio-sobre-tortura-de-paiva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/05\/militares-ordenaram-silencio-sobre-tortura-de-paiva\/","title":{"rendered":"Militares ordenaram sil\u00eancio sobre tortura de Paiva"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade revelou na segunda-feira (05) que o governo militar determinou a todos os agentes p\u00fablicos no Brasil e no exterior, a partir de 1972, que n\u00e3o atendessem a nenhum pedido de esclarecimento de organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais sobre mortos e desaparecidos em consequ\u00eancia da repress\u00e3o. A determina\u00e7\u00e3o foi feita por escrito: saiu do gabinete do presidente da Rep\u00fablica, general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, e foi assinada pelo secret\u00e1rio-geral do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional, o tamb\u00e9m general Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo, que viria a ser o \u00faltimo presidente do regime anos depois.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ato foi uma rea\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Anistia Internacional, que vinha denunciando e cobrando esclarecimentos sobre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, como torturas, desaparecimentos e assassinatos de opositores. O documento se tornou uma esp\u00e9cie de orienta\u00e7\u00e3o geral que vigorou ainda no governo posterior, do general Ernesto Geisel.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A ditadura, segundo o coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Cl\u00e1udio Fonteles, temia as repercuss\u00f5es que den\u00fancias sobre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos pudessem causar entre militares e policiais civis envolvidos diretamente com a repress\u00e3o. &#8220;Para manter a coes\u00e3o de sua estrutura repressiva&#8221;, escreveu o coordenador da comiss\u00e3o, &#8220;o Estado ditatorial militar fecha-se, aniquila as liberdades p\u00fablicas e, incontrolado, sobrep\u00f5e-se a todos e a tudo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>?Desmoraliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1976, a Informa\u00e7\u00e3o Confidencial n.\u00ba 22\/16\/AC, da Ag\u00eancia Central do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, tinha como foco principal a &#8220;campanha internacional de desmoraliza\u00e7\u00e3o&#8221; de membros das unidades de repress\u00e3o. Inclu\u00eda entre os organizadores dessas campanhas a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Anistia Internacional e, com maior destaque, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No fundo, segundo a ditadura, todas essas entidades eram manipuladas pelo que chamava de Movimento Comunista Internacional. Seu objetivo era &#8220;colocar no banco dos r\u00e9us os elementos respons\u00e1veis pelo quase total desbaratamento das organiza\u00e7\u00f5es subversivas que atuam no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Lista<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O informe do SNI cita uma lista, que circulava no Brasil e no exterior, com nomes de supostos torturadores. Identifica-os como oficiais e pra\u00e7as das For\u00e7as Armadas, a maioria do Ex\u00e9rcito, e assinala que sempre atuaram sob ordens de seus chefes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na parte final destaca que essas den\u00fancias acabam provocando o &#8220;surgimento de um clima de desest\u00edmulo e de certa apreens\u00e3o entre os componentes dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a&#8221;. E mais: &#8220;Parece-lhes que as autoridades superiores os est\u00e3o colocando, indiscriminadamente, sob suspei\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o dando cr\u00e9dito \u00e0s den\u00fancias recebidas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ataque particular \u00e0 OAB devia-se principalmente a um pedido de esclarecimentos sobre a situa\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos, feita em novembro de 1975.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Estado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade revelou na segunda-feira (05) que o governo militar determinou a todos os agentes p\u00fablicos no Brasil e no exterior, a partir de 1972, que n\u00e3o atendessem a nenhum pedido de esclarecimento de organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais sobre mortos e desaparecidos em consequ\u00eancia da repress\u00e3o. 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