{"id":3304,"date":"2013-02-06T15:42:18","date_gmt":"2013-02-06T15:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/uma-voz-em-defesa-dos-presos-politicos\/"},"modified":"2013-02-06T15:42:18","modified_gmt":"2013-02-06T15:42:18","slug":"uma-voz-em-defesa-dos-presos-politicos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/uma-voz-em-defesa-dos-presos-politicos\/","title":{"rendered":"Uma voz em defesa dos presos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Era 2 de abril de 1964, quando a advogada M\u00e9rcia Albuquerque passava pela pra\u00e7a de Casa Forte e se deparou com a cena que se tornaria um dos s\u00edmbolos das atrocidades do rec\u00e9m-instaurado regime militar. O militante do PCB Greg\u00f3rio Bezerra, ensanguentado, era arrastado pela rua sob a ordem do coronel Darcy Villocq.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jc3.uol.com.br\/blogs\/repositorio\/_mercia.JPG\" border=\"0\" width=\"263\" height=\"199\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com apenas tr\u00eas anos de formada na Faculdade de Direito do Recife, M\u00e9rcia decidiu, naquele momento, abra\u00e7ar a defesa dos presos pol\u00edticos da ditadura. Greg\u00f3rio foi o primeiro dos 490 clientes que buscaram seus servi\u00e7os at\u00e9 a anistia. Uma d\u00e9cada ap\u00f3s sua morte, em 29 de janeiro de 2003, a figura de M\u00e9rcia, v\u00edtima de um c\u00e2ncer, ainda exala liberdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;A decis\u00e3o de come\u00e7ar a atuar na defesa dos presos pol\u00edticos foi fruto mais do sentimento afetivo de quem viu amigos e colegas serem presos e processados, do que de uma efetiva experi\u00eancia profissional. Naquele momento eu n\u00e3o tive consci\u00eancia dos riscos e incompreens\u00f5es de que seria v\u00edtima&#8221;, relatou a pr\u00f3pria M\u00e9rcia, em um de seus escritos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Al\u00e9m de Greg\u00f3rio, a quem acompanhou at\u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o, em 1969, sua extensa lista de protegidos, como David Capistrano, Luciano Siqueira, vice-prefeito do Recife, Manoel Lisboa, Selma Bandeira, J\u00falio Santana e Carlos Alberto Soares.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foram 490 com senten\u00e7a, mas se formos contar os habeas corpus, o n\u00famero \u00e9 muito maior&#8221;, contabiliza Ot\u00e1vio Clementino de Albuquerque, vi\u00favo de M\u00e9rcia. Ele viu a esposa ser presa 14 vezes durante o regime.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a viu sofrer persegui\u00e7\u00f5es e intimida\u00e7\u00f5es de todos os tipos. O telefone da casa, na rua Sete de Setembro, n\u00e3o parava de tocar em momentos de tens\u00e3o pol\u00edtica. Do outro lado da linha, sempre havia uma voz dirigindo amea\u00e7as contra o casal e o filho, Aradin, nascido nos anos de chumbo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar da press\u00e3o constante, M\u00e9rcia nunca pensou em abandonar o trabalho, nem o marido a pediu que o fizesse. A atua\u00e7\u00e3o da advogada ia muito al\u00e9m das audi\u00eancias. &#8220;Era uma esp\u00e9cie de m\u00e3e, amiga, conselheira, al\u00e9m de advogada. Era tudo isso ao mesmo tempo. Uma pessoa fant\u00e1stica&#8221;, diz o artista pl\u00e1stico Abelardo da Hora, a quem M\u00e9rcia defendeu por um curto per\u00edodo em 1964.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sua rotina inclu\u00eda visitas di\u00e1rias \u00e0 Casa de Deten\u00e7\u00e3o, ao Bom Pastor e \u00e0 penitenci\u00e1ria Barreto Campelo. Levava comida, roupas e informa\u00e7\u00f5es do mundo externo. Do lado de fora, confortava familiares desesperados em busca de not\u00edcias dos parentes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quando era preciso, assumia uma causa sem receber honor\u00e1rios. &#8220;S\u00f3 pagava quem podia, como podia e quando podia&#8221;, resume Ot\u00e1vio Albuquerque, que sustentava a fam\u00edlia com o sal\u00e1rio de funcion\u00e1rio da Sudene. Nos di\u00e1rios de M\u00e9rcia, sobressaem refer\u00eancias aos epis\u00f3dios mais tr\u00e1gicos da ditadura no Estado, como a chacina da granja S\u00e3o Bento, o atentado ao estudante C\u00e2ndido Pinto e o assassinato de outro estudante, Ramirez Maranh\u00e3o do Vale, para quem a advogada escreveu, inclusive, um poema.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Trechos do di\u00e1rio est\u00e3o dispon\u00edveis no portal do Centro de Direitos Humanos e Mem\u00f3ria Popular de Natal (RN), onde ela tamb\u00e9m atuou. A \u00edntegra do material, cedido pela fam\u00edlia, dever\u00e1 ser divulgada na internet ainda este ano, conforme prometeu o presidente da entidade, Roberto Monte.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211;\u00a0<span style=\"background-color: #f8f8f8; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal;\">Jornal do Commercio<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 2 de abril de 1964, quando a advogada M\u00e9rcia Albuquerque passava pela pra\u00e7a de Casa Forte e se deparou com a cena que se tornaria um dos s\u00edmbolos das atrocidades do rec\u00e9m-instaurado regime militar. 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