{"id":3308,"date":"2013-02-06T15:50:56","date_gmt":"2013-02-06T15:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/comissao-comprova-desaparecimento-de-militante-pelas-maos-da-aeronautica\/"},"modified":"2013-02-06T15:50:56","modified_gmt":"2013-02-06T15:50:56","slug":"comissao-comprova-desaparecimento-de-militante-pelas-maos-da-aeronautica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/comissao-comprova-desaparecimento-de-militante-pelas-maos-da-aeronautica\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o comprova desaparecimento de militante pelas m\u00e3os da Aeron\u00e1utica"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Edmur P\u00e9ricles Camargo, conhecido como gauch\u00e3o, foi capturado em Buenos Aires pela pol\u00edcia argentina e entregue \u00e0s autoridades brasileiras numa esp\u00e9cie de &#8216;pr\u00e9via&#8217; da Opera\u00e7\u00e3o Condor<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/02\/comissao-da-verdade-comprova-desaparecimento-de-militante-pelas-maos-da-aeronautica\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Peda\u00e7o da ficha de Edmur P\u00e9ricles Camargo, o Gauch\u00e3o, feita pelas autoridades do Rio Grande do Sul (Imagem: Movimento Justi\u00e7a e Direitos Humanos)  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) divulgou ontem (4) <a href=\"http:\/\/www.cnv.gov.br\/integras\/CNV%2023%20-%20Edmur%20Pericles%20Camargo.pdf\">estudo<\/a>reconhecendo que o desaparecimento do comunista Edmur P\u00e9ricles Camargo, conhecido como Gauch\u00e3o, em 1971, foi provocado por homens da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB). De acordo com evid\u00eancias encontradas no Arquivo Nacional, o militante foi capturado em Buenos Aires ap\u00f3s articula\u00e7\u00e3o com autoridades argentinas e informantes no Uruguai. Assim como a hist\u00f3ria do ex-deputado Rubens Paiva, que tamb\u00e9m mereceu uma declara\u00e7\u00e3o formal da CNV ontem, a hist\u00f3ria da morte de Edmur j\u00e1 era conhecida por amigos e familiares. Faltava, por\u00e9m, a declara\u00e7\u00e3o oficial do grupo encarregado de investigar as viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidos pela ditadura (1964-1985) no Brasil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Edmur foi arbitrariamente preso pelos \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o argentina, em escala de voo, em Buenos Aires, e na madrugada do dia seguinte, imediatamente posto em avi\u00e3o da FAB, que o trouxe ao Brasil, tendo desaparecido nas m\u00e3os dos agentes p\u00fablicos do Estado ditatorial militar brasileiro&#8221;, escreve Cl\u00e1udio Fonteles, coordenador da CNV, fazendo men\u00e7\u00e3o a documentos secretos da \u00e9poca. Gauch\u00e3o foi preso no aeroporto de Ezeiza, uma cidade nos arredores de Buenos Aires, no dia 16 de janeiro de 1971. Chegou at\u00e9 l\u00e1 em um avi\u00e3o da empresa chilena LAN, proveniente de Santiago, onde morava. Edmur foi um dos guerrilheiros enviados para o Chile ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o do embaixador su\u00ed\u00e7o, Giovanni Buscher, em janeiro de 1971, e vivia oficialmente no pa\u00eds como asilado pol\u00edtico.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, o Brasil enfrentava o auge da repress\u00e3o sob a batuta do general Emilio Garrastazu M\u00e9dici. A Argentina era governada por Roberto Marcelo Levingston, um dos tr\u00eas militares que implantaram uma ditadura no pa\u00eds entre 1966 e 1973 \u2013 antes do regime que, com uma breve pausa peronista, seria imposto pela Junta Militar entre 1976 e 1983 para vitimar mais de 30 mil pessoas, entre mortos e desaparecidos. A famigerada Opera\u00e7\u00e3o Condor, esp\u00e9cie de coordena\u00e7\u00e3o internacional entre as ditaduras do Cone Sul que sequestrou e eliminou mutuamente seus opositores, apenas se formalizaria em 1975. Isso n\u00e3o impediu, por\u00e9m, que os governos militares brasileiros e argentinos, quatro anos antes, se articulassem para deter Edmur \u2013 e sumir com seu corpo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estamos \u00e0 frente de uma Opera\u00e7\u00e3o Condor cl\u00e1ssica, tenha o nome que tiver. A ditadura brasileira costumava cham\u00e1-la Plano de Busca no Exterior, mas a pr\u00e1tica \u00e9 a mesma: retirar uma pessoa de outro pa\u00eds sem as formalidades legais, como pedido de extradi\u00e7\u00e3o. Era uma opera\u00e7\u00e3o clandestina entre aparelhos repressivos&#8221;, conta \u00e0 RBA Jair Krischke, presidente do Movimento Justi\u00e7a e Direitos Humanos (MJDH), sediado em Porto Alegre (RS). Foi Krischke quem apresentou os documentos sobre Gauch\u00e3o \u00e0 CNV durante depoimento em novembro. &#8220;Fico feliz que tenha sido feito uso do que entreguei. \u00c9 isso que tem de acontecer.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para respaldar a vers\u00e3o de que Edmur P\u00e9ricles Camargo desapareceu nas m\u00e3os da FAB, Cl\u00e1udio Fonteles reproduz em seu estudo um documento secreto escrito pelo adido do Ex\u00e9rcito brasileiro em Buenos Aires em 17 de junho de 1971 \u2013 apenas um dia depois da deten\u00e7\u00e3o de Gauch\u00e3o. Na comunica\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, o funcion\u00e1rio da embaixada relata a seus superiores que fora notificado da passagem do militante pelo pa\u00eds e que lhe havia sido requisitado que providenciasse sua pris\u00e3o. Afirma ainda ter entrado &#8220;imediatamente&#8221; em contato com a Pol\u00edcia Federal argentina \u2013 que, para sua surpresa, j\u00e1 havia montado um operativo para interceptar o &#8220;terrorista&#8221; em sua escala bonaerense. A pris\u00e3o seria levada a cabo no dia seguinte.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Entrou-se em contato com as autoridades argentinas, que j\u00e1 tinham o elemento preso, para detalhes de sua entrega \u00e0s autoridades brasileiras&#8221;, continua o relato. &#8220;Por volta das 05:00 do dia 17, chegou \u00e0 zona militar do Aeroparque [aeroporto localizado na regi\u00e3o norte de Buenos Aires] um avi\u00e3o da FAB para o qual foi transferido o terrorista, tendo o avi\u00e3o decolado por volta das 06:45.&#8221; O informe termina com um elogio do adido militar a seu colega de armas pela presteza no cumprimento da miss\u00e3o. &#8220;O adido da Aeron\u00e1utica e seu substituto, presentemente j\u00e1 em Buenos Aires, com grande efici\u00eancia e elevado esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o, solucionaram todos os problemas referentes \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o para sobrevoo, utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea militar da Brigada A\u00e9rea etc.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Por meio de outra informa\u00e7\u00e3o secreta da embaixada brasileira em Buenos Aires, \u00e9 poss\u00edvel saber as raz\u00f5es que levaram Edmur \u00e0 capital argentina: ele se dirigia a Montevid\u00e9u, no Uruguai, para supostamente submeter-se a tratamento m\u00e9dico. Mas era apenas um \u00e1libi. &#8220;Ele tentava ir at\u00e9 a capital uruguaia para reunir-se com companheiros da luta de resist\u00eancia \u00e0 ditadura&#8221;, reconhece Jair Krischke. &#8220;Edmur viajava com o nome falso de Henrique Villa\u00e7a. Um informe secreto d\u00e1 a entender que o desaparecimento de Gauch\u00e3o teve o objetivo de evitar que ele executasse um poss\u00edvel elemento infiltrado entre os refugiados brasileiros no Uruguai.&#8221; Para o presidente do MJDH, foi esse agente infiltrado \u2013 chamado Alberto Conrado e ainda vivo em Montevid\u00e9u \u2013 quem descobriu a viagem de Edmur e delatou-a ao servi\u00e7o de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um informe mais completo produzido pela embaixada brasileira na Argentina \u2013 este com data de 23 de junho de 1971, sete dias ap\u00f3s a pris\u00e3o do militante \u2013 traz ainda o nome dos agentes que acompanharam Edmur no voo da FAB rumo ao aeroporto do Gale\u00e3o, no Rio de Janeiro: coronel Lana e secret\u00e1rio Nery. De acordo com Jair Krishke, Paulo S\u00e9rgio Nery era diplomata e morreu em 1979, pouco tempo depois de deixar o servi\u00e7o secreto. &#8220;Sua ficha funcional n\u00e3o p\u00f4de ser encontrada&#8221;, relata. &#8220;Miguel Cunha Lana era coronel aviador e exercia as fun\u00e7\u00f5es de adido militar aeron\u00e1utico em Buenos Aires.&#8221; Localiz\u00e1-lo e interrog\u00e1-lo \u2013 se ainda estiver vivo \u2013 poderia contribuir para que o paradeiro de Gauch\u00e3o seja finalmente conhecido, afirma.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edmur P\u00e9ricles Camargo, conhecido como gauch\u00e3o, foi capturado em Buenos Aires pela pol\u00edcia argentina e entregue \u00e0s autoridades brasileiras numa esp\u00e9cie de &#8216;pr\u00e9via&#8217; da Opera\u00e7\u00e3o Condor Peda\u00e7o da ficha de Edmur P\u00e9ricles Camargo, o Gauch\u00e3o, feita pelas autoridades do Rio Grande do Sul (Imagem: Movimento Justi\u00e7a e Direitos Humanos)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}