{"id":3322,"date":"2013-02-06T21:32:38","date_gmt":"2013-02-06T21:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/comissao-comeca-a-expor-verdades-da-ditadura\/"},"modified":"2013-02-06T21:32:38","modified_gmt":"2013-02-06T21:32:38","slug":"comissao-comeca-a-expor-verdades-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/06\/comissao-comeca-a-expor-verdades-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o come\u00e7a a expor verdades da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Contestada severamente por militares, com um formato considerado t\u00edmido por parentes de v\u00edtimas, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade come\u00e7a aos poucos a expor a t\u00e9trica realidade dos anos de chumbo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Nesta ter\u00e7a-feira, o coordenador da comiss\u00e3o, o ex-procurador-geral da Rep\u00fablica Cl\u00e1udio Fontelles, disse que n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, dentro do DOI\/Codi, no Rio de Janeiro, por agentes da ditadura.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fontelles afirmou, ainda, que a comiss\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de identificar, inclusive, os autores do homic\u00eddio \u2013dois dos quais ainda vivos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o oficial, de que Paiva teria conseguido escapar depois de preso, est\u00e1 sendo destru\u00edda pelo conjunto de documentos analisados pela Comiss\u00e3o. Um deles, exposto por Fontelles, confirma a pris\u00e3o do ex-deputado no dia 21 de janeiro de 1971, no DOI\/CODI; outro, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra que no dia 25 do mesmo m\u00eas, quando ele foi morto, nenhuma refer\u00eancia se fazia \u00e0 inveross\u00edmil vers\u00e3o da fuga.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica oficial \u00e9 uma tarefa indispens\u00e1vel da democracia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata, apenas, de buscar a reconstitui\u00e7\u00e3o de crimes, mas descortinar a hist\u00f3ria que o pr\u00f3prio Estado buscou ocultar durante muitos anos. Como Rubens Paiva, ainda existe mais de uma centena de pessoas desaparecidas ap\u00f3s terem sido presas pelos agentes da repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Estado brasileiro deve a verdade a essas fam\u00edlias, que t\u00eam vivido d\u00e9cadas destro\u00e7adas pela dor e pela d\u00favida, pela subtra\u00e7\u00e3o da vida e dos corpos de seus entes queridos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m pela Comiss\u00e3o da Verdade, veio \u00e0 tona documento emitido pelo gabinete do ex-presidente Garrastazu M\u00e9dici, assinado pelo general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, que seria presidente anos depois. O comando determinava que os agentes p\u00fablicos n\u00e3o atendessem a pedidos de esclarecimentos de organiza\u00e7\u00f5es nacionais ou internacionais sobre mortos e desaparecidos, conforme noticiou o Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O governo entendia que o objetivo destas organiza\u00e7\u00f5es era \u201ccolocar no banco dos r\u00e9us os elementos respons\u00e1veis pelo quase total desbaratamento das organiza\u00e7\u00f5es subversivas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A oculta\u00e7\u00e3o das atrocidades, portanto, n\u00e3o foi resultado de atos isolados, mas uma pol\u00edtica de governo, que n\u00e3o apenas convivia com as torturas, sequestros, desaparecimentos e assassinatos, como pretendia escond\u00ea-los justamente para evitar que seus autores fossem um dia levados para o banco dos r\u00e9us.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 o que faz tais atos serem caracterizados como crimes contra a humanidade: produzidos por uma pol\u00edtica de terror instalada para reprimir o indiv\u00edduo com o descomunal peso do Estado tanto no seu cometimento, quanto na sua oculta\u00e7\u00e3o. Afinal, se o ditador manda esconder, que pol\u00edcia iria investigar?<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que a farta jurisprud\u00eancia internacional impede que tais crimes possam ser objeto de anistia pelo pr\u00f3prio Estado que impedia seu povo de conhec\u00ea-los e suas autoridades de apur\u00e1-los.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade \u00e9 apenas o de restabelecer a hist\u00f3ria que, covardemente, se buscou esconder.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas, certamente, com os reflexos da decis\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a apura\u00e7\u00e3o das responsabilidades tamb\u00e9m dever\u00e1 ser reapreciada pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Terra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contestada severamente por militares, com um formato considerado t\u00edmido por parentes de v\u00edtimas, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade come\u00e7a aos poucos a expor a t\u00e9trica realidade dos anos de chumbo. 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