{"id":3583,"date":"2013-02-18T22:04:55","date_gmt":"2013-02-18T22:04:55","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/18\/gaucho-e-tio-falam-sobre-suas-vidas-durante-a-ditadura-militar\/"},"modified":"2013-02-18T22:04:55","modified_gmt":"2013-02-18T22:04:55","slug":"gaucho-e-tio-falam-sobre-suas-vidas-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/18\/gaucho-e-tio-falam-sobre-suas-vidas-durante-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Ga\u00facho e tio falam sobre suas vidas durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Quem olha para Ga\u00facho, <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">treinador<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> do <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">Vasco <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> , costuma associar logo, pelo trato carinhoso, os gestos compreensivos e a aten\u00e7\u00e3o com todos, a figura de um paiz\u00e3o. A imagem n\u00e3o est\u00e1 longe da verdade. Por\u00e9m, por tr\u00e1s deste <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">homem <\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">gentil, h\u00e1 uma hist\u00f3ria dura e intensa ligada ao movimento oper\u00e1rio. Quando tinha 11 anos, em 1964, seu pai, Augusto Losada, foi preso pol\u00edtico por fazer parte de um grupo sindicalista chamado Uni\u00e3o Oper\u00e1ria. Al\u00e9m dele, dois tios de Ga\u00facho, Ant\u00f4nio e Jos\u00e9, participaram ativamente de organiza\u00e7\u00f5es clandestinas de resist\u00eancia armada e eram companheiros de luta da ent\u00e3o militante Dilma Rousseff.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Losada, herdada dos ancestrais espanh\u00f3is, que os descendentes ga\u00fachos carregam com muito orgulho.Ga\u00facho sorri quando o tio Ant\u00f4nio fala: &#8220;Somos uma fam\u00edlia de prolet\u00e1rios que gostam defutebol  . Temos hist\u00f3ria no Sul.&#8221; Com todos presos e ocupados com a tentativa de mudar o rumo do pa\u00eds, sobrou para Ga\u00facho. Ainda com 14 anos, enquanto jogava na base do Gr\u00eamio e buscava o seu sonho de ser um atleta profissional, ele teve de trabalhar como tecel\u00e3o. Hoje, lembra-se com muito orgulho daqueles dias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Trabalhei na malharia Terres, de carteira assinada e tudo, como tecel\u00e3o, por dois anos, e, ao mesmo tempo, jogava bola no Gr\u00eamio . De tecido, entendo, hein! -diz, com carinho, o treinador do Vasco , que far\u00e1 60 anos no dia 3 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao lado do tio Ant\u00f4nio, Ga\u00facho, nascido Carlos Roberto Orrigo da Cunha, lembra, sem muita saudade, um tempo em que as coisas eram muito mais complicadas. Fundamentalmente, na hora em que um queria visitar o outro. Tudo tinha de ser feito com cuidado. Para ir a Porto Alegre visit\u00e1-los no pres\u00eddio ou quando um dos parentes, que estava clandestino, vinha visit\u00e1-lo, disfar\u00e7ado, no Rio, era quase uma opera\u00e7\u00e3o de guerra, dava um certo receio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eu j\u00e1 estava sozinho no Rio, jogando no Vasco , mas sabia do drama de minha fam\u00edlia. Algumas vezes, conseguia visit\u00e1-los no pres\u00eddio. N\u00e3o era f\u00e1cil na \u00e9poca, e muito menos passar despercebido sendo um jogador de futebol de um clube grande. Em outros momentos, ficava preocupado com as not\u00edcias que chegavam. Da mesma maneira, quando recebia algum parente que estava vivendo na clandestinidade, vindo disfar\u00e7ado ao Rio -lembra o treinador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Da pol\u00edtica para o futebol<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na fam\u00edlia, a fun\u00e7\u00e3o principal de Ga\u00facho era se preocupar com o futebol e assegurar o sustento dos parentes, o que conseguia jogando pelo Vasco . Enquanto no Rio Grande do Sul parte da fam\u00edlia Losada se dedicava \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O grupo revolucion\u00e1rio de que eles participavam estava entre os v\u00e1rios que acabaram se unindo e formando a Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares (VAR-Palmares). Quem toma a palavra e conta \u00e9 o tio Ant\u00f4nio, que era muito amigo de quem, anos depois, viria a ser o segundo marido de Dilma. Carlos Ara\u00fajo, al\u00e9m de pai de Paula, filha da presidente, participou da funda\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, junto com Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Dilma veio de Minas Gerais para dar apoio. A fun\u00e7\u00e3o dela era fazer a liga\u00e7\u00e3o entre o grupo e os universit\u00e1rios, al\u00e9m de ajudar na funda\u00e7\u00e3o do grupo VAR-Palmares. \u00c9ramos todos amigos lutando pelo mesmo ideal. O Carlos at\u00e9 foi solto antes de mim, mas \u00e9 meu amigo at\u00e9 hoje -conta Ant\u00f4nio, que foi um dos \u00faltimos presos pol\u00edticos, junto com seu irm\u00e3o Jos\u00e9, a ser solto no Rio Grande do Sul, em 1979.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao ouvir, mais uma vez, o depoimento do tio, Ga\u00facho aproveita para fazer uma brincadeira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Acho que escolhi certo: o futebol -brinca Ga\u00facho, que, apesar de ter sido jogador e t\u00e9cnico esse tempo todo, n\u00e3o fugiu tanto da pol\u00edtica. Ele chegou a ser presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol do Rio por dois anos, sucedendo a Paulo C\u00e9sar Martins, ex-lateral deBotafogo , Vasco , Bangu e Am\u00e9rica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nem s\u00f3 de pol\u00edtica \u00e9 composto o DNA de Ga\u00facho. O futebol tamb\u00e9m vem de ber\u00e7o. Augusto, seu pai, foi jogador do Internacional e acabou inspirando a carreira do filho. Apesar de toda a liga\u00e7\u00e3o com o clube colorado, por\u00e9m, o t\u00e9cnico do Vasco foi jogar no arquirrival, o Gr\u00eamio .<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Em 1963, fui jogar no Gr\u00eamio . Cheguei l\u00e1 depois de fazer dois gols numa partida em que defendia o time do meu bairro, o Madureira, contra o pr\u00f3prio Gr\u00eamio . Fiquei no tricolor ga\u00fachopor dois anos e depois voltei, em 1983, j\u00e1 como profissional- conta Ga\u00facho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Sua chegada ao Vasco aconteceu em 1966. Com a ajuda de um amigo do pai desde a \u00e9poca deInternacional , Tesourinha, antigo ponta-direita que fez sucesso no Expresso da Vit\u00f3ria do Vasco(1949\/1952), Ga\u00facho chegou ao clube carioca com apenas 14 anos. E assim come\u00e7ava um amor duradouro. S\u00f3 como jogador, defendeu o Vasco por 12 anos. Saiu, foi para o mundo \u00e1rabe, treinou outros clubes e voltou para escrever um novo cap\u00edtulo da carreira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como jogador, sua hist\u00f3ria no Vasco tem direito aos t\u00edtulos de campe\u00e3o brasileiro de 1974 e Carioca de 1977. No come\u00e7o, era s\u00f3 um volante, mas Ga\u00facho chegou a jogar em quase todas as posi\u00e7\u00f5es, por ser vers\u00e1til. Da sua mem\u00f3ria n\u00e3o sai o per\u00edodo em que conviveu com Tost\u00e3o e acompanhou o drama do jogador, que enfrentou problemas de vis\u00e3o. Em alguns momentos, vestiu a camisa 10 do ent\u00e3o craque vasca\u00edno.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eu era uma esp\u00e9cie de curinga. Durante os anos de 1972\/73, cheguei a jogar com a camisa que era do Tost\u00e3o. Isso \u00e9 uma coisa inesquec\u00edvel. Mas, na verdade, acho que atuei em todas as posi\u00e7\u00f5es. Isso foi bom para o meu futuro como t\u00e9cnico -afirma Ga\u00facho, explicando que a vis\u00e3o de todo o campo permite um entendimento melhor do jogo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Motiva\u00e7\u00e3o para vencer o medo<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Toda essa experi\u00eancia ser\u00e1 usada no Vasco hoje, quando Ga\u00facho escalar a equipe que enfrentar\u00e1 o Audax, \u00e0s 16h, em S\u00e3o Janu\u00e1rio. O time n\u00e3o pode pensar em outro resultado que n\u00e3o seja a vit\u00f3ria a fim de continuar sonhando com a classifica\u00e7\u00e3o para a fase semifinal da Ta\u00e7a Guanabara.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com o intuito de motivar seus jogadores, o t\u00e9cnico vasca\u00edno vai, mais uma vez, se basear na experi\u00eancia de vida do tio Ant\u00f4nio quando, finalmente, p\u00f4de visit\u00e1-lo sem disfarce j\u00e1 desfrutando plena liberdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; A li\u00e7\u00e3o que aprendi com toda essa hist\u00f3ria, e que procuro passar para o time, \u00e9 que voc\u00ea aprende a ser destemido. O que eu sempre falo para eles: n\u00e3o deixe nunca o medo o paralisar. Existe coisa muito maior que isso. Esses meninos t\u00eam tudo na m\u00e3o para ir em frente e, \u00e0s vezes, ficam paralisados pelo medo. N\u00e3o pode! Tem que arriscar, porque, perto do que foi, a vida est\u00e1 muito f\u00e1cil -conclui o treinador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Quem olha para Ga\u00facho, treinador do Vasco , costuma associar logo, pelo trato carinhoso, os gestos compreensivos e a aten\u00e7\u00e3o com todos, a figura de um paiz\u00e3o. A imagem n\u00e3o est\u00e1 longe da verdade. Por\u00e9m, por tr\u00e1s deste homem gentil, h\u00e1 uma hist\u00f3ria dura e intensa ligada ao movimento oper\u00e1rio. 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