{"id":3599,"date":"2013-02-20T16:59:09","date_gmt":"2013-02-20T16:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/20\/comissao-da-verdade-paulista-quer-investigar-outros-boilesen-da-ditadura\/"},"modified":"2013-02-20T16:59:09","modified_gmt":"2013-02-20T16:59:09","slug":"comissao-da-verdade-paulista-quer-investigar-outros-boilesen-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/20\/comissao-da-verdade-paulista-quer-investigar-outros-boilesen-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade paulista quer investigar outros &#8216;Boilesen&#8217; da ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo quer descobrir outros \u201cBoilesen\u201d, ou seja, empres\u00e1rios que tenham colaborado com \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o durante a ditadura (1964-1985). Documentos divulgados hoje (18), durante audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa, podem ajudar na investiga\u00e7\u00e3o. O dinamarqu\u00eas Henning Boilesen foi tema de document\u00e1rio lan\u00e7ado em 2009 por Chaim Litewski, que mostrava a trajet\u00f3ria do ent\u00e3o presidente da Ultragaz, morto em 1971 devido \u00e0 sua colabora\u00e7\u00e3o com a ditadura. Os documentos realimentam suspeitas sobre a participa\u00e7\u00e3o do setor privado e tamb\u00e9m do consulado dos Estados Unidos em S\u00e3o Paulo.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/02\/comissao-da-verdade-paulista-quer-investigar-outros-boilesen-da-ditadura\/image_preview\" border=\"0\" width=\"400\" height=\"272\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Trabalhadores relataram casos de persegui\u00e7\u00e3o e demiss\u00f5es por conta da milit\u00e2ncia pol\u00edtica (Foto: Roberto Navarro\/Ag. Assembleia)<\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura sempre disse que havia beneficiamento e liga\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios com a repress\u00e3o. N\u00e3o estamos falando de financiamento, queremos saber qual foi a participa\u00e7\u00e3o deles\u201d, afirmou o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e diretor do N\u00facleo de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica, Ivan Seixas. Na audi\u00eancia p\u00fablica, que excedeu a capacidade de 350 pessoas do audit\u00f3rio, foram exibidos registros de entrada e sa\u00edda, nos anos 1970, de autoridades e visitantes no pr\u00e9dio do Dops, na regi\u00e3o central, que hoje abriga o Memorial da Resist\u00eancia. Ali aparece uma pessoa com frequ\u00eancia constante, Geraldo Rezende (ou Resende) de Matos, identificando-se como \u201cFiesp\u201d, e do diplomata Claris Halliwell, apontado como c\u00f4nsul norte-americano no Brasil nos quatro primeiros anos daquela d\u00e9cada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dos trechos de filmes exibidos no in\u00edcio da audi\u00eancia, houve destaque justamente para Cidad\u00e3o Boilesen, que traz depoimentos de agentes da ditadura e militantes, atestando a colabora\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios para manter as atividades de repress\u00e3o. \u201cMuita gente participava\u201d, diz, por exemplo, o coronel Erasmo Dias. O empres\u00e1rio Jos\u00e9 Mindlin, que n\u00e3o participou do esquema, declara ter sido procurado por Boilesen para ajudar \u201ca salvar a sociedade dos perigos da agita\u00e7\u00e3o de esquerda\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fiesp e consulado n\u00e3o mandaram representantes. Os depoimentos foram dados por trabalhadores perseguidos durante a ditadura. A Oposi\u00e7\u00e3o Metal\u00fargica de S\u00e3o Paulo, que organiza o Projeto Mem\u00f3ria, apresentou fichas de oper\u00e1rios encaminhadas por empresas ao arquivo do Dops, por serem \u201cgrevistas\u201d e\/ou \u201cagitadores\u201d, al\u00e9m de c\u00f3pia de um carta de uma companhia que pedia a um delegado do Dops registros de antecedentes de seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSempre trabalhamos com a ideia de que Oban (militares) n\u00e3o falava com Dops (civis). Grossa mentira. Eles n\u00e3o s\u00f3 se entendiam, como se entendiam muito. O que descobrir \u00e9 qual era essa rela\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ivan Seixas. \u201cN\u00e3o \u00e9 da rotina diplom\u00e1tica visitar um aparato repressivo\u201d, afirma a Comiss\u00e3o da Verdade, lembrando que as visitas de Halliwell ao Dops eram rotineiras, e n\u00e3o poucas vezes em hor\u00e1rios incomuns \u2013 entrada no final da tarde e sa\u00edda no dia seguinte. O norte-americano, que do Brasil seguiria para o Chile, morreu em 2006.\u00a0 &#8220;Queremos saber por qual raz\u00e3o ele ia tanto ao Dops&#8221;, afirma o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Todos os documentos foram encontrados no Arquivo P\u00fablico do Estado. O diretor do \u00f3rg\u00e3o, Lauro \u00c1vila Pereira, informou que \u201cn\u00e3o por acaso\u201d em 1\u00ba de abril, \u00e0 tarde, haver\u00e1 uma cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento de 850 mil imagens do Dops na internet. Pela manh\u00e3, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade estar\u00e1 reunida em S\u00e3o Paulo, no mesmo local.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA persegui\u00e7\u00e3o aos companheiros era sistem\u00e1tica, n\u00e3o importando sua compet\u00eancia profissional\u201d, afirmou Waldemar Rossi, da Oposi\u00e7\u00e3o Metal\u00fargica. Ele mesmo sofreu 18 demiss\u00f5es em um per\u00edodo de 25 anos. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi autorizado a ver o papa, em 1980, por ser considerado um \u201ccomunista contumaz\u201d, conforme lembra. \u201cHavia liga\u00e7\u00e3o direta dos empres\u00e1rios com o Dops, com o Doi-Codi\u201d, declarou Rossi.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para o deputado estadual Jos\u00e9 Zico, a colabora\u00e7\u00e3o entre empres\u00e1rios e militares era \u201cevidente\u201d. Trabalhador rural que se tornou metal\u00fargico em S\u00e3o Paulo, ele relatou que enfrentou \u201cuma s\u00e9rie de desempregos sucessivos\u201d por causa de sua milit\u00e2ncia. \u201cEntre n\u00f3s, era comum ficar todo mundo desempregado.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre as centenas de pessoas que foram \u00e0 audi\u00eancia, estavam militantes e ativistas hist\u00f3ricos, como Clara Charf, Bernardo Kucinski e Margarida Genevois, al\u00e9m do advogado Aton Ton Filho e o procurador da Rep\u00fablica Marlon Weichert. Durante seu depoimento, Waldemar Rossi fez uma homenagem ao jornalista Dermi Azevedo, cujo filho mais velho, Carlos Alexandre, suicidou-se na madrugada de ontem. Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 1974. \u201cDermi estava preso comigo, na mesma cela\u201d, recordou.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo quer descobrir outros \u201cBoilesen\u201d, ou seja, empres\u00e1rios que tenham colaborado com \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o durante a ditadura (1964-1985). Documentos divulgados hoje (18), durante audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa, podem ajudar na investiga\u00e7\u00e3o. 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