{"id":3626,"date":"2013-02-21T16:19:23","date_gmt":"2013-02-21T16:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/21\/missa-na-se-lembrara-40-anos-da-morte-de-alexandre-vannuchi-pela-ditadura\/"},"modified":"2013-02-21T16:19:23","modified_gmt":"2013-02-21T16:19:23","slug":"missa-na-se-lembrara-40-anos-da-morte-de-alexandre-vannuchi-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/21\/missa-na-se-lembrara-40-anos-da-morte-de-alexandre-vannuchi-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Missa na S\u00e9 lembrar\u00e1 40 anos da morte de Alexandre Vannuchi pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 15 de mar\u00e7o, na Catedral da S\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 celebrada missa em mem\u00f3ria dos 40 anos da morte do estudante Alexandre Vannuchi Leme, que cursava Geologia na USP quando foi assassinado, aos 22 anos. A missa faz parte de uma s\u00e9rie de eventos em homenagem a Alexandre Vannuchi, que ser\u00e1 reconhecido como anistiado post mortem pela Comiss\u00e3o de Anistia, durante ato na faculdade. Detalhes das atividades foram discutidos ontem (19) \u00e0 noite, durante reuni\u00e3o com dezenas de entidades no Sindicato dos Engenheiros.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Militante no movimento estudantil e na A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), Vannuchi foi morto em 17 de mar\u00e7o de 1973. Quando soube de sua pris\u00e3o, seu Jos\u00e9, pai de Alexandre, pegou o primeiro \u00f4nibus de Sorocaba, no interior, para S\u00e3o Paulo. Percorreu todos os \u00f3rg\u00e3os policiais, mas n\u00e3o conseguiu sequer uma confirma\u00e7\u00e3o, nenhuma not\u00edcia do filho. A fam\u00edlia soube depois, pelos jornais. Na Folha de S. Paulo, uma not\u00edcia trazia a seguinte manchete: \u201cTerrorista morre atropelado no Br\u00e1s\u201d. Segundo a nota, Alexandre morreu atropelado por um caminh\u00e3o no cruzamento da rua Bresser com a avenida Celso Garcia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Com varia\u00e7\u00f5es, outros jornais deram a mesma vers\u00e3o oficial. Mas os estudantes espalhavam uns para os outros: \u201cMataram o Minhoca\u201d, refer\u00eancia ao apelido do colega. Vannuchi chegou a ser enterrado como indigente. A fam\u00edlia s\u00f3 conseguiu enterrar o corpo em Sorocaba dez anos depois.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A primeira atividade relativa aos 40 anos da morte de Alexandre ser\u00e1 realizada no pr\u00f3ximo dia 27, \u00e0s 17h30, com um debate aos calouros da USP. Em 14 de mar\u00e7o, haver\u00e1 um show e exposi\u00e7\u00e3o no Centro Cultural S\u00e3o Paulo. No dia seguinte, \u00e0s 12h, a Comiss\u00e3o de Anistia far\u00e1 um ato simb\u00f3lico no pr\u00e9dio da Geologia da USP. \u00c0s 18h, ser\u00e1 celebrada missa na Catedral da S\u00e9, revivendo um dos momentos mais tensos daquele per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1973, uma comiss\u00e3o procurou dom Paulo Evaristo Arns, rec\u00e9m-nomeado cardeal pelo papa Paulo VI. Ficou decidida a realiza\u00e7\u00e3o de uma missa no dia 30, \u00e0s 18h30, na S\u00e9. N\u00e3o foi f\u00e1cil participar daquela missa. A pol\u00edcia fez bloqueios em v\u00e1rias regi\u00f5es da cidade e circulava ostensivamente na regi\u00e3o da catedral, que mesmo assim ficou lotada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O cantor S\u00e9rgio Ricardo, convidado para o ato, cantou uma m\u00fasica que havia composto recente: Calabou\u00e7o, lembrando de outros estudante, Edson Lu\u00eds de Lima Souto, morto em 1968, no Rio de Janeiro, durante um protesto contra o pre\u00e7o da comida no restaurante estudantil Calabou\u00e7o. S\u00e9rgio Ricardo estar\u00e1 presente na missa de 15 de mar\u00e7o. Diz a letra:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Olho aberto, ouvido atento e a cabe\u00e7a no lugar<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cala a boca mo\u00e7o, cala a boca mo\u00e7o<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Do canto da boca escorre metade do meu cantar<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cala a boca mo\u00e7o, cala a boca mo\u00e7o<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Eis o lixo do meu canto que \u00e9 permitido escutor<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Caba a boca mo\u00e7o, cala!<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Olha o vazio nas almas<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Olho um violeiro de alma vazia<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sa\u00edda da missa, dom Paulo ainda recomendou: \u201cTenham muita calma ao sair da igreja. Meditem em casa sobre o significado desta celebra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, primo de Alexandre, disse que o evento \u201c\u00e9 parte de uma longa luta para n\u00e3o esquecer o passado e pensar o futuro\u201d. \u201cO pa\u00eds vigoroso que temos hoje \u00e9 resultado de luta de gente que foi assassinada como Alexandre e tamb\u00e9m das que est\u00e3o aqui hoje\u201d.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 15 de mar\u00e7o, na Catedral da S\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 celebrada missa em mem\u00f3ria dos 40 anos da morte do estudante Alexandre Vannuchi Leme, que cursava Geologia na USP quando foi assassinado, aos 22 anos. 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