{"id":3672,"date":"2013-02-25T11:43:51","date_gmt":"2013-02-25T11:43:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/25\/uma-vida-marcada-pela-ditadura\/"},"modified":"2013-02-25T11:43:51","modified_gmt":"2013-02-25T11:43:51","slug":"uma-vida-marcada-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/25\/uma-vida-marcada-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Uma vida marcada pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Torturado por agentes do regime militar ainda beb\u00ea, Carlos Alexandre passou a sofrer de fobia social e nunca se recuperou do trauma. Na semana passada, aos 39 anos, ele se suicidou<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3668\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mi_6099231654123394.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"470\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Ele fora anistiado e recebeu uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 100 mil. Do total, R$ 40 mil foram gastos em uma cirurgia para corrigir o maxilar deslocado por um militar  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Pouco antes de atentar contra a pr\u00f3pria vida ao ingerir medicamentos em excesso, Carlos Eduardo Alexandre escreveu um e-mail para um amigo \u00e0 1h30 do s\u00e1bado 16. Nele, justificava o ato, assumindo n\u00e3o enxergar mais perspectivas na vida. Queixava-se do pouco dinheiro que ganhava com o trabalho e listava os bens que deixaria: um computador, um HD externo, uma cole\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias em quadrinhos e outra de CDs. Na sequ\u00eancia, consumou a a\u00e7\u00e3o fatal. Cac\u00e1, como carinhosamente era chamado pelos familiares, suicidou-se aos 39 anos, no apartamento em que morava com a m\u00e3e e a irm\u00e3, em S\u00e3o Paulo. Mais correto, por\u00e9m, \u00e9 afirmar que a vida lhe foi tirada pelos excessos do regime ditatorial que mancharam de sangue a hist\u00f3ria do Pa\u00eds entre 1964 e 1985. \u201cEle foi suicidado, na verdade, uma vez que a morte dele foi a consequ\u00eancia de todo o processo de ang\u00fastia que ele viveu nesses anos todos ap\u00f3s ser torturado\u201d, afirma seu pai, o jornalista e cientista pol\u00edtico Dermi Azevedo, que mora em Bel\u00e9m, no Par\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A cena \u00e9 kafkiana, mas aconteceu com Carlos Alexandre. Em 14 de janeiro de 1974, com apenas 1 ano e 8 meses, ele recebeu choques el\u00e9tricos e foi v\u00edtima de outras sev\u00edcias nos por\u00f5es do Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (Deops), em S\u00e3o Paulo. Ali, ele, a m\u00e3e, a pedagoga aposentada Darcy Angozia, e o pai foram torturados pelos agentes da ditadura. \u201cCac\u00e1 apanhou porque estava chorando de fome. Os policiais falavam que ele j\u00e1 era doutrinado e perigoso\u201d, revelou Darcy, em 2010, em entrevista exclusiva \u00e0 ISTO\u00c9. A vida de Carlos Alexandre jamais voltaria a entrar nos eixos depois desse epis\u00f3dio. Em meio \u00e0 press\u00e3o por crescer em um ambiente em que seus pais eram tachados de bandidos e terroristas pela vizinhan\u00e7a e vigiados pelos militares, ele desenvolveu um transtorno conhecido como fobia social. Ao sofrer dessa perturba\u00e7\u00e3o, a pessoa, temendo ser rejeitada e humilhada, torna-se reclusa. Na inf\u00e2ncia, o garoto fazia birra para n\u00e3o ir \u00e0 escola, porque n\u00e3o queria interagir com outras crian\u00e7as. Foi na adolesc\u00eancia, por\u00e9m, entre os 13 e os 20 anos, que a situa\u00e7\u00e3o piorou. Passou esse per\u00edodo, praticamente, dentro de casa. Acessos de f\u00faria o faziam quebrar o que via pela frente. Na \u00e9poca, tamb\u00e9m tentou o suic\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3671\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mi_6099243765462469.jpg\" border=\"0\" width=\"500\" height=\"468\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">MEM\u00d3RIA<br \/>Acima, Carlos, aos 3 anos, com a fam\u00edlia. Seu pai, Dermi (\u00e0 esq.)publicou um texto em homenagem ao filho no Facebook<\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Carlos Alexandre come\u00e7ou a descobrir o seu passado por volta dos 10 anos de idade \u2013 as hist\u00f3rias eram reveladas aos poucos pelos pais. Desde ent\u00e3o, ele frequentou sess\u00f5es de psicoterapia. \u201cOs efeitos da ditadura n\u00e3o passam para quem saiu da tortura\u201d, diz Ivan Seixas, coordenador do escrit\u00f3rio paulista da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). J\u00e1 na fase adulta, Carlos Alexandre prestou servi\u00e7os de inform\u00e1tica como aut\u00f4nomo. Em 2010, foi anistiado. Recebeu uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 100 mil e gastou R$ 40 mil em uma cirurgia para corrigir o maxilar, que fora tirado do lugar por um militar que o levou de casa. \u201cO ex-delegado Josecyr Cuoco, que participou da tortura do Cac\u00e1, vende doces e salgados em Santos\u201d, lembra o pai, que, aos 63 anos, preferiu n\u00e3o ir ao enterro do filho. Achou melhor guardar a imagem de Carlos Alexandre vivo. Para homenage\u00e1-lo, o jornalista escreveu um texto publicado em sua conta no Facebook. \u201cMeu filhinho, voc\u00ea sofreu muito. S\u00f3 Deus pode copiosamente banhar-te com a \u00e1gua purificadora da vida eterna\u201d, diz um trecho.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Isto \u00c9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Torturado por agentes do regime militar ainda beb\u00ea, Carlos Alexandre passou a sofrer de fobia social e nunca se recuperou do trauma. 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