{"id":3688,"date":"2013-02-25T18:40:15","date_gmt":"2013-02-25T18:40:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/25\/comissao-anistia-15-cidadaos-filhos-de-perseguidos-pela-ditadura\/"},"modified":"2013-02-25T18:40:15","modified_gmt":"2013-02-25T18:40:15","slug":"comissao-anistia-15-cidadaos-filhos-de-perseguidos-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/25\/comissao-anistia-15-cidadaos-filhos-de-perseguidos-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o anistia 15 cidad\u00e3os, filhos de perseguidos pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Uma filha impedida do conv\u00edvio com a m\u00e3e que estava no ex\u00edlio na Fran\u00e7a por 7 anos, podendo apenas corresponder por cartas e fotos. Nesta quinta-feira, 21 de fevereiro, V\u00e2nia Alc\u00e2ntara de Carvalho, filha de Nina, que advogava para perseguidos pol\u00edticos foi declarada anistiada pol\u00edtica. A restri\u00e7\u00e3o a seus direitos n\u00e3o se deram apenas pela aus\u00eancia materna, Nina ficou no Brasil com o pai, devido a uma decis\u00e3o judicial. No processo de disputa de guarda das filhas, o juiz \u00e0 \u00e9poca retirou a guarda da m\u00e3e, impedindo-as de se encontrarem, e fundamentou a senten\u00e7a: \u201cretiro a guarda da m\u00e3e por ela ter optado por atividades subversivas nefastas\u201d.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3686\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Sess%C3%A3o-julgamento-Anistia.jpg\" border=\"0\" width=\"512\" height=\"444\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento comovente enviado por escrito, V\u00e2nia relatou \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a sobre as dificuldades vividas: \u201cQuando eu soube que minha m\u00e3e foi embora, foi durante as f\u00e9rias, na casa do meu pai em 1971. Me diziam que o presidente M\u00e9dici n\u00e3o gostava dela e por isso ela tinha ido. Aprendi a conter a dor da aus\u00eancia e suprimi-la. Nas homenagens nas escolas em dia das m\u00e3es era sempre uma pol\u00eamica. Uma vez, cheguei a dar um presente para a m\u00e3e de uma amiga\u201d, contou em carta. Somente em 1978, V\u00e2nia foi encontrar a m\u00e3e na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m desse processo, a Comiss\u00e3o de Anistia julgou 16 outros, de familiares de perseguidos pol\u00edticos em uma sess\u00e3o tem\u00e1tica.\u00a0 Quinze receberam a anistia. Dentre eles, o de Vera Pape Pape, que passou pelo ex\u00edlio no Chile e na Fran\u00e7a. Filha de Eveline, a m\u00e3e, era militante da Polop (Organiza\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Marxista \u2013 Pol\u00edtica Oper\u00e1ria) em Goi\u00e1s. Vera nasceu em 1962 e aos tr\u00eas anos foi morar no Chile. Em raz\u00e3o do golpe militar naquele pa\u00eds, em 1973, foi morar na Fran\u00e7a, onde ficou at\u00e9 1980. Somente em 2010, Vera foi conhecer o pai, que hoje vive na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As anistiadas Vera Pape Pape e S\u00edlvia Perrone, conviveram juntas durante o ex\u00edlio quando eram crian\u00e7as. As duas amigas n\u00e3o se viam h\u00e1 30 anos,\u00a0 o reencontro aconteceu na sess\u00e3o da Comiss\u00e3o de Anistia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEm 1980 cheguei ao Brasil com documentos franceses, levei v\u00e1rios anos para conseguir a certid\u00e3o de nascimento de brasileira, meu irm\u00e3o, \u00e9 portador de sofrimento mental, minha m\u00e3e tinha transtorno bipolar. Tudo isso faz que a vida fique tumultuada, mas dizem que pessoas que vivem em campos de concentra\u00e7\u00e3o podem sair feridas, mas n\u00e3o necessariamente se quebram. A m\u00fasica me trouxe isso, quem n\u00e3o tem sonhos n\u00e3o faz m\u00fasica\u201d, contou Vera, sobre como tentou superar o drama com a m\u00fasica. Ela \u00e9 flautista.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a sess\u00e3o Vera reencontrou-se com outra amiga de ex\u00edlio, S\u00edlvia Perrone, elas n\u00e3o se viam h\u00e1 mais de 30 anos. Filha de deputado cassado pela Assembl\u00e9ia Legislativa de S\u00e3o Paulo, S\u00edlvia, cujo processo tamb\u00e9m foi julgado na \u00faltima quinta-feira, contou sobre a vida no ex\u00edlio e da solidariedade internacional, sobre como os refugiados e exilados se ajudavam.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu tenho boas lembran\u00e7as da vida no Chile, nossa casa era aberta e receb\u00edamos muitas pessoas, at\u00e9 irmos para a Fran\u00e7a. Foi quando caiu a ficha para meu pai que ele n\u00e3o poderia mais voltar, a\u00ed as coisas ficaram mais dif\u00edceis. Mas minha m\u00e3e sempre nos criou para n\u00e3o reclamar, pois n\u00f3s \u00e9ramos refugiados, era uma situa\u00e7\u00e3o privilegiada\u201d, contou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outros anistiados nessa sess\u00e3o foram Teresa e Paulo Fayal de Lyra, filhos de pais banidos pela ditadura que foram viver na Su\u00e9cia. Eles permaneceram ap\u00e1tridas e sem certid\u00e3o de nascimento. \u201cAntes ach\u00e1vamos que a hist\u00f3ria dos nossos pais n\u00e3o era nossa tamb\u00e9m. Hoje temos consci\u00eancia de isso afetou a nossa fam\u00edlia\u201d. O pai, Carlos Fayal,\u00a0 tamb\u00e9m esteve presente na sess\u00e3o. Ele leu o pr\u00f3prio depoimento:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNeste ato de anistia comemoramos a vida, vida nova de uma gera\u00e7\u00e3o que se sacrificou\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marcos Zamikhowsky Lopes tamb\u00e9m recebeu o pedido de desculpas oficiais do Estado brasileiro e agradeceu. \u201cAos cinco anos fui arrancado da conviv\u00eancia com a minha m\u00e3e, perseguida pol\u00edtica, que simplesmente sumiu da minha vida. Por alguns meses eu n\u00e3o soube se ela estaria vida ou morta. Minha inf\u00e2ncia foi traumatizante e tive que mudar muitas vezes de um pa\u00eds para outro, e sofri com as adapta\u00e7\u00f5es. Tive uma inf\u00e2ncia sem ra\u00edzes e depois que voltei ao Brasil, sem falar a l\u00edngua, senti-me exilado no pr\u00f3prio pa\u00eds. O dano moral \u00e9 intenso e existe at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a abertura, o presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o, lembrou do jovem Carlos Alexandre, anistiado h\u00e1 tr\u00eas anos em sess\u00e3o semelhante no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, e que cometera suic\u00eddio semana passada. Abr\u00e3o pediu um minuto de sil\u00eancio em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria dele. \u201c\u00c9 fundamental compreender as diferentes formas de repress\u00e3o e os danos transgeracionais que a ditadura legou ao pa\u00eds e aos nossos cidad\u00e3os e trabalharmos segundo o princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral\u201d, afimou Paulo Abr\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Devido aos danos psicol\u00f3gicos aos cidad\u00e3os perseguidos pelos atos de exce\u00e7\u00e3o cometidos pelo Estado, a Comiss\u00e3o de Anistia criou o Projeto Cl\u00ednicas do Testemunho. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dar apoio em sa\u00fade mental para v\u00edtimas de viol\u00eancia do Estado. A Comiss\u00e3o de Anistia selecionou 11 institui\u00e7\u00f5es para receber incentivo de at\u00e9 R$ 600 mil para funcionar por at\u00e9 dois anos, com in\u00edcio das atividades previsto para ocorrer em 2013.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; blog.justica.gov.br<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma filha impedida do conv\u00edvio com a m\u00e3e que estava no ex\u00edlio na Fran\u00e7a por 7 anos, podendo apenas corresponder por cartas e fotos. Nesta quinta-feira, 21 de fevereiro, V\u00e2nia Alc\u00e2ntara de Carvalho, filha de Nina, que advogava para perseguidos pol\u00edticos foi declarada anistiada pol\u00edtica. 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