{"id":3739,"date":"2013-02-26T18:44:35","date_gmt":"2013-02-26T18:44:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/26\/diplomata-que-visitou-dops-foi-alvo-de-ameaca\/"},"modified":"2013-02-26T18:44:35","modified_gmt":"2013-02-26T18:44:35","slug":"diplomata-que-visitou-dops-foi-alvo-de-ameaca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/26\/diplomata-que-visitou-dops-foi-alvo-de-ameaca\/","title":{"rendered":"Diplomata que visitou Dops foi alvo de amea\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Telegrama da embaixada americana de 1973 comprova que Claris Halliwell era adido pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>O americano Claris Halliwell, que foi identificado como ass\u00edduo visitante do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) na \u00e9poca da ditadura militar, era diplomata e atuava no Consulado-Geral em S\u00e3o Paulo como adido pol\u00edtico. De acordo com telegrama enviado em 1973 pela Embaixada dos Estados Unidos ao Departamento de Estado, ele chegou a receber amea\u00e7as por causa de suas atividades.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O nome de Halliwell ganhou destaque ap\u00f3s a descoberta, nos arquivos do antigo Dops, de uma s\u00e9rie de livros de portaria que identificavam as pessoas que visitavam aquele local &#8211; um dos principais centros de repress\u00e3o pol\u00edtica no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. De acordo com levantamento feito pelo Estado nos livros, Halliwell frequentou o edif\u00edcio entre abril de 1971 e novembro de 1973. Identificado como &#8220;c\u00f4nsul&#8221;, em 1971 realizou uma m\u00e9dia de duas visitas por m\u00eas aos delegados da linha de frente da repress\u00e3o, frequentemente envolvidos com den\u00fancias de torturas a presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Consultados pelo Estado, representantes do consulado em S\u00e3o Paulo disseram que n\u00e3o podem confirmar a passagem de Halliwell por S\u00e3o Paulo, uma vez que n\u00e3o guardam registros da \u00e9poca. Os rastros de sua passagem pelo consulado, por\u00e9m, podem ser encontrados em documentos oficiais contidos no Arquivo Nacional dos EUA.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O Estado localizou um telegrama enviado pela embaixada ao Departamento de Estado, no qual Halliwel \u00e9 identificado como adido pol\u00edtico do consulado. Respondia ao c\u00f4nsul-geral Frederic Chapin, que serviu no Brasil entre 1972-1980.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O nome dele tamb\u00e9m aparece cinco vezes no NameBase, banco de dados privado sobre a comunidade de informa\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos. Um dos registros \u00e9 uma lista, de 1983, com nomes de integrantes da Associa\u00e7\u00e3o de Ex-Agentes de Intelig\u00eancia, esp\u00e9cie de sindicato de agentes da \u00e1rea de informa\u00e7\u00e3o aposentados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O telegrama enviado pela embaixada descreve amea\u00e7as que Halliwell teria recebido por telefone, no dia 26 de outubro de 1973, por volta das 22h30. A liga\u00e7\u00e3o seria de um &#8220;homem n\u00e3o identificado, falando bom portugu\u00eas e com sotaque &#8216;paulista'&#8221;. No telefonema, o homem teria dito &#8220;se voc\u00ea n\u00e3o parar de nos atacar, n\u00f3s vamos tomar medidas contra voc\u00ea&#8221;. Outras duas liga\u00e7\u00f5es teriam sido recebidas na mesma \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No final do telegrama, a embaixada observa que o fato pode estar relacionado a um inc\u00eandio causado por uma bomba caseira lan\u00e7ada na casa de outro funcion\u00e1rio do consulado, James Lawler, em maio de 1973.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o. Esquecidos no Arquivo P\u00fablico do Estado, os livros de portaria do Dops chamaram a aten\u00e7\u00e3o de assessores da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade. Logo depois, foram digitalizados e divulgados pela Internet. O nome de Halliwell provocou imediata pol\u00eamica. Outros representantes diplom\u00e1ticos tamb\u00e9m frequentavam o Dops, que abrigava uma delegacia especializada em assuntos estrangeiros. Mas nenhum com a mesma frequ\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do telegrama ao Departamento de Estado, n\u00e3o surgiram outras refer\u00eancias ao adido na correspond\u00eancia diplom\u00e1tica. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1, nos arquivos liberados, cita\u00e7\u00f5es sobre a deten\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os americanos, o que poderia explicar a presen\u00e7a de Halliwell no local.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O diplomata era filho de mission\u00e1rio evang\u00e9lico que atuou na Amaz\u00f4nia e falava bem portugu\u00eas. Em 1973, o ano das amea\u00e7as, a Embaixada dos EUA j\u00e1 estaria expressando ao regime militar as preocupa\u00e7\u00f5es do governo americano com &#8220;abusos de autoridades policiais&#8221;, conforme o documento Country Analysis and Strategy Paper for Brazil<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Telegrama da embaixada americana de 1973 comprova que Claris Halliwell era adido pol\u00edtico O americano Claris Halliwell, que foi identificado como ass\u00edduo visitante do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) na \u00e9poca da ditadura militar, era diplomata e atuava no Consulado-Geral em S\u00e3o Paulo como adido pol\u00edtico. De acordo com telegrama enviado em 1973 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3739"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3739\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}