{"id":3747,"date":"2013-02-26T19:04:47","date_gmt":"2013-02-26T19:04:47","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/26\/comissao-da-verdade-faz-audiencia-sobre-virgilio-gomes-da-silva-torturado-e-morto-na-ditadura\/"},"modified":"2013-02-26T19:04:47","modified_gmt":"2013-02-26T19:04:47","slug":"comissao-da-verdade-faz-audiencia-sobre-virgilio-gomes-da-silva-torturado-e-morto-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/26\/comissao-da-verdade-faz-audiencia-sobre-virgilio-gomes-da-silva-torturado-e-morto-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade faz audi\u00eancia sobre Virg\u00edlio Gomes da Silva, torturado e morto na ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Parentes de Virg\u00edlio Gomes da Silva, torturado e morto durante a ditadura militar, participaram na tarde de hoje (25) de uma audi\u00eancia promovida pela Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo, na Assembleia Legislativa paulista. Em uma ficha encontrada anos depois nos arquivos do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) e entregue \u00e0 fam\u00edlia, o nome de Virg\u00edlio aparece acompanhado pela inscri\u00e7\u00e3o \u201cmorto\u201d, em par\u00eanteses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2791\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/comissaodaverdade.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"152\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Virg\u00edlio Gomes da Silva era militante da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN). Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, em S\u00e3o Paulo, por agentes da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes (Oban), e levado para o DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a audi\u00eancia, bastante emocionada, a vi\u00fava de Virg\u00edlio, Ilda Martins da Silva, falou sobre tudo que passou nas m\u00e3os dos agentes da ditadura. \u201cVirg\u00edlio foi assassinado no dia 30 de setembro de 1969\u201d, disse. Nesse mesmo dia, segundo Ilda, ela e tr\u00eas de seus quatro filhos: Vlademir, Virg\u00edlio e Isabel foram tamb\u00e9m presos. No DOI-Codi, foi interrogada e separada deles, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu n\u00e3o queria me separar deles de jeito nenhum. Veio uma freira, pegou-os e os levou para o Dops. Eles ficaram dois dias no Dops e foram levados para um Juizado de Menores, onde ficaram por dois meses. A Isabel, que s\u00f3 tinha quatro meses, foi hospitalizada e quase morreu. Eu fiquei presa por nove meses e estive incomunic\u00e1vel, n\u00e3o podia ver meus filhos ou saber deles. E eu n\u00e3o tinha participa\u00e7\u00e3o em nada\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Passados mais de 40 anos, a fam\u00edlia ainda espera que os culpados pela morte de Virg\u00edlio sejam punidos e que a comiss\u00e3o ajude nessa tarefa. \u201cEspero que sejam intimados a depor [na comiss\u00e3o] n\u00e3o s\u00f3 as testemunhas que o viram ser torturado e morto, mas tamb\u00e9m os que cometeram o ato\u201d, disse Virg\u00edlio Gomes da Silva Filho. \u201cTem um laudo, descoberto em 2004, no qual est\u00e1 registrado quem era a pessoa, as condi\u00e7\u00f5es em que o corpo se encontrava, com todas as caracter\u00edsticas de tortura, com ossos quebrados e com todos os \u00f3rg\u00e3os dele estourados. E dizia que foi encaminhado para o Cemit\u00e9rio de Vila Formosa\u201d, disse Virg\u00edlio Gomes da Silva Filho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, Silva Filho disse que, passados tantos anos, ainda espera alguma puni\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis pela morte do pai. \u201cEles [da comiss\u00e3o] t\u00eam a condi\u00e7\u00e3o de pelo menos tentar, a obriga\u00e7\u00e3o moral de pelo menos tentar. Tem coisa que, pelo tempo que passou, pode ser que n\u00e3o se resgate com fidelidade ou com a riqueza necess\u00e1ria que precisaria ter. Mas o m\u00ednimo que se tem \u00e9 de valor hist\u00f3rico, e temos obriga\u00e7\u00e3o de resgatar isso\u201d, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na reuni\u00e3o desta segunda-feira, ap\u00f3s ouvir os parentes de Virgilio Gomes, a comiss\u00e3o prop\u00f4s fazer audi\u00eancias para investigar as valas clandestinas do Cemit\u00e9rio de Vila Formosa, na zona leste da capital paulista, onde v\u00e1rias ossadas foram encontradas, mas n\u00e3o identificadas. H\u00e1 uma suspeita, por exemplo, de que os restos mortais de Virg\u00edlio Gomes da Silva, at\u00e9 hoje desaparecido, seja identificado entre essas ossadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO foco \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o dos mortos e desaparecidos \u00e9 saber quem os matou e os fez desaparecer\u201d, disse o deputado Adriano Diogo, presidente da comiss\u00e3o, em entrevista \u00e0Ag\u00eancia Brasil. Segundo ele, a comiss\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de pedir agilidade no processo de identifica\u00e7\u00e3o dessas ossadas e de localiza\u00e7\u00e3o de outros locais onde muitos corpos tenham sido enterrados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O parlamentar declarou ainda que, no \u00e2mbito da comiss\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel punir os culpados pelas torturas e mortes que foram cometidas durante a ditadura militar. Por isso, ressaltou que o trabalho da comiss\u00e3o paulista ser\u00e1 o de gerar um movimento nacional de opini\u00e3o p\u00fablica, tornando p\u00fablicos os fatos que ocorreram durante o regime. \u201cA maior puni\u00e7\u00e3o que estamos tentando infringir a essas pessoas [que cometeram esses atos] \u00e9 a publiciza\u00e7\u00e3o desses fatos\u201d, disse. \u201cO caso Virg\u00edlio Gomes \u00e9 um dos mais bem documentados. Todos os assassinos est\u00e3o identificados, h\u00e1 o laudo da morte\u201d, o que falta \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o do corpo e a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis, completou Diogo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No decorrer do ano, a comiss\u00e3o, que vai analisar 154 processos, tamb\u00e9m pretende promover uma audi\u00eancia para ouvir depoimentos de pessoas que, quando crian\u00e7as, foram sequestradas ou torturadas durante a ditadura militar. A audi\u00eancia de hoje foi a 11\u00aa deste ano.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O caso do desaparecimento e morte de Virg\u00edlio Gomes da Silva durante a ditadura militar est\u00e1 sendo investigado pela Pol\u00edcia Federal. A Ag\u00eancia Brasil procurou o \u00f3rg\u00e3o para tentar obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre o inqu\u00e9rito, mas at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria n\u00e3o obteve retorno \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parentes de Virg\u00edlio Gomes da Silva, torturado e morto durante a ditadura militar, participaram na tarde de hoje (25) de uma audi\u00eancia promovida pela Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo, na Assembleia Legislativa paulista. 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