{"id":3763,"date":"2013-02-27T18:37:10","date_gmt":"2013-02-27T18:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/27\/comissao-da-verdade-quer-ajuda-dos-eua\/"},"modified":"2013-02-27T18:37:10","modified_gmt":"2013-02-27T18:37:10","slug":"comissao-da-verdade-quer-ajuda-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/02\/27\/comissao-da-verdade-quer-ajuda-dos-eua\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade quer ajuda dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Brasil pedir\u00e1 aos EUA dados sobre &#8220;c\u00f4nsul&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Comiss\u00e3o da Verdade quer que governo Obama esclare\u00e7a papel do agente Halliwell, que visitava o Dops-SP nos anos 1970<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>O envolvimento do ex-diplomata americano Claris Halliwell com a ditadura militar brasileira est\u00e1 causando embara\u00e7o diplom\u00e1tico entre os dois pa\u00edses em para evitar mal entendidos, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) vai pedir ao governo dos EUA, via Itamaraty, ajuda nas investiga\u00e7\u00f5es, diante da recusa do Consulado-Geral dos EUA em S\u00e3o Paulo em atender aos pedidos da comiss\u00e3o.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">A estrat\u00e9gia para acertar a colabora\u00e7\u00e3o americana, que come\u00e7ou a ser discutida ontem, ser\u00e1 fechada na ter\u00e7a-feira, em reuni\u00e3o da CNV com o coordenador da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, <\/span>Ivan Seixas. Se a via diplom\u00e1tica n\u00e3o for suficiente, as duas comiss\u00f5es v\u00e3o discutir meios legais de cobrar explica\u00e7\u00f5es do governo americano. Um dos caminhos seria acionar, pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, o acordo de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia foi anunciada ontem, no primeiro balan\u00e7o do ano sobre o assunto, que reuniu 30 comiss\u00f5es, entre estaduais e municipais. No encontro, a CNV informou que dezenas de agentes; da repress\u00e3o, j\u00e1 identificados, ser\u00e3o convocados para depor, entre militares, policiais e civis; Entre estes estariam empres\u00e1rios; que financiavam a repress\u00e3o, cediam im\u00f3veis para torturas ou at\u00e9 participavam de a\u00e7\u00f5es. At\u00e9 agora, a comiss\u00e3o tomou 40 depoimentos, entre v\u00edtimas e acusados de autoria de crimes. Cerca de 50 mil pessoas, segundo a comiss\u00e3o, teriam sofrido algum tipo de abuso durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Protagonismo. Documentos revelados domingo pelo Estado mostram que o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) de S\u00e3o Paulo registrou visitas regulares de Claris Halliwell, identificado como &#8220;c\u00f4nsul&#8221;, \u00e0 sua sede entre 1971 e 1974. Na \u00e9poca, o local funcionava como um centro de torturas. Outros documentos, localizados pela Comiss\u00e3o Estadual, mostram que o ex-diplomata tinha protagonismo pol\u00edtico no Brasil desde antes do golpe militar: j\u00e1 em 1958; ele intermediou o encontro de uma miss\u00e3o do Departamento; de Estado com o presidente Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ivan Seixas<\/span> informou que a rela\u00e7\u00e3o Halliwell-Dops precisa ser melhor esclarecida, pois algumas de suas visitas coincidiram com desaparecimento de presos pol\u00edticos, como foi o caso de Devanir Jos\u00e9 de Carvalho. Falecido em 2006, Halliwell teria tido contato com outros golpes de Estado na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O Globo<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Comiss\u00e3o da Verdade: Agentes da repress\u00e3o identificados<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade anunciou ter identificado &#8220;v\u00e1rias dezenas&#8221; de agentes da repress\u00e3o, entre militares, policiais e civis. Muitos j\u00e1 foram ouvidos, e todos ser\u00e3o convocados a depor. Segundo a Comiss\u00e3o, em 1964 foram presas cerca de 50 mil pessoas em apenas cinco estados, num esquema que inclu\u00eda deten\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Repress\u00e3o com nome e RG<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Comiss\u00e3o da Verdade diz que identificou &#8220;v\u00e1rias d\u00fazias&#8221; de agentes da ditadura; 15 foram ouvidos<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A menos de tr\u00eas meses de completar seu primeiro ano de funcionamento, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade apresentou balan\u00e7o de seus trabalhos e anunciou ter identificado &#8220;v\u00e1rias d\u00fazias&#8221; de integrantes da repress\u00e3o. S\u00e3o militares, policiais e at\u00e9 civis que atuaram durante a ditadura. Segundo a comiss\u00e3o, algumas dessas pessoas j\u00e1 foram ouvidas e outras ainda ser\u00e3o convocadas. Quem se recusar a comparecer poder\u00e1 ser processado por desobedi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, j\u00e1 foram tomados 40 depoimentos pela Comiss\u00e3o da Verdade. Desses, 15 eram de agentes da repress\u00e3o. A comiss\u00e3o n\u00e3o detalhou a atua\u00e7\u00e3o desses agentes durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O balan\u00e7o dos trabalhos ocorreu durante um encontro com representantes de comit\u00eas da verdade, mem\u00f3ria e justi\u00e7a dos estados.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 identificamos v\u00e1rias d\u00fazias, n\u00e3o foram duas ou tr\u00eas, de membros da repress\u00e3o. Com nome, RG e endere\u00e7o &#8211; disse Guaracy Mingardi, que assessora o grupo coordenado pelo advogado Jos\u00e9 Paulo Cavalcante, um dos integrantes da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal, agentes que torturaram durante a ditadura n\u00e3o podem mais ser alvo de processo, porque foram beneficiados pela Lei da Anistia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O novo coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade, Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, confirmou que o grupo j\u00e1 recorreu ao expediente de convocar depoentes, mas n\u00e3o revelou nomes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 fizemos v\u00e1rias convoca\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o fazemos alarde. N\u00e3o d\u00e1 para sair por a\u00ed dizendo vamos ouvir fulano, beltrano ou sicrano. At\u00e9 porque esse pessoal (militares) j\u00e1 vivia naquela \u00e9poca em rede e continua vivendo assim, como se v\u00ea por a\u00ed &#8211; disse Pinheiro, numa refer\u00eancia aos sites de militares daquele per\u00edodo, criticando a\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Coordenadora do grupo &#8220;Golpe Civil Militar de 1964&#8221;, na comiss\u00e3o, Rosa Maria Cardoso da Cunha, ex-advogada da presidente Dilma Rousseff durante os anos de chumbo, afirmou que os primeiros levantamentos sugerem que cerca de 50 mil pessoas foram presas em 1964, no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Pernambuco.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosa contou que a comiss\u00e3o investiga o uso de manobras de deten\u00e7\u00e3o em massa naquele per\u00edodo, como padr\u00e3o de repress\u00e3o, em opera\u00e7\u00f5es chamadas pente-fino e arrast\u00e3o. S\u00e3o pris\u00f5es que se deram com bloqueio de ruas, buscas de casa em casa e checagem individual. Era necess\u00e1rio localizar pessoas em listas previamente preparadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O uso dessa viol\u00eancia permitiu ao regime militar construir o estatuto de um Estado sem limite repressivos. Com tr\u00eas consequ\u00eancias: inoculou a tortura como forma de interrogat\u00f3rio nos quart\u00e9is militares, a partir de 1964; fez da tortura for\u00e7a motriz da repress\u00e3o praticada pelo Estado brasileiro at\u00e9 pelo menos 1976; possibilitou ao Estado executar atos considerados in\u00e9ditos em nossa hist\u00f3ria pol\u00edtica: a materializa\u00e7\u00e3o de atos de tortura, assassinato, desaparecimento e sequestro &#8211; disse Rosa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo levantamento preliminar feito por ela, entre 1964 e 1967, foram registrados pelo menos 27 mortes e 403 casos de tortura no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Presente \u00e0 reuni\u00e3o, Gilney Viana, ex-preso pol\u00edtico e atual coordenador do projeto Mem\u00f3ria e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, foi preso em 1964 e lembra que as pris\u00f5es naquele ano se davam de forma indiscriminada. Ela atuava no movimento estudantil, em Belo Horizonte (MG).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Para justificar o golpe, os militares sa\u00edam prendendo todo mundo. A cadeia era um cadei\u00e3o. Prendiam cem, duzentas pessoas numa leva s\u00f3 &#8211; lembrou Gilney, que ficou quinze dias preso em Belo Horizonte. Depois, passou dez anos preso no Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rosa Cardoso afirmou ainda que os opositores do regime militar tamb\u00e9m eram presos em navios e est\u00e1dios de futebol. Nos navios &#8220;Raul Soares&#8221; e &#8220;Almirante Alexandrino&#8221;, cerca de 600 pessoas foram mantidas presas. Em sua maioria, sargentos e lideran\u00e7as sindicais. <span class=\"s3\">Rose citou o est\u00e1dio Caio Martins, em Niter\u00f3i, como um dos centros de deten\u00e7\u00e3o da ditadura.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;promiscuidade entre estado e fazendeiros&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, que cuida das viola\u00e7\u00f5es no campo e dos direitos ind\u00edgenas durante a ditadura, disse que a aproxima\u00e7\u00e3o dos militares com os grandes propriet\u00e1rios de terra era intensa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; O que havia era uma promiscuidade entre o Estado e os grandes fazendeiros. A viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos dos trabalhadores ocorria at\u00e9 mesmo por simples quest\u00f5es trabalhistas, imagina quanto o assunto era luta pela terra &#8211; afirmou Maria Rita. &#8211; Com a vit\u00f3ria do Estado militar na Guerrilha do Araguaia, a terra era distribu\u00edda de forma aleat\u00f3ria a amigos do Curi\u00f3 (Sebasti\u00e3o Curi\u00f3, militar que atuou contra guerrilheiros). \u00c9 o que buscamos comprovar &#8211; disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ex-ministro da Justi\u00e7a de Fernando Henrique Cardoso, Jos\u00e9 Carlos Dias \u00e9 o respons\u00e1vel pelo grupo que trata da viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Dias alertou que aqueles que forem convocados e descumprirem a ordem, podem ser criminalizados:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Vamos convocar. Quem n\u00e3o aceitar, vai responder por crime de desobedi\u00eancia. \u00c9 uma escolha.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Paulo Cavalcante minimizou a necessidade de convocar pessoas e citou a idade avan\u00e7ada dos que atuaram naquele per\u00edodo:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Muitas dessas pessoas tinham 50 anos naquela \u00e9poca. Agora, quem est\u00e1 vivo, est\u00e1 com 100 anos. Temos que falar com os mais jovens daquele per\u00edodo. E vamos convidar. N\u00e3o ser\u00e1 uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">inc\u00f4modo com exposi\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paulo S\u00e9rgio Pinheiro demonstrou-se incomodado com uma exposi\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria da Comiss\u00e3o da Verdade e afirmou que n\u00e3o est\u00e1 em busca de notoriedade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 fundamental mantermos uma postura de sobriedade e de estrita cautela com o que dizemos e divulgamos, at\u00e9 por respeito \u00e0s v\u00edtimas e investiga\u00e7\u00f5es em curso. N\u00e3o d\u00e1 para sermos aquele que abre a porta da geladeira, v\u00ea luz e come\u00e7a a dar entrevista &#8211; disse o coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade. &#8211; Muitas vezes, o a\u00e7odamento em divulgar um documento, um depoimento, uma suspeita p\u00f5e por terra o trabalho cuidadoso de investiga\u00e7\u00e3o, de coleta de ind\u00edcios e identifica\u00e7\u00e3o dos depoentes. Nunca esque\u00e7amos que, afinal, seremos julgados n\u00e3o apenas por mobiliza\u00e7\u00e3o imediatista das aten\u00e7\u00f5es muitas vezes ef\u00eameras no presente, mas pelo relat\u00f3rio final. \u00c9 isso que interessa. \u00c9 isso que conta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O grupo tratou tamb\u00e9m dos militares perseguidos pela ditadura e citou que centenas de pra\u00e7as, opositores do regime, foram alvos dos oficiais. O entendimento da comiss\u00e3o \u00e9 que a hist\u00f3ria deles n\u00e3o ganhou visibilidade. Apenas alguns deles, como Carlos Lamarca, ficaram conhecidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O Correio braziliense<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Correio, <\/span>26.02.2013<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Pinheiro assume a Comiss\u00e3o da Verdade<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade fez ontem um balan\u00e7o dos trabalhos desenvolvidos at\u00e9 o momento, em quase 10 meses de funcionamento. No encontro, que reuniu representantes de 30 colegiados das unidades da Federa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es de classe, tamb\u00e9m foi apresentado oficialmente o novo coordenador do grupo, nomeado na semana passada: o professor Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, ex-secret\u00e1rio de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso. Pinheiro dever\u00e1 dar um tom mais discreto \u00e0 comiss\u00e3o, seguindo o estilo adotado quando esteve no Executivo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Assim como os dois antecessores \u2014 o ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) Gilson Dipp e o ex-procurador-geral da Rep\u00fablica Cl\u00e1udio Fonteles \u2014, Pinheiro \u00e9 ligado \u00e0 quest\u00e3o dos direitos humanos. Al\u00e9m de ter trabalhado na \u00e1rea, ele era integrante do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo, onde foi professor titular. Ao contr\u00e1rio dos antecessores, Pinheiro \u00e9 avesso a entrevistas, mantendo as apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u00e0s estritamente necess\u00e1rias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A discreta atua\u00e7\u00e3o do ex-ministro foi notada, por exemplo, durante a elabora\u00e7\u00e3o do primeiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), entre 1996 e 2002, quando ele relatou a proposta. No governo do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ele foi o revisor do mesmo plano, que est\u00e1 em vigor desde 2009. Na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, pelo menos at\u00e9 15 de maio, quando termina seu mandato como coordenador do colegiado, Pinheiro ter\u00e1 poucos temas espinhosos para resolver.<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">\u201c<\/span>N\u00e3o d\u00e1 para sermos como aquele que abre a porta da geladeira, v\u00ea a luz e come\u00e7a a dar entrevista. Muitas vezes, o a\u00e7odamento em divulgar um documento, um depoimento ou uma suspeita p\u00f5e em terra o trabalho cuidadoso de investiga\u00e7\u00e3o, de coleta de ind\u00edcios e identifica\u00e7\u00e3o de depoentes\u201d, disse Pinheiro, durante o encontro de ontem. Segundo ele, uma das metas do colegiado ser\u00e1 a quest\u00e3o dos mortos e desaparecidos durante a ditadura. Pelo menos 40 pessoas j\u00e1 foram ouvidas pela comiss\u00e3o desde maio do ano passado, incluindo agentes p\u00fablicos que atuaram no regime militar e torturadores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No encontro de ontem, as comiss\u00f5es estaduais da verdade tamb\u00e9m mostraram os resultados dos trabalhos, divididos em tr\u00eas blocos. No primeiro, apresentado pela advogada Rosa Maria Cardoso, foi abordado o golpe de 1964. Em seguida foram discutidas as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no campo e em terras ind\u00edgenas. Na \u00faltima parte, a apresenta\u00e7\u00e3o focou os crimes graves contra os direitos humanos. Segundo levantamentos da comiss\u00e3o, pelo menos 50 mil pessoas foram alvo da repress\u00e3o durante a ditadura. Muitas delas chegaram a ser presas em navios e em est\u00e1dios.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Cada um dos blocos foi dividido por temas apresentados pelos conselheiros que atuam em cada setor. O ex-ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Carlos Dias, por exemplo, fez um balan\u00e7o sobre a ditadura e o sistema de Justi\u00e7a, enquanto Fonteles apresentou seu trabalho em torno do Estado ditatorial-militar. O novo coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade falou do papel das igrejas na durante ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Foco em tr\u00eas eixos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Criada em 2009, mas instalada apenas em maio do ano passado, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade tem como obriga\u00e7\u00e3o investigar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos durante o regime militar e de outros governos ditatoriais em diferentes per\u00edodos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pelo menos tr\u00eas casos t\u00eam sido priorizados pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade: a quest\u00e3o da Guerrilha do Araguaia, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970; a localiza\u00e7\u00e3o dos chamados por\u00f5es da ditadura; e a Opera\u00e7\u00e3o Condor, que teria unido as ditaduras sul-americanas. No \u00faltimo caso, o colegiado analisa as caracter\u00edsticas da morte dos ex-presidentes do Brasil Jo\u00e3o Goulart e Juscelino Kubitschek. \u201cAlcan\u00e7amos nove meses da nossa jornada e, apesar de muito trabalho j\u00e1 ter sido feito, temos ainda um longo caminho pela frente\u201d, diz o coordenador da comiss\u00e3o, Paulo S\u00e9rgio Pinheiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Pinheiro, alguns \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos t\u00eam sido fundamentais para os trabalhos do grupo, como os minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o, de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e de Defesa, al\u00e9m de empresas estatais, como a Petrobras, e as pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas. Ontem, o colegiado firmou tr\u00eas conv\u00eanios \u2014 com a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria e com os Conselhos dos P\u00f3s-Graduados em Direito. (EL)<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil pedir\u00e1 aos EUA dados sobre &#8220;c\u00f4nsul&#8221; Comiss\u00e3o da Verdade quer que governo Obama esclare\u00e7a papel do agente Halliwell, que visitava o Dops-SP nos anos 1970 O envolvimento do ex-diplomata americano Claris Halliwell com a ditadura militar brasileira est\u00e1 causando embara\u00e7o diplom\u00e1tico entre os dois pa\u00edses em para evitar mal entendidos, a Comiss\u00e3o Nacional da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3763"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}