{"id":3840,"date":"2013-03-01T16:38:32","date_gmt":"2013-03-01T16:38:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/01\/comissao-da-verdade-de-sp-ouve-parentes-e-amigos-de-desaparecidos-da-ditadura\/"},"modified":"2013-03-01T16:38:32","modified_gmt":"2013-03-01T16:38:32","slug":"comissao-da-verdade-de-sp-ouve-parentes-e-amigos-de-desaparecidos-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/01\/comissao-da-verdade-de-sp-ouve-parentes-e-amigos-de-desaparecidos-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade de SP ouve parentes e amigos de desaparecidos da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Parentes e amigos de desaparecidos pol\u00edticos da ditadura militar deram depoimentos hoje (28) na Comiss\u00e3o da Verdade do estado de S\u00e3o Paulo. Entre eles, a neta de David Capistrano, um dos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A jornalista Cec\u00edlia Capistrano fez um relato emocionado do sofrimento da fam\u00edlia com o desaparecimento do av\u00f4.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3839\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/_MCSP0144.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" style=\"vertical-align: middle;\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ela disse que ap\u00f3s ter passado a atuar na clandestinidade e se mudado, em 1972, para a Checoslov\u00e1quia, David decidiu retornar para o Brasil, em 1974. \u201cTodos pediam para que David n\u00e3o voltasse, sabiam que algo de ruim estava para acontecer\u201d, disse Cec\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo os registros da Comiss\u00e3o da Verdade, David desapareceu em 1974, ao longo do percurso entre as cidades de Uruguaiana (RS) e S\u00e3o Paulo, quando viajava de carro para reencontrar a fam\u00edlia. \u201cO relato que eu queria dar \u00e9 desse sofrimento que vai passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u201d, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia de Elson Costa, outro militante do PCB que sumiu durante a ditadura, pediu \u00e0 Comiss\u00e3o a mudan\u00e7a no atestado de \u00f3bito. Ela quer que o documento no qual consta Elson como \u201cdesaparecido\u201d, passe a constar \u201cassassinado por tortura\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com Jos\u00e9 Miguel Soares Winsk, sobrinho de Elson Costa, seu tio foi torturado durante 20 dias, al\u00e9m de ter recebido uma inje\u00e7\u00e3o com l\u00edquido para matar cavalos. O corpo teria sido jogado em um rio na cidade de Avar\u00e9, interior de S\u00e3o Paulo. \u201cSegundo depoimentos extraoficiais, ele foi levado para uma ch\u00e1cara em Itapevi, onde funcionava um centro de tortura\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Elson desapareceu em janeiro de 1975, segundo testemunhas, ap\u00f3s ter sido preso em um bar ao lado de sua casa em S\u00e3o Paulo, enquanto tomava caf\u00e9 da manh\u00e3. \u201cA fam\u00edlia o procurou das mais diferentes maneiras, escrevendo cartas ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. A vi\u00fava escreveu ao presidente da Rep\u00fablica\u201d, disse Winsk.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Genivaldo Medeiros da Silva, amigo do desaparecido Jos\u00e9 Montenegro de Lima, relatou que esteve preso e recebeu tortura no DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna) por cerca de 20 dias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ele disse que foi preso pela pol\u00edcia dez dias depois do desaparecimento de Jos\u00e9 Montenegro. O amigo estava sumido desde 29 de setembro de 1975. Genivaldo relatou \u00e0 comiss\u00e3o que, quando chegou ao DOI-Codi, os torturadores diziam que Montenegro estava morto \u201ce que se eu n\u00e3o colaborasse ia morrer tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra amiga de Montenegro, a m\u00e9dica Albertina Duarte, trabalhava no Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo no per\u00edodo em que ele desapareceu. Segundo ela, o amigo atuava como um facilitador entre os militantes, articulando a ida de muitos deles ao centro m\u00e9dico. \u201cEle montava estrat\u00e9gias de atendimento\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como os integrantes do PCB viviam na clandestinidade, muitos dos tratamentos m\u00e9dicos e cirurgias de que precisavam eram feitos de modo prec\u00e1rio. A pr\u00f3pria Albertina era quem fazia as interven\u00e7\u00f5es. A m\u00e9dica disse que n\u00e3o podia nem mesmo contar com estoques de sangue durante as opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Albertina relatou, em um depoimento emocionado, que chegou a esconder muitos dos seus pacientes militantes no banheiro do hospital, para que n\u00e3o fossem reconhecidos. Em certo momento, come\u00e7ou a reparar que fichas m\u00e9dicas passaram a desaparecer do seu consult\u00f3rio. Em 1968, no munic\u00edpio de Sorocaba, ela tamb\u00e9m foi presa durante sete dias.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parentes e amigos de desaparecidos pol\u00edticos da ditadura militar deram depoimentos hoje (28) na Comiss\u00e3o da Verdade do estado de S\u00e3o Paulo. 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