{"id":3841,"date":"2013-03-01T16:45:32","date_gmt":"2013-03-01T16:45:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/01\/viuva-de-policial-desaparecido-na-ditadura-nao-recebe-o-que-tem-direito\/"},"modified":"2013-03-01T16:45:32","modified_gmt":"2013-03-01T16:45:32","slug":"viuva-de-policial-desaparecido-na-ditadura-nao-recebe-o-que-tem-direito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/01\/viuva-de-policial-desaparecido-na-ditadura-nao-recebe-o-que-tem-direito\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava de policial desaparecido na ditadura n\u00e3o recebe o que tem direito"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">W\u00e1lter Ribeiro Novaes era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria) e desapareceu em 1971, ap\u00f3s ser preso por agentes da ditadura. Baiano, trabalhava em Copacabana, no Rio de Janeiro, como guarda-vidas, categoria hoje integrada \u00e0 Pol\u00edcia Civil. A esposa de W\u00e1lter, Atamilca Ortiz Novaes, com quem ele teve dois filhos, at\u00e9 hoje n\u00e3o recebe nenhum tipo de repara\u00e7\u00e3o financeira do Estado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i1.wp.com\/quemtemmedodademocracia.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Terra_Brasilis_lamarca_embaixador_su%C3%AD%C3%A7o.jpg?resize=356%2C236\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Carlos Lamarca e o embaixador su\u00ed\u00e7o Giovanni Enrico Bucher fazem parte da hist\u00f3ria de W\u00e1lter Ribeiro Novaes.  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Atamilca \u00e9 ind\u00edgena e mora hoje numa aldeia na fronteira do Brasil com a Col\u00f4mbia. Marcos Novaes, que \u00e9 advogado e primo em 2\u00ba grau de W\u00e1lter, relatou ao jornal do SINPOL que a fam\u00edlia est\u00e1 se esfor\u00e7ando para reunir condi\u00e7\u00f5es financeiras que permitam traz\u00ea-la de volta ao RJ, onde poder\u00e1 reivindicar seus direitos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com documento do Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro, a pris\u00e3o que resultou no desaparecimento de W\u00e1lter ocorreu no dia 12\/07\/1971. Mas um documento da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos d\u00e1 conta de que ele foi preso duas vezes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa teria sido em 13\/06\/1970. Ronaldo Aguinaga, ex-militante da ALN (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional), esteve preso com W\u00e1lter naquela ocasi\u00e3o. \u201cPor causa do meu envolvimento log\u00edstico com o sequestro do embaixador alem\u00e3o, fui preso pelo CENIMAR (Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha) em 16\/06\/70. Primeiro fui levado para o 1\u00ba Distrito Naval, depois para o DOI-CODI.\u201d, contou Ronaldo ao jornal do SINPOL.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ronaldo relatou que, no DOI-CODI, ficou inicialmente numa cela solit\u00e1ria por 15 dias e s\u00f3 depois foi transferido para onde se encontrava W\u00e1lter. \u201cEu tinha 22 anos, est\u00e1vamos na Copa de 70. Ficamos n\u00f3s dois numa cela, que era a \u00fanica gradeada. Ele era um cara tranq\u00fcilo, calmo, gente fina, sempre sorrindo dentro do poss\u00edvel na situa\u00e7\u00e3o. Ele foi solto antes de mim.\u201d, lembrou Ronaldo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Essa primeira pris\u00e3o de W\u00e1lter durou dois meses. Ao ser libertado, passou a viver na clandestinidade e teria assumido, na VPR, a tarefa de cuidar da infraestrutura do comando da organiza\u00e7\u00e3o, onde era conhecido como \u201ccareca\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A segunda pris\u00e3o, ocorrida em 1971, foi a que resultou no desaparecimento. Segundo informa\u00e7\u00f5es do grupo Tortura Nunca Mais, W\u00e1lter teria sido preso no bairro da Penha, Rio de Janeiro, por volta das 18:30, quando ia para um encontro de rua com um simpatizante da organiza\u00e7\u00e3o conhecido como Al\u00edpio, que tamb\u00e9m era salva-vidas e trabalhava na Barra da Tijuca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1972, o militante da VPR Jos\u00e9 Carlos Mendes, ent\u00e3o com 18 anos, chegou ao Chile com uma jovem ind\u00edgena e os dois filhos dela. A mo\u00e7a era Atamilca Ortiz Novaes, esposa de \u201cDico\u201d (nome de guerra de W\u00e1lter). Jos\u00e9 Carlos relembrou para o jornal do SINPOL a hist\u00f3ria de amor que envolve esse caso:<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA esposa de W\u00e1lter, Atamilca, trabalhava como dom\u00e9stica em casa de militares na cidade de Let\u00edcia, fronteira do Brasil com a Col\u00f4mbia. Os militares a trouxeram para trabalhar no Rio. \u00cdndia, n\u00e3o estava acostumada com o mar. Ela estava se afogando em Copacabana quando W\u00e1lter a salvou. Assim se conheceram.\u201d, narrou Jos\u00e9 Carlos frisando a coragem de W\u00e1lter por n\u00e3o ter delatado nada aos torturadores. \u201cPor isso ele morreu\u201d. Jos\u00e9 Carlos contou ainda que, ap\u00f3s se exilar no Chile, Atamilca morou durante anos na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No Chile, quem recebeu a ind\u00edgena e seus filhos, Arlindo e Tatiana, beb\u00ea de colo, foi Alu\u00edzio Palmar: \u201cEu era respons\u00e1vel pela VPR no Chile, peguei os tr\u00eas e levei para um circo fora de Santiago, onde ficaram confinados por cerca de cinco meses.\u201d, contou Palmar ao jornal do SINPOL.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEles j\u00e1 sabiam que o W\u00e1lter tinha sido preso, por isso a VPR os tirou do Brasil, pela fronteira seca, no Paran\u00e1. W\u00e1lter e Atamilca moravam num sub\u00farbio do Rio e eram t\u00e3o confi\u00e1veis dentro da organiza\u00e7\u00e3o que chegaram a hospedar Lamarca\u201d, relatou Palmar, jornalista e autor do livro \u201cOnde foi que voc\u00eas enterraram nossos mortos?\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 duas vers\u00f5es a respeito de como W\u00e1lter teria morrido. Os ex-presos pol\u00edticos Alex Polari de Alverga e L\u00facia Maur\u00edcio Alverga, tamb\u00e9m da VPR, em depoimentos prestados na \u00e9poca \u00e0 Justi\u00e7a Militar, denunciaram que agentes do DOI-CODI\/RJ disseram que Walter estava morto ap\u00f3s ter sido torturado naquele \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 In\u00eas Etienne Romeu, que esteve seq\u00fcestrada em s\u00edtio clandestino em Petr\u00f3polis (RJ), onde funcionava a chamada \u201cCasa da Morte\u201d, escreveu em relat\u00f3rio de pris\u00e3o que ali esteve, em julho de 1971, um militante que ela acredita ser Walter Ribeiro Novaes. Ela diz ter ouvido de um carcereiro, conhecido como M\u00e1rcio, que ele o tinha matado. Segundo ela, no per\u00edodo entre 8 e 14 de Julho, os carcereiros teriam comemorado a morte de W\u00e1lter.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fernando Bandeira, presidente do SINPOL, acredita na import\u00e2ncia de que hist\u00f3rias como essa venham \u00e0 tona: \u201cEstamos vivendo a Comiss\u00e3o da Verdade. Eu, que fui preso por ter participado da Revolta dos Marinheiros, considero relevante resgatar a mem\u00f3ria de algu\u00e9m que lutou por um ideal e hoje seria nosso companheiro na pol\u00edcia.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dentre outras a\u00e7\u00f5es de guerrilha, W\u00e1lter, que hoje d\u00e1 nome a uma rua paulistana no bairro Jardim Andara\u00ed, participou do sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o, Giovanni Enrico Bucher, em 1970. Ex-companheiros de W\u00e1lter na VPR, com os quais jornal do SINPOL conversou, consideram esses sequestros como \u201cum dos feitos mais marcantes da resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar brasileira.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em troca da liberdade dos embaixadores, os guerrilheiros exigiam a liberta\u00e7\u00e3o de amigos capturados, que estavam sendo torturados. O embaixador su\u00ed\u00e7o foi trocado por 70 presos pol\u00edticos, deportados para o Chile em janeiro de 1971. Essa atitude era tamb\u00e9m um meio de chamar aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, que dava a esses seq\u00fcestros uma cobertura maior do que de outras a\u00e7\u00f5es da luta armada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por Ana Helena Tavares &#8211; jornalista, assessora de imprensa do Sindicato dos Policiais Civis do RJ (SINPOL) e editora do site \u201cQuem tem medo da democracia?\u201d (QTMD?).<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>W\u00e1lter Ribeiro Novaes era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria) e desapareceu em 1971, ap\u00f3s ser preso por agentes da ditadura. Baiano, trabalhava em Copacabana, no Rio de Janeiro, como guarda-vidas, categoria hoje integrada \u00e0 Pol\u00edcia Civil. 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