{"id":3913,"date":"2013-03-06T17:26:15","date_gmt":"2013-03-06T17:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/06\/comissao-da-verdade-paulista-mostra-que-iara-iavelberg-foi-assassinada\/"},"modified":"2013-03-06T17:26:15","modified_gmt":"2013-03-06T17:26:15","slug":"comissao-da-verdade-paulista-mostra-que-iara-iavelberg-foi-assassinada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/06\/comissao-da-verdade-paulista-mostra-que-iara-iavelberg-foi-assassinada\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade paulista mostra que Iara Iavelberg foi assassinada"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Audi\u00eancia p\u00fablica realizada na Assembleia Legislativa revelou elementos e depoimentos comprovando que ex-companheira de Carlos Lamarca n\u00e3o se suicidou, como dizia a vers\u00e3o oficial<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo \u201cRubens Paiva\u201d, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), realizou dia 4, na Assembleia Legislativa, uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre o caso Iara Iavelberg. Psic\u00f3loga e professora, ela foi assassinada pela pol\u00edcia no dia 20 de agosto de 1971, aos 27 anos, no bairro da Pituba, em Salvador, ap\u00f3s um cerco policial. Iara era companheira do guerrilheiro Carlos Lamarca, a quem conheceu na Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR) antes de se mudarem para o Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro (MR-8).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na audi\u00eancia, o m\u00e9dico Daniel Romero Mu\u00f1oz, respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o da necropsia dos restos de Iara em 2003, ap\u00f3s autoriza\u00e7\u00e3o judicial, mostrou os resultados dos exames comprovando que a tese de suic\u00eddio n\u00e3o se sustenta. O ferimento a bala que a matou n\u00e3o poderia ter sido causado por um tiro t\u00edpico de suic\u00eddio, com a arma encostada no corpo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 testemunhos na vizinhan\u00e7a que teriam ouvido Iara se render pouco antes de serem ouvidos tiros. No entanto, os policiais que participaram da opera\u00e7\u00e3o provavelmente n\u00e3o sabiam tratar-se de Iara Iavelberg. Como companheira de Lamarca, ela era mais valiosa viva. Carlos Lamarca ainda n\u00e3o tinha sido morto. Ele morreu quase um m\u00eas depois da companheira, em 17 de setembro de 1971.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A grande dificuldade encontrada pela fam\u00edlia para prosseguir com as investiga\u00e7\u00f5es em busca da verdade decorreu de quest\u00f5es aparentemente religiosas. De fam\u00edlia judia, Iara foi enterrada no setor de suicidas no Cemit\u00e9rio Israelita de S\u00e3o Paulo. A luta judicial para se conseguir autoriza\u00e7\u00e3o para exumar o cad\u00e1ver e proceder aos exames durou anos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo PT, trabalhou para a fam\u00edlia Iavelberg no caso. Segundo ele, entidades judaicas \u201cfizeram um verdadeiro cerco ao Judici\u00e1rio\u201d na tentativa de impedir a exuma\u00e7\u00e3o. Elas argumentavam que o Estado brasileiro, laico, n\u00e3o poderia interferir em quest\u00f5es religiosas. \u201cDo ponto de vista jur\u00eddico, esse caso foi extremamente interessante\u201d, disse Greenhalgh. O Cemit\u00e9rio Israelita se apegava \u00e0 vers\u00e3o oficial. A fam\u00edlia Iavelberg moveu a a\u00e7\u00e3o para que o corpo de Iara tivesse o mesmo tratamento dos outros mortos. O judeu suicida \u00e9 enterrado de costas para os outros e com o rosto virado para o muro do cemit\u00e9rio. Finalmente, no Tribunal de Justi\u00e7a, a autoriza\u00e7\u00e3o foi dada. A exuma\u00e7\u00e3o e a per\u00edcia comprovaram o homic\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O advogado contou que o caso de Iara Iavelberg est\u00e1 servindo como precedente importante. \u201cA decis\u00e3o tem sido usada por advogados de outros casos semelhantes, de fam\u00edlias judaicas, que nos procuraram\u201d, contou o ex-deputado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Filme<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O caso Iara Iavelberg \u00e9 o tema do document\u00e1rio Em busca de Iara, realizado pelo casal Fl\u00e1vio Frederico e Mariana Pamplona, sobrinha da ex-guerrilheira, que estiveram na audi\u00eancia na Assembleia Legislativa, quando foi exibido um trecho do filme.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio vai estrear oficialmente no festival \u00c9 Tudo Verdade, que ser\u00e1 realizado em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, de 4 a 14 de abril de 2013.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Greenhalgh, do m\u00e9dico legista Daniel Romero Mu\u00f1oz e dos diretores do filme, participaram da audi\u00eancia p\u00fablica desta segunda-feira amigos e familiares de Iara Iavelberg, como seu irm\u00e3o Samuel, a sobrinha Mariana Pamplona e a amiga de faculdade amiga da Faculdade de Psicologia da USP Tutinha (Maria Magaldi), entre outros.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audi\u00eancia p\u00fablica realizada na Assembleia Legislativa revelou elementos e depoimentos comprovando que ex-companheira de Carlos Lamarca n\u00e3o se suicidou, como dizia a vers\u00e3o oficial A Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo \u201cRubens Paiva\u201d, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), realizou dia 4, na Assembleia Legislativa, uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre o caso Iara Iavelberg. 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