{"id":4018,"date":"2013-03-10T12:47:45","date_gmt":"2013-03-10T12:47:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/mulheres-do-araguaia-tracos-comuns-entre-as-comunistas\/"},"modified":"2013-03-10T12:47:45","modified_gmt":"2013-03-10T12:47:45","slug":"mulheres-do-araguaia-tracos-comuns-entre-as-comunistas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/mulheres-do-araguaia-tracos-comuns-entre-as-comunistas\/","title":{"rendered":"Mulheres do Araguaia: Tra\u00e7os comuns entre as comunistas"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade \u201cRubens Paiva\u201d da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo realizou hoje (07) uma audi\u00eancia p\u00fablica para coletar informa\u00e7\u00f5es sobre as mulheres paulistas que participaram da Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4016\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/549176_492773864093255_1002846143_n39119.jpg\" border=\"0\" width=\"278\" height=\"360\" style=\"vertical-align: middle;\" srcset=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/549176_492773864093255_1002846143_n39119.jpg 278w, http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/549176_492773864093255_1002846143_n39119-232x300.jpg 232w\" sizes=\"(max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entre todos os depoimentos foi poss\u00edvel pincelar alguns tra\u00e7os da personalidade das guerrilheiras, tra\u00e7os que tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nas mulheres militantes do PCdoB na atualidade.\u00a0A heran\u00e7a \u00e9 valorosa, afinal, n\u00e3o \u00e9 qualquer partido pol\u00edtico que tem em sua hist\u00f3ria a marca de protagonismo, entusiasmo, convic\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, serenidade, solidariedade, abnega\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia do papel que pode jogar para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Maria Am\u00e9lia de Almeida Teles, a Amelinha, que tamb\u00e9m foi presa pelas for\u00e7as represssoras, abriu a audi\u00eancia para relatar a dor que muitas mulheres passaram no per\u00edodo da ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Maria Am\u00e9lia, as militantes apoiaram todos os tipos de protestos e manifesta\u00e7\u00f5es, sendo eles armados ou n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEssas mulheres tiveram suas crian\u00e7as na clandestinidade, nas pris\u00f5es. Viram suas crian\u00e7as expostas \u00e0s sess\u00f5es de tortura, amea\u00e7adas ou mesmo torturadas. Elas sofreram abortos dolorosos\u201d, ressentiu Amelinha.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Helenira Resende de Souza Nazareth<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pela t\u00e1tica arquitetada pelos dirigentes, havia mais de uma frente e, segundo a Crim\u00e9ia Alice Schmidt de Almeida, tamb\u00e9m atuante nas terras de Xambio\u00e1, Helenira ficou muito conhecida porque pertencia ao destacamento C, que foi o primeiro a ser atacado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Helenira, que foi vice-presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, atuava no movimento estudantil da Universidade de S\u00e3o Paulo e auxiliou a forma\u00e7\u00e3o do Centro Acad\u00eamico de Letras (CAEL). Foi l\u00e1 que conheceu a ent\u00e3o estudante Cl\u00e1udia de Arruda Campos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA primeira impress\u00e3o que tive da Helenira foi: meu Deus, que mulher mais bonita. E a segunda foi a seguinte: que mulher inteligente\u201d. As duas organizavam as lutas do Centro Acad\u00eamico, \u201cmas era Helenira que era a nossa figura p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Protagonista e firme, Helenira formou gera\u00e7\u00f5es na universidade estadual. Antes de partir para o Araguaia, encontrou a irm\u00e3 Helenalda Resende no dia do seu casamento.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEla estava escondida perto da porta e foi l\u00e1 me ver, me deu um abra\u00e7o e foi embora\u201d, recordou-se Helenalda, que at\u00e9 hoje luta para que os documentos que retratam a morte da irm\u00e3 tornem-se p\u00fablicos, assim como onde est\u00e1 a sua ossada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Crimeia lembrou dos tra\u00e7os da personalidade da combatente. \u201cEla era muito decidida, brincalhona, bonita e exigente. Ela tinha muita consci\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o que sofria por ser mulher e negra. Ela tinha muito orgulho disso\u201d, relembrou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Helenira que chegou a usar o codinome F\u00e1tima, era conhecida na universidade como \u201cPreta\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Everaldo Gon\u00e7alvez, outro colega de universidade ressaltou as qualidades da guerrilheira como \u201cuma pessoa muito vibrante e de decis\u00e3o quando falava. Ela era sempre vibrante\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria L\u00facia Petit da Silva<\/strong><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Maria, como era chamada na a\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 repress\u00e3o, era ainda uma menina quando ingressou na milit\u00e2ncia pol\u00edtica. A sua porta de entrada foi o movimento secundarista paulista que conheceu quando estudava Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Fern\u00e3o Dias, que fica bairro de Pinheiros. Depois de ser formar, cursou magist\u00e9rio e passou a dar aulas para crian\u00e7as em uma escola da zona norte da capital. Paciente e serena, ela se \u201centusiasmava com a sua experi\u00eancia com as crian\u00e7as\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um tra\u00e7o marcante dos comunistas, principalmente dos jovens \u00e9 a f\u00e9 no ser humano. Talvez, seja por isso que Maria n\u00e3o desconfiou de Jo\u00e3o Coioi\u00f3, campon\u00eas infiltrado que armou a emboscada para a sua morte.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A matriarca da fam\u00edlia Petit teve mais dois filhos mortos pela ditadura, Jaime e L\u00facio Petit. \u201cEla morreu sem saber o paradeiro da filha e chegou presumir que os filhos estavam exilados e justamente por isso, n\u00e3o podiam entrar em contato com os parentes\u201d, informou Laura Petit, irm\u00e3 de Maria L\u00facia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Luiza Augusta Garlippe<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Luiza veio do interior do estado de S\u00e3o Paulo para estudar enfermagem na Universidade de S\u00e3o Paulo. Chegou a ser enfermeira-chefe e ajudou a construir a Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios do Hospital das Cl\u00ednicas (HC).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Seu irm\u00e3o Saulo Garlippe, que tamb\u00e9m era do PCdoB naquela \u00e9poca, a viu pela \u00faltima vez em um encontro marcado, em frente ao Cine J\u00f3ia, no centro da cidade. A maior preocupa\u00e7\u00e3o de Luiza antes de ir para a guerrilha era com a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEla me falou que estava indo fazer um trabalho militante no Araguaia, mas me pediu para eu cuidar da nossa fam\u00edlia\u201d. A militante pediu para o irm\u00e3o inventar uma mentira sobre a sua aus\u00eancia para n\u00e3o preocupar e expor a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Suely Yumiko Kanayama<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A estudiosa e descendente de japon\u00eas Suely Yumiko Kanayama passou com louvor entre os vinte primeiros colocados no vestibular da USP para cursar l\u00edngua portuguesa e germ\u00e2nica.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A Pequenina Suely foi a \u00faltima a chegar na regi\u00e3o do Araguaia. A sua estatura e f\u00edsico chegou a preocupar os militantes que j\u00e1 estavam l\u00e1. \u201cEla era mesmo muito pequenininha, era a tradicional figura de uma nissei\u201d, disse Cl\u00e1udia Arruda que foi a \u201crecrutadora\u201d da estudante de letras.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Cl\u00e1udia, Suely era muito carinhosa e amiga. \u201cEu ficava brincando de pegar o p\u00e9zinho dela e a gente ria dessa brincadeira\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Conhecida como \u201cChica\u201d, a militante do destacamento B da Guerrilha \u00e9 lembrada como uma mulher decidida. Cl\u00e1udia citou uma frase que ouviu a respeito de Suely: \u201cEla era como um samurai, que nos orgulhou com a sua firmeza e ultrapassou todos os seus limites para defender aquilo que ela acreditava\u201d, rememorou a colega.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A Comiss\u00e3o da Verdade \u201cRubens Paiva\u201d da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo realizou hoje (07) uma audi\u00eancia p\u00fablica para coletar informa\u00e7\u00f5es sobre as mulheres paulistas que participaram da Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4018"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4016"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}