{"id":4019,"date":"2013-03-10T12:51:47","date_gmt":"2013-03-10T12:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/o-quartel-da-pe-e-a-morte-de-rubens-paiva\/"},"modified":"2013-03-10T12:51:47","modified_gmt":"2013-03-10T12:51:47","slug":"o-quartel-da-pe-e-a-morte-de-rubens-paiva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/o-quartel-da-pe-e-a-morte-de-rubens-paiva\/","title":{"rendered":"O quartel da PE e a morte de Rubens Paiva"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>O sil\u00eancio dos comandantes militares em torno dos crimes cometidos em quart\u00e9is por oficiais que cumpriam ordens dos hierarcas da ditadura teve tr\u00eas efeitos sucessivos:  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No primeiro, negando que as torturas e os assassinatos tenham ocorrido, contaminaram as institui\u00e7\u00f5es militares nacionais. (Salvo para quem acredita que cerca de 40 guerrilheiros do Araguaia desapareceram a partir de outubro de 1973, sem que o Ex\u00e9rcito tenha conseguido capturar um s\u00f3 deles. Em maio de 1945 havia cerca de 20 pessoas no bunker de Hitler em Berlim, sumiu s\u00f3 uma.)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Noutro efeito, mais recente, a responsabilidade nominal e exclusiva deslizou para oficiais que \u00e0 \u00e9poca eram, no m\u00e1ximo, coron\u00e9is. Na maioria dos casos, capit\u00e3es ou majores com cerca de 30 anos. Todos condecorados com a Medalha do Pacificador pelos ministros Lyra Tavares, Orlando Geisel, Dale Coutinho e Sylvio Frota. N\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de oficial repreendido por pr\u00e1tica de torturas ou de execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Percebe-se agora um terceiro efeito: o deslizamento para a mem\u00f3ria de oficiais mortos. Exemplo dessa tend\u00eancia \u00e9 o envolvimento do ent\u00e3o coronel Ney Fernandes Antunes, comandante do Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito do Rio na morte do ex-deputado Rubens Paiva no DOI do I Ex\u00e9rcito, que funcionava no mesmo quartel, na Rua Bar\u00e3o de Mesquita. Essa associa\u00e7\u00e3o remonta aos anos 80 e partiu do tenente-m\u00e9dico Amilcar Lobo, preciosa testemunha da agonia do preso, na madrugada de 22 de janeiro de 1971. Diante do sil\u00eancio dos chefes militares, ressoam as den\u00fancias de que ele presenciou torturas. Uma coisa \u00e9 certa: se ele n\u00e3o sabia de tudo o que acontecia l\u00e1, sabia o suficiente para perceber a extens\u00e3o dos crimes ali praticados. Ele e todos os seus chefes. O coronel morreu nos anos 70, n\u00e3o pode se defender, nem se explicar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O comandante do 1\u00ba Batalh\u00e3o da PE n\u00e3o tinha jurisdi\u00e7\u00e3o sobre o DOI, que funcionava num pavilh\u00e3o dentro do seu quartel. Cl\u00e1udio Fonteles, membro da Comiss\u00e3o da Verdade, produziu um documento dizendo que o assassinato de Paiva foi \u201cconsumado no Pelot\u00e3o de Investiga\u00e7\u00f5es Criminais do PIC do DOI\/Codi do I Ex\u00e9rcito.\u201d \u00c9 um detalhe, mas n\u00e3o existia PIC do DOI. O PIC era do batalh\u00e3o da PE. Funcionava no mesmo pavilh\u00e3o que o DOI e seus oficiais circulavam pela central de supl\u00edcios. Em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o se associa o quartel do 8\u00ba Batalh\u00e3o da PE com as torturas do DOI porque o destacamento funcionava noutro pr\u00e9dio, a centenas de metros de dist\u00e2ncia, em \u00e1rea urbana civil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rubens Paiva foi examinado por Amilcar Lobo numa cela da carceragem, quando agonizava. Pela sua narrativa, acompanhava-o um major do DOI e, no dia seguinte, o tenente Armando Av\u00f3lio Filho, do PIC, disse-lhe que o preso morrera. Na tarde anterior um militar do batalh\u00e3o teria visto Rubens Paiva sendo espancado por um oficial do DOI. Esse testemunho est\u00e1 ao alcance da Comiss\u00e3o da Verdade e de suas averigua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entre outubro de 1970 e junho de 1971, o DOI foi comandado pelo major Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham. Um documento datilografado, com data de 21 de janeiro de 1971, quando Paiva chegou ao DOI, tem uma nota manuscrita informando que \u201cdois cadernos de anota\u00e7\u00f5es\u201d do preso foram entregues ao \u201cmaj [major] Belham\u201d e devolvidos. Ele poderia estar de f\u00e9rias nesses dias e a anota\u00e7\u00e3o ter sido posterior. Nesse caso, na madrugada dos mist\u00e9rios o DOI estaria sob a chefia do subcomandante, o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso, que est\u00e1 morto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tendo chegado a general, depois de passar para a reserva, Belham ocupou um cargo de confian\u00e7a no governo de Lula, a vice-presid\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o Habitacional do Ex\u00e9rcito. Foi demitido em 2010 porque encrencou-se com as vi\u00favas dos 18 militares mortos durante o terremoto do Haiti. Nesse epis\u00f3dio, explicou-se: \u201cPosso ser veemente na defesa das minhas ideias, mas jamais est\u00fapido, grosseiro, ou mal-educado: duvido que haja algu\u00e9m, homem ou mulher, que tenha convivido comigo nos 46 anos de Ex\u00e9rcito e 12 anos de Fundex, que diga isso de mim\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aos 78 anos, Belham pode contar o que acontecia naquele pavilh\u00e3o onde praticavam-se mais que grosserias contra homens e mulheres. No m\u00ednimo, lembrar quais eram os oficiais e sargentos que l\u00e1 poderiam estar na madrugada de 22 de janeiro, quando o cad\u00e1ver de Paiva foi retirado do pr\u00e9dio. (Num epis\u00f3dio similar, ocorrido com Chael Charles Schreier dois meses antes, o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito operou a desova tentando, sem sucesso, internar seu cad\u00e1ver no Hospital Central da corpora\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pela rotina de hoje, o Ex\u00e9rcito registra que, entre 1970 e 1975, um oficial ficou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, serviu no gabinete do ministro, ou ainda no comando do I Ex\u00e9rcito. O curioso olha e presume: ele esteve no Gabinete Militar do Planalto, foi oficial de gabinete do ministro e tornou-se ajudante de ordens do comandante da tropa do Rio. Nada disso, o capit\u00e3o serviu no SNI, no CIE ou no DOI da Bar\u00e3o de Mesquita.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No caso de Paiva simulou-se sua fuga, num teatrinho durante o qual teria sido sequestrado enquanto era levado numa dilig\u00eancia. No epis\u00f3dio, terroristas teriam incendiado o Volkswagen em que ele viajava, escoltado pelo capit\u00e3o Raimundo Ronaldo Campos e dois sargentos do DOI. Todos vivos. Se os deslizamentos n\u00e3o forem contidos, o caso Rubens Paiva terminar\u00e1 assim: ele foi massacrado na PE do coronel Ney Fernandes Antunes (que n\u00e3o comandava o DOI), e o respons\u00e1vel pode ter sido o ent\u00e3o major Demiurgo. Quem sabe, o comboio da desova poderia ter sido organizado s\u00f3 pelo major Freddie Perdig\u00e3o Pereira, do CIE. Todos mortos, como Rubens Paiva.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Modos<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m est\u00e1 livre de ter um piti e o doutor Joaquim Barbosa mostrou que \u00e9 chegado a um descontrole.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Da pr\u00f3xima vez que ele mandar algu\u00e9m \u201cchafurdar no lixo\u201d e decidir desculpar-se, poder\u00e1 faz\u00ea-lo pessoalmente. Pedir desculpas por interm\u00e9dio da assessoria de imprensa \u00e9 coisa de bar\u00e3o de uma elite que se julga acima da choldra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2009, um policial de Boston foi chamado a uma cena em que um negro for\u00e7ava a porta dos fundos de uma casa. Ao interpel\u00e1-lo, teria sido insultado. O negro era o professor Henry Louis Gates, professor de Harvard e dono da casa. Por causa do insulto, prendeu-o e o companheiro Obama disse que o policial agiu \u201cestupidamente\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que aconteceu com Barbosa, no epis\u00f3dio a bola estava dividida, mas o presidente dos Estados Unidos deu-se conta de que n\u00e3o devia ter dito o que dissera. Convidou Gates e o policial para tomarem uma cerveja na Casa Branca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Madame Natasha<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Madame Natasha zela pelo idioma e concedeu uma bolsa de estudos ao governo de S\u00e3o Paulo, que mant\u00e9m uma \u201cDivis\u00e3o Policial de Portos, Aeroportos, Prote\u00e7\u00e3o ao Turista e Dignit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Natasha acredita que poderiam dizer \u201cprote\u00e7\u00e3o ao viajante\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Do contr\u00e1rio, justifica-se a a\u00e7\u00e3o da quadrilha que roubava objetos nas malas dos passageiros no aeroporto de Cumbica. Se elas pertenciam a um simples contribuinte, estariam desprotegidas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Venezuela<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3xima novidade que vir\u00e1 da Venezuela ser\u00e1 uma lenta reaproxima\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica com os Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No v\u00e1cuo desta iniciativa poder\u00e1 sair da sombra uma abertura com Cuba, com quem j\u00e1 rolam conversas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Globo<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio dos comandantes militares em torno dos crimes cometidos em quart\u00e9is por oficiais que cumpriam ordens dos hierarcas da ditadura teve tr\u00eas efeitos sucessivos:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4019"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4019\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}