{"id":4025,"date":"2013-03-10T13:06:28","date_gmt":"2013-03-10T13:06:28","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/fui-estudar-o-comportamento-para-tentar-entender-tanta-maldade-conta-anistiada\/"},"modified":"2013-03-10T13:06:28","modified_gmt":"2013-03-10T13:06:28","slug":"fui-estudar-o-comportamento-para-tentar-entender-tanta-maldade-conta-anistiada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/10\/fui-estudar-o-comportamento-para-tentar-entender-tanta-maldade-conta-anistiada\/","title":{"rendered":"&#8216;Fui estudar o comportamento para tentar entender tanta maldade&#8217;, conta anistiada"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na 67\u00aa sess\u00e3o da chamada Caravana da Anistia, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, foram expostos os casos de persegui\u00e7\u00e3o sofridos por sete mulheres, de comunistas a cat\u00f3licas. A atriz e cineasta Roseli Lacreta, uma das criadoras, nos anos 1960, do Teatro da Universidade de S\u00e3o Pauo (Tusp), disse que passou o estudar o comportamento humano &#8220;para tentar entender tanta maldade&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/03\/fui-estudar-o-comportamento-para-tentar-entender-tanta-maldade-conta-anistiada\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"180\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Casos de persegui\u00e7\u00e3o sofridos por sete mulheres foram relatados na na 67\u00aa sess\u00e3o da chamada Caravana da Anistia, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a (Foto: Antonio Cruz\/ABr)  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1967, aos 21 anos, ela cursava Letras Neolatinas na USP, quando conheceu pessoas como Paulo Jos\u00e9, Dina Sfat e Fl\u00e1vio Imp\u00e9rio, entre outras que organizaram o teatro universit\u00e1rio. A estreia foi com &#8220;Os Fuzis da Senhora Carrar&#8221;, do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht, com ensaios na casa do fot\u00f3grafo de origem h\u00fangara Thomaz Farkas, que morreu h\u00e1 dois anos. Roseli foi presa e demitida, e perdeu um beb\u00ea com apenas cinco meses.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao lamentar a &#8220;doen\u00e7a da viol\u00eancia como pr\u00e1tica de puni\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o diferentes&#8221;, Roseli disse que sem um per\u00edodo passado fora do pa\u00eds ela n\u00e3o teria &#8220;resgatado minha sa\u00fade, meu equil\u00edbrio e minha capacidade de atuar&#8221;. Al\u00e9m da repara\u00e7\u00e3o, ela ganhou o direito de se matricular novamente nos cursos de Letras e Filosofia Pura, agora no Rio de Janeiro, onde mora.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nas caravanas, a cena se repete: ap\u00f3s a decis\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 concess\u00e3o da anistia, os conselheiros e presentes \u00e0 sess\u00e3o ficam em p\u00e9, enquanto o secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a e presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o, pede desculpas oficiais em nome do Estado brasileiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O papel da anistia \u00e9 fundamental para as futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Maria Deia Vieira, que teve pai e m\u00e3e perseguidos, um irm\u00e3o preso e duas irm\u00e3s torturadas. Ela fugiu de Goi\u00e2nia para S\u00e3o Paulo, onde viveu anos na clandestinidade. &#8220;Ela (Maria) foi atingida por ato de exce\u00e7\u00e3o porque teve de abdicar de todas as suas rela\u00e7\u00f5es pessoais&#8221;, observou Abr\u00e3o. O irm\u00e3o \u00e9 o l\u00edder estudantil Euler Ivo Vieira, que em1968 escapou de ser assassinado porque uma pessoa parecida foi confundida com ele.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;V\u00e3o se completar 45 anos de persegui\u00e7\u00e3o Estou com 58 anos. Minha inf\u00e2ncia e minha adolesc\u00eancia foram roubadas. Eu, sem querer, passei isso para meus filhos&#8221;, disse Maria Deia, emocionada, lembrando da carta de uma filha que falava sobre &#8220;homens de preto perseguindo meu pai e minha m\u00e3e&#8221;.\u00a0 \u00c9 ativista at\u00e9 hoje. &#8220;Eu me considero comunista. N\u00e3o aceito explora\u00e7\u00e3o do ser humano.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nunca fui comunista&#8221;, afirmou, por sua vez, Maria de Lourdes Toledo Nanci. &#8220;Minha persegui\u00e7\u00e3o se deu pelo fato de ser cat\u00f3lica.&#8221; Secret\u00e1ria de diretoria na f\u00e1brica de motores el\u00e9tricos B\u00fafalo, na regi\u00e3o do ABC, ela recordou da chegada de dom Jorge Marcos de Oliveira, bispo de Santo Andr\u00e9 durante mais de 20 anos. &#8220;Deixamos de ser crist\u00e3os que s\u00f3 rezavam em latim para ser crist\u00e3o\u00a0 que lutavam pela justi\u00e7a social&#8221;, diz a militante cat\u00f3lica, com &#8220;oito irm\u00e3os prolet\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Monitora da escola Chapeuzinho Vermelho, em 1968 Monica Tolipan foi estudar Psicologia na PUC do Rio de Janeiro. Ativista do movimento estudantil, elegeu-se presidente do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE) em 1972. Foi presa tr\u00eas vezes, incluindo dez dias em uma cela do Doi-Codi. Ap\u00f3s um ex\u00edlio de ano e meio na Argentina, voltou ao Brasil e se estabeleceu no Sul, onde ficou durante 11 anos, cinco na clandestinidade \u2013 durante um tempo, foi Monica Terra. S\u00f3 conseguiu concluir a gradua\u00e7\u00e3o em 1982. Tem experi\u00eancia no tratamento de crian\u00e7as autistas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A retomada profissional foi dif\u00edcil. &#8220;Muitos colegas se referiam a mim como algu\u00e9m que tinha se mantido na clandestinidade&#8221;, relatou. &#8220;Estou aqui para reconquistar uma cidadania de primeira classe. Ficamos confinados a uma cidadania de segunda classe durante muitos anos. J\u00e1 nascemos com a ins\u00edgnia do terror.&#8221; Monica lembrou de dom Ivo Lorscheiter, ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que saiu em sua defesa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outro caso analisado foi o de Maria Oneide Costa Lima, mulher de Raimundo Ferreira Lima, conhecido como Gringo. Agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), ele foi assassinado a tiros em 1980, pouco tempo depois de ser eleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Concei\u00e7\u00e3o do Araguaia, no Par\u00e1. Ativista, ela tamb\u00e9m chegou a ser presa no ano seguinte. Al\u00e9m desses, a comiss\u00e3o julgou os procesos de Thereza Sales Escame, professora da pastoral em S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia (MT), e L\u00e9lea Amaral, professora e militante, presa em 1970, quando estava gr\u00e1vida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Participaram da abertura a ministra da Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e o ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo. &#8220;Ter tido filhos talvez tenha sido a maior marca de resist\u00eancia de um mulher naquele per\u00edodo&#8221;, disse Eleonora.\u00a0&#8220;A mulher n\u00e3o precisa ganhar flores nem parab\u00e9ns (no dia de hoje), tem de ganhar respeito e protagonismo na sociedade.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Anistia recebeu sexta-feira (8) os pedidos de anistia Maria Aparecida Rodrigues, Cipriana da Cruz Rodrigues e Julio Rodrigues de Miranda, todos trabalhadores rurais de Minas Gerais. Vindo das Comunidades Eclesiais de Base, Julio foi morto com dois tiros em 1985.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na 67\u00aa sess\u00e3o da chamada Caravana da Anistia, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, foram expostos os casos de persegui\u00e7\u00e3o sofridos por sete mulheres, de comunistas a cat\u00f3licas. 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