{"id":411,"date":"2012-05-17T02:53:58","date_gmt":"2012-05-17T02:53:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/comissao-da-verdade-enfrenta-criticas-e-iniciativa-paralela-de-militares-2\/"},"modified":"2012-05-17T02:53:58","modified_gmt":"2012-05-17T02:53:58","slug":"comissao-da-verdade-enfrenta-criticas-e-iniciativa-paralela-de-militares-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/comissao-da-verdade-enfrenta-criticas-e-iniciativa-paralela-de-militares-2\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade enfrenta cr\u00edticas e iniciativa paralela de militares"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Oficiais da reserva anunciam que criar\u00e3o comiss\u00e3o pr\u00f3pria para rebater acusa\u00e7\u00f5es de grupo oficial.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade, criada para investigar abusos de direitos humanos cometidos durante a ditadura militar, se reunir\u00e1 pela primeira vez nesta quarta-feira em meio a cr\u00edticas de oficiais das For\u00e7as Armadas e de parentes de v\u00edtimas.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Descontentes com a composi\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o, oficiais reformados do Clube Naval do Rio de Janeiro anunciaram a forma\u00e7\u00e3o de uma &#8220;comiss\u00e3o paralela&#8221; para rebater as eventuais acusa\u00e7\u00f5es do grupo oficial.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A iniciativa reflete o desconforto provocado nos militares pelo que acreditam ser uma tentativa de vingan\u00e7a de um governo ideologicamente tendencioso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O regime ditatorial vigorou no Brasil por 21 anos, entre 1964 e 1985. Nesse per\u00edodo, cerca de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram e milhares teriam sido torturadas &#8211; entre elas a pr\u00f3pria presidente, Dilma Rousseff.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Claro que coisas terr\u00edveis aconteceram nesse per\u00edodo, mas v\u00edtimas foram feitas dos dois lados e eles s\u00f3 querem contar um lado da hist\u00f3ria&#8221;, afirmou o vice-almirante Ricardo Ant\u00f4nio da Veiga Cabral, presidente do Clube Naval do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Uma vez que os militares da ativa s\u00e3o proibidos de expressar seu ponto de vista publicamente ou organizar sindicatos, seus clubes &#8211; liderados por oficiais generais da reserva &#8211; s\u00e3o bons indicadores do clima dentro das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Cabral, o Clube Naval designou &#8220;sete oficiais de confian\u00e7a&#8221; para fazer parte da &#8220;comiss\u00e3o paralela&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;A comiss\u00e3o est\u00e1 ainda em est\u00e1gio embrion\u00e1rio, mas temos claro que nosso objetivo \u00e9 garantir que o relato contemple os dois lados&#8221;, disse Cabral.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O grupo n\u00e3o deve produzir um relat\u00f3rio pr\u00f3prio, mas apenas rebater acusa\u00e7\u00f5es que sejam feitas pela comiss\u00e3o oficial.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os jovens hoje em dia nem conhecem a hist\u00f3ria narrada pelo outro lado (o lado dos militares) porque a m\u00eddia adotou apenas uma vers\u00e3o&#8221;, afirmou o militar reformado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">V\u00edtimas<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, as v\u00edtimas do regime e seus parentes tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos. Isso porque a comiss\u00e3o ter\u00e1 poderes para investigar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, mas n\u00e3o para punir os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As estat\u00edsticas variam, mas relat\u00f3rios oficiais sugerem que entre 400 e 500 militantes e civis tenham sido mortos pelos militares, ou simplesmente desaparecido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s quer\u00edamos uma &#8220;Comiss\u00e3o da Verdade, Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a&#8221;. Com os recursos e poderes dados \u00e0 comiss\u00e3o eu duvido que eles descubram algo inovador&#8221;, disse Victoria Grabois, presidente da organiza\u00e7\u00e3o Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O pai dela, Maur\u00edcio Grabois, que pertencia \u00e0 c\u00fapula do PC do B, est\u00e1 desaparecido desde 1973, quando as For\u00e7as Armadas atacaram seu acampamento no Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essa comiss\u00e3o deveria pelo menos sair com relat\u00f3rios dizendo exatamente que militares ou policiais mataram ou torturaram e quais foram as v\u00edtimas de cada um. Mas, infelizmente, duvido que esse tipo de responsabiliza\u00e7\u00e3o v\u00e1 acontecer&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Entretanto, Victoria admite que a comiss\u00e3o pode ajudar a preencher algumas lacunas hist\u00f3ricas e mesmo ajudar a determinar o fim de alguns militantes e guerrilheiros ainda dados como desaparecidos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso pode acontecer, mas de todo modo vai ser a conta gotas, como j\u00e1 vem acontecendo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Puni\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O governo brasileiro reconheceu em 1995 que o Estado foi o respons\u00e1vel por assassinatos, desaparecimentos e tortura durante o regime militar, mas a Lei de Anistia de 1979 &#8211; confirmada recentemente pela Justi\u00e7a &#8211; pro\u00edbe puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os sete membros apontados para formar a comiss\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 deixaram claro que o grupo n\u00e3o possui nem a autoridade, tampouco a inten\u00e7\u00e3o de processar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o estamos aqui para punir, esse n\u00e3o \u00e9 o trabalho de nenhuma comiss\u00e3o da verdade no mundo&#8221;, afirmou o comiss\u00e1rio Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, jurista que ocupa hoje a chefia da Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito da ONU para a S\u00edria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;J\u00e1 aconteceram mais de 40 comiss\u00f5es da verdade no mundo desde os anos de 1980, e n\u00f3s nos beneficiaremos muito dessa experi\u00eancia&#8221;, disse Pinheiro \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade no Brasil tamb\u00e9m real\u00e7ou o contraste com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina &#8211; como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Peru &#8211; que j\u00e1 passaram por esse processo e, em alguns casos resultaram em processos e condena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 justo dizer que o Brasil est\u00e1 atrasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Comiss\u00e3o da Verdade, mas \u00e9 injusto dizer que nada aconteceu desde que o Brasil voltou \u00e0 democracia&#8221;, disse Pinheiro. &#8220;O Brasil at\u00e9 pagou indeniza\u00e7\u00f5es para familiares de pessoas desaparecidas. Eu n\u00e3o acho que nenhum outro pa\u00eds tenha feito isso&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Victoria afirmou que nunca desistiu de descobrir o que realmente aconteceu com seu pai, apesar de seu desaparecimento ter ocorrido h\u00e1 mais de 40 anos. Ela disse que perdeu a esperan\u00e7a de superar a Lei de Anistia, para que alguma condena\u00e7\u00e3o ocorra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil, aconteceram algumas tentativas de mover a\u00e7\u00f5es por sequestro usando como base o direito penal, mas os tribunais ainda n\u00e3o aceitaram essa tese&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o vice-almirante Cabral afirmou que ainda existe um temor de a\u00e7\u00f5es penais entre os veteranos. &#8220;Isso pode crescer como uma bola de neve e nunca saberemos onde vai parar. Uma anistia foi concedida para os dois lados e isso foi o fim do problema&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pinheiro diz n\u00e3o aceitar a abordagem de que h\u00e1 dois lados sobre o tema. &#8220;N\u00f3s temos que fazer uma investiga\u00e7\u00e3o completa e complexa dos crimes sobre os quais o Estado j\u00e1 assumiu sua responsabilidade. O lado que importa \u00e9 o lado das v\u00edtimas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Prazo<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade ter\u00e1 dois anos para concluir seu trabalho, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se ela ser\u00e1 capaz de tornar p\u00fablicos os documentos confidenciais a que seus membros ter\u00e3o acesso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista Marcelo Netto &#8211; co-autor do livro Mem\u00f3rias de Uma Guerra Suja- feito com base nos depoimentos do ex-delegado do Dops, Cl\u00e1udio Guerra &#8211; elogiou a iniciativa da cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o da verdade, mas acredita que o tempo e os recursos de que a comiss\u00e3o vai dispor sejam insuficientes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Para fazer um livro baseado apenas no depoimento de um delegado, eu e outro jornalista (Rog\u00e9rio Medeiros) passamos tr\u00eas anos pesquisando e conferindo informa\u00e7\u00f5es. Mesmo com bem mais gente, os dois anos que comiss\u00e3o vai ter para pesquisar todo o regime militar me parecem pouco.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Marcelo Netto diz que tamb\u00e9m foi v\u00edtima do regime militar: passou treze meses na pris\u00e3o no fim dos anos de 1960 quando estudava medicina na universidade. Banido da institui\u00e7\u00e3o, acabou virando jornalista e d\u00e9cadas depois bi\u00f3grafo de um assassino confesso do regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tivemos que fazer muitas pesquisas porque o (ex-delegado Cl\u00e1udio) Guerra n\u00e3o sabia o nome de algumas das pessoas que ele matou&#8221;, contou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em seus depoimento, o ex-agente do Dops diz que incinerou corpos de advers\u00e1rios da ditadura numa usina de cana em Campos dos Goytacazes (RJ), ao longo de 1974.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; O Estado de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oficiais da reserva anunciam que criar\u00e3o comiss\u00e3o pr\u00f3pria para rebater acusa\u00e7\u00f5es de grupo oficial. 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