{"id":4112,"date":"2013-03-17T15:40:50","date_gmt":"2013-03-17T15:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/17\/familia-buscara-mudanca-na-certidao-de-obito\/"},"modified":"2013-03-17T15:40:50","modified_gmt":"2013-03-17T15:40:50","slug":"familia-buscara-mudanca-na-certidao-de-obito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/17\/familia-buscara-mudanca-na-certidao-de-obito\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia buscar\u00e1 mudan\u00e7a na certid\u00e3o de \u00f3bito"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Alexandre Vannucchi Leme foi declarado anistiado pol\u00edtico pelo governo brasileiro em uma cerim\u00f4nia ocorrida anteontem no Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), na Capital. O ato promovido pela Comiss\u00e3o de Anistia, vinculada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, aconteceu 40 anos ap\u00f3s a morte do estudante &#8211; v\u00edtima de tortura nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00e3o de Defesa Interna (DOI-Codi).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cruzeirodosul.inf.br\/cruzeirodosul.inf.br\/imagens_cms\/media\/117813_VANNUCCHId.jpg\" border=\"0\" width=\"575\" height=\"383\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Agora, o pr\u00f3ximo passo da fam\u00edlia do ex-militante estudantil e integrante da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) ser\u00e1 conseguir a altera\u00e7\u00e3o de sua certid\u00e3o de \u00f3bito. No documento oficial, produzido pela ditadura, o falecimento foi provocado por &#8220;les\u00e3o traum\u00e1tica cr\u00e2nio-encef\u00e1lico&#8221; ap\u00f3s um atropelamento na rua Bresser, na zona leste da cidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A irm\u00e3 de Alexandre, Maria Cristina Vannucchi Leme, acredita que n\u00e3o haver\u00e1 muita dificuldade para a corre\u00e7\u00e3o do atestado de \u00f3bito. &#8220;Ser\u00e1 muito simples. Como ele foi reconhecido pelo Estado como desaparecido pol\u00edtico, pela lei 9.140, agora ele tem o t\u00edtulo de anistiado pol\u00edtico. Se o Estado reconheceu que ele foi assassinado por motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e n\u00e3o atropelado, nem tentou se matar com uma l\u00e2mina, a Justi\u00e7a n\u00e3o tem como negar&#8221;, comenta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Maria Cristina tamb\u00e9m aposta na altera\u00e7\u00e3o do atestado de \u00f3bito de Alexandre com o precedente aberto pela fam\u00edlia de Vladimir Herzog. No mesmo dia, os familiares do jornalista morto em 1975 receberam uma vers\u00e3o corrigida do documento. A Justi\u00e7a determinou a revis\u00e3o do atestado para declarar a causa da morte como &#8220;les\u00f5es e maus-tratos sofridos durante o interrogat\u00f3rio em depend\u00eancia do 2\u00ba Ex\u00e9rcito (DOI-Codi)&#8221;. O texto substitui a vers\u00e3o de &#8220;asfixia mec\u00e2nica por enforcamento&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Ivo Herzog, filho do jornalista, a nova vers\u00e3o \u00e9 o desfecho de uma luta de tr\u00eas d\u00e9cadas. &#8220;Esse atestado de \u00f3bito \u00e9 muito importante porque a fam\u00edlia, durante 37 anos, cinco meses e 20 dias, foi humilhada por um documento mentiroso, que n\u00f3s tivemos de aceitar, e que sustentava a farsa do suic\u00eddio. Ent\u00e3o, \u00e9 mais uma mentira que se enterra, desaparece e \u00e9 sepultada em nossa hist\u00f3ria&#8221;, diz. &#8220;Agora, n\u00f3s temos um documento que mostra quais as circunst\u00e2ncias que o meu pai foi assassinado. \u00c9 uma quest\u00e3o de mem\u00f3ria, de hist\u00f3ria&#8221;, completa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ivo tamb\u00e9m espera que o governo brasileiro mude a sua postura e que o Supremo Tribunal Federal (STF) reveja o parecer sobre a lei de anistia. &#8220;Espero que aplique a lei de anistia como ela deve ser, de forma unilateral. A lei de anistia \u00e9 para os presos e perseguidos pol\u00edticos e n\u00e3o para os assassinos agentes do Estado, que usaram de toda a viol\u00eancia. Foram crimes b\u00e1rbaros, violentos, comuns, que deveriam ser julgados&#8221;, conta.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o de Anistia e secret\u00e1rio Nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, espera que a justi\u00e7a seja feita no caso de Alexandre Vannucchi Leme e os culpados pela sua morte sejam identificados. &#8220;Para isso \u00e9 preciso superar um conjunto de culturas jur\u00eddicas pouco reconhecedoras dos direitos humanos, que n\u00e3o internalizou o respeito \u00e0s conven\u00e7\u00f5es dos tratados internacionais de direitos humanos&#8221;, diz. De acordo com Abr\u00e3o, essa ser\u00e1 uma tarefa e um desafio para o Judici\u00e1rio. &#8220;Mas \u00e9 o Estado inteiro que tem a responsabilidade de processar os seus erros e apontar para o futuro a n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o deles&#8221;, comenta o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A cerim\u00f4nia para decretar a anistia pol\u00edtica de Alexandre Vannucchi Leme contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a da ministra de Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio. Segundo ela, &#8220;essas respostas s\u00e3o a busca mais profunda para que a democracia siga sendo aperfei\u00e7oada e exista plenamente na vida nacional, para aqueles que ofertaram as suas vidas e para aqueles que ainda vivenciam as marcas da ditadura&#8221;, comenta. &#8220;No minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, n\u00f3s devemos estar plenos da responsabilidade de reconhecermos aquilo que o Estado produziu, as mortes que foram produzidas, a tortura, a persegui\u00e7\u00e3o, o assassinato vil e cruel&#8221;, completa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Julgamento<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A aprecia\u00e7\u00e3o do requerimento de anistia de Alexandre Vannucchi Leme foi presidida por Paulo Abr\u00e3o. Ele esteve acompanhado pelo relator Jos\u00e9 Carlos Moreira Silva Filho e pelos conselheiros Sueli Belato &#8211; vice-presidente da Comiss\u00e3o de Anistia -, Rita Sampaio, Juvelino Jos\u00e9 Strozake e Cristiano Paix\u00e3o, em uma sess\u00e3o oficial do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a nas depend\u00eancias da USP.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O resultado foi anunciado pelo pr\u00f3prio presidente da Comiss\u00e3o de Anistia e secret\u00e1rio Nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o. &#8220;Eu vou me dirigir \u00e0 fam\u00edlia de Alexandre Vannucchi Leme, na pessoa de suas irm\u00e3s Maria Cristina, Miriam e Maria Regina, na pessoa de seus primos Maria L\u00facia, Maria Helena, Jos\u00e9 Ivo, Mariana, Paulo de Tarso, e \u00e0 sua namorada Lisete, para informar, publicamente, que neste dia 15 de mar\u00e7o de 2013, a Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, por unanimidade, declara Alexandre Vannucchi Leme anistiado pol\u00edtico brasileiro. E, por esse ato, pelos poderes legais e constitucionais que me est\u00e3o investidos, pedir desculpas p\u00fablicas e oficiais pelos erros que o Estado cometeu contra ele, contra toda a fam\u00edlia, seus amigos e \u00e0 causa da justi\u00e7a social no Brasil. As nossas mais justas homenagens e muito obrigado pela presen\u00e7a de todos aqui&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, flores foram entregues \u00e0s irm\u00e3s e \u00e0 ex-namorada de Alexandre. Todas se abra\u00e7aram e choraram juntas. Havia chegado ao fim uma luta pela verdade que durou 40 anos.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Cruzeiro do Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Vannucchi Leme foi declarado anistiado pol\u00edtico pelo governo brasileiro em uma cerim\u00f4nia ocorrida anteontem no Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), na Capital. 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