{"id":414,"date":"2012-05-17T19:24:45","date_gmt":"2012-05-17T19:24:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/governo-quer-incluir-370-camponeses-na-lista-de-vitimas-da-ditadura\/"},"modified":"2012-05-17T19:24:45","modified_gmt":"2012-05-17T19:24:45","slug":"governo-quer-incluir-370-camponeses-na-lista-de-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/governo-quer-incluir-370-camponeses-na-lista-de-vitimas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Governo quer incluir 370 camponeses na lista de v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Do per\u00edodo pr\u00e9-golpe ao da redemocratiza\u00e7\u00e3o, 858 camponeses foram mortos no campo brasileiro. Do total, 370 s\u00e3o sindicalistas e lideran\u00e7as de lutas coletivas. Mas a Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos reconhece apenas 17 trabalhadores rurais entre as 457 v\u00edtimas oficiais da ditadura. \u201cEsses camponeses s\u00e3o os desaparecidos dos desaparecidos\u201d, diz coordenador do Projeto Mem\u00f3ria e Verdade, Gilney Viana.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-413\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/foto_mat_35199.jpg\" border=\"0\" width=\"150\" height=\"150\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O governo quer incluir pelo menos 370 camponeses, assassinados entre 1961 e 1988, na lista oficial de mortos e desaparecidos da ditadura militar. S\u00e3o, principalmente, sindicalistas e lideran\u00e7as de lutas coletivas que tombaram em decorr\u00eancia da pol\u00edtica repressora dos militares. Segundo o coordenador do Projeto Mem\u00f3ria e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Gilney Viana, a invisibilidade dos trabalhadores rurais \u00e9 t\u00e3o grande que eles foram alijados, at\u00e9 mesmo, das leis da Anistia, de 1979, e da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, de 1995, criadas para reparar a viol\u00eancia cometida pelos agentes de estado, durante o regime. \u201cEsses camponeses s\u00e3o os desaparecidos dos desaparecidos\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <br \/> <\/span>Autor do estudo que levantou nomes e biografias dos trabalhadores rurais mortos e desaparecidos, Gilney atesta que, de 1961, o chamado per\u00edodo pr\u00e9-ditadura, at\u00e9 1988, o da redemocratiza\u00e7\u00e3o, 858 camponeses foram, comprovadamente, assassinados no campo brasileiro. Al\u00e9m dos j\u00e1 370 j\u00e1 catalogados pela pesquisa como v\u00edtimas do regime, h\u00e1 outros 488 casos em que n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es suficientes para que seja feita a caracteriza\u00e7\u00e3o como tal. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O curioso, segundo ele, \u00e9 que apenas 15% deles foram assassinados diretamente pelos agentes de estado. A maioria foi morta por jagun\u00e7os e mil\u00edcias a servi\u00e7o dos latifundi\u00e1rios. \u201cMesmo no auge da ditadura, a repress\u00e3o no campo foi praticamente majoritariamente pelos agentes privados. Os militares terceirizaram a repress\u00e3o aos camponeses. Por isso, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para os familiares dessas v\u00edtimas comprovarem a responsabilidade do Estado sobre os assassinatos\u201d, acrescentou. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Nas palavras da deputada Erika Kokay (PT-DF), que presidiu a sess\u00e3o convocada pela Comiss\u00e3o Parlamentar da Verdade para discutir o tema, \u201co estado alimentava a m\u00e3o armada do latif\u00fandio para substitu\u00ed-lo na execu\u00e7\u00e3o dos crimes\u201d. Segundo ela, esses crimes precisam ser reconhecidos e punidos, para que a cultura da viol\u00eancia n\u00e3o perpetue no pa\u00eds. \u201cA democratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o significou o arrefecimento da repress\u00e3o no campo. A terra e seus trabalhadores continuam sendo tratados como pertences de uma pequena elite\u201d, denunciou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Giley Viana atestou que, de fato, o n\u00famero de camponeses assassinados ap\u00f3s a Lei da Anistia e no chamado per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o foi maior do que o registrado durante a ditadura. Entre 1964 e 1979, o per\u00edodo mais duro do regime, h\u00e1 registros de 246 mortos e desaparecidos. Entre 1979 e 1885, ou seja, da edi\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o, de 379. \u201cOs militares, primeiro, acabaram com a resist\u00eancia ao regime nas cidades para depois se dedicarem ao campo\u201d. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O coordenador do Projeto Mem\u00f3ria e Verdade ressaltou, ainda, que a <span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos, desde que foi criada, apreciou mais de 800 requerimentos de familiares de v\u00edtimas, reconhecendo um total de 457 v\u00edtimas da ditadura. Destas, apenas 17 eram camponeses. \u201cEspecialmente aqueles que tinham uma milit\u00e2ncia partid\u00e1ria p\u00fablica. Os camponeses comuns, que n\u00e3o pertenciam \u00e0 partidos pol\u00edticos ou escondiam sua milit\u00e2ncia, n\u00e3o foram beneficiados pela lei\u201d, contabiliza. Ele estima que a Lei da Anistia tamb\u00e9m n\u00e3o beneficiou os camponeses na propor\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Dos 70 mil pedidos recebidos pela Comiss\u00e3o, menos de mil se referem ao seguimento. <span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do livro \u201cRetrato da repress\u00e3o pol\u00edtica no campo \u2013 Brasil 1962-1985: camponeses torturados, mortos e desaparecidos\u201d, Moacir Gracindo Soares Palmeira reiterou que, quando se fala em ditadura, se pensa quase que automaticamente em repress\u00e3o a estudantes, jornalistas e militantes de esquerda. \u201cApesar da chamada agita\u00e7\u00e3o no campo ter sido apontada como uma das causas do golpe militar, muito pouco se falava sobre a repress\u00e3o no campo, principalmente em fun\u00e7\u00e3o da censura\u201d, observou.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>S\u00edmbolo da resist\u00eancia camponesa ao regime, o eterno militante maranhense, Manoel da Concei\u00e7\u00e3o, concorda que os trabalhadores rurais merecem o reconhecimento da hist\u00f3ria. Ele mesmo, que foi preso nove meses, sofreu toda sorte de torturas, perdeu uma perna e testemunhou execu\u00e7\u00f5es e chacinas, n\u00e3o sabe contabilizar o n\u00famero de companheiros perdidos durante a luta pela terra e contra a repress\u00e3o. E \u00e9 exemplo vivo da inoper\u00e2ncia do Estado em reparar as fam\u00edlias dos camponeses v\u00edtimas do regime. H\u00e1 seis anos processa o estado brasileiro, sem sucesso.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do per\u00edodo pr\u00e9-golpe ao da redemocratiza\u00e7\u00e3o, 858 camponeses foram mortos no campo brasileiro. Do total, 370 s\u00e3o sindicalistas e lideran\u00e7as de lutas coletivas. 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