{"id":4146,"date":"2013-03-18T19:52:31","date_gmt":"2013-03-18T19:52:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/18\/documentos-tracam-perfil-dubio-de-zorro\/"},"modified":"2013-03-18T19:52:31","modified_gmt":"2013-03-18T19:52:31","slug":"documentos-tracam-perfil-dubio-de-zorro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/18\/documentos-tracam-perfil-dubio-de-zorro\/","title":{"rendered":"Documentos tra\u00e7am perfil d\u00fabio de &#8216;Zorro&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ex-guerrilheiro Gilberto Faria Lima teria atuado como militante da esquerda armada e como suposto colaborador da ditadura<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4142\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/14bb772msudijlwurjvwc6uk2.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"421\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address>Zorro chegou a ser condenado a pena de morte durante por assassinatos na ditadura<\/address>\n<address \/>  <!--more-->  <br \/><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ex-guerrilheiro Gilberto Faria Lima teria mudado de lado em meados de 1970 ao ser detido por agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (Cenimar). \u00c9 prov\u00e1vel que, ao ser confrontado com a ficha quilom\u00e9trica de a\u00e7\u00f5es armadas, tenha aceitado colaborar para escapar da tortura e de uma morte certa. Os documentos produzidos pelos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas e pelo Dops paulista tra\u00e7am um perfil d\u00fabio de Zorro, como era conhecido. Em alguns informes o tratam como militante da esquerda armada e, em outros &#8211; os de car\u00e1ter mais confidencial -, como suposto colaborador.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um dos informes, com a tarja dos documentos secretos, emitido em 10 de julho de 1972, diz que Gilberto Faria Lima estava, \u00e0 \u00e9poca, refugiado no Chile \u201ccom o nome de cobertura de ROBERTO REYS e que h\u00e1 quatro meses havia regressado ao Brasil por Montevid\u00e9u, Rivera e (Santana do) Livramento\u201d. \u201cNome cobertura\u201d \u00e9 linguagem que os \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o oficial usam para camuflar a identidade de seus agentes ou espi\u00f5es cooptados infiltrados em organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4144\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/5zd97f6omvf6sj40vq4pj842l.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"408\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O papel do ex-guerrilheiro como traidor teria sido definido em meados de 1970 ao cair nas m\u00e3os de agentes<\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O segundo item do informe sugere que os arapongas brasileiros tiveram acesso a relatos verbais de Faria Lima: \u201cDisse o marginado que ingressou no Brasil \u2018tranquilamente\u2019, mostrando, inclusive, carteira de identidade do Estado do Rio Grande do Sul\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O documento segue informando que Zorro fez os primeiros contatos em Buenos Aires entre os brasileiros asilados no Chile e os \u201cMontoneros\u201d, na Argentina, e estava integrado ao grupo liderado por Joaquim Pires Cerveira, militar ga\u00facho que dirigiu outra organiza\u00e7\u00e3o de esquerda, a Frente Nacional de Liberta\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 desaparecido desde 1973.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em outros dois trechos, o agente que produziu o informe descreve at\u00e9 detalhes f\u00edsicos do ex-militante: \u201co marginado est\u00e1 muito diferente, fisicamente, pois engordou bastante\u201d. Mais adiante volta a sugerir que Faria Lima fez alguma declara\u00e7\u00e3o verbal ao registrar que o ex-guerrilheiro \u201cdisse, tamb\u00e9m, que conheceu, na Argentina, a brasileira GUIOMAR SCHMIDT DE KLASKO, acusada de ter assassinado o industrial SALLUSTRO\u201d. Referia-se ao assassinato de Oberdan Sallustro, morto em abril de 1972 pelo Ex\u00e9rcito Popular Revolucion\u00e1rio (ERP).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Embora sejam sempre de veracidade duvidosa, os informes descrevem a trajet\u00f3ria de Faria Lima no Chile e na Argentina com precis\u00e3o reconhecida pela esquerda. Com os crimes atribu\u00eddos pelo regime \u00e9 improv\u00e1vel que n\u00e3o fosse preso ao regressar clandestinamente. Ao contr\u00e1rio de outros casos, de mortes ou pris\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 qualquer refer\u00eancia sobre qualquer a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia ou dos agentes militares sobre Faria Lima nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No Chile e na Argentina, ele se entrosou com v\u00e1rios grupos de militantes e ativistas. Eram brasileiros que fugiram ou foram banidos pelo regime depois das negocia\u00e7\u00f5es que resultaram na liberta\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos em troca da vida de diplomatas estrangeiros sequestrados pela guerrilha no Rio e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Faria Lima deixou o Brasil em 1971, quando j\u00e1 era suspeito de colaborar com os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o. O que n\u00e3o se sabia \u00e9 que no Chile passou a ter contatos tamb\u00e9m com o espi\u00e3o uruguaio Alberto Conrado, principal araponga da Opera\u00e7\u00e3o Condor, como era chamada a articula\u00e7\u00e3o entre as ditaduras do Cone-Sul para exterminar os movimentos subversivos. Conrado mora atualmente em Motevid\u00e9u e deve ser ouvido pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As entidades que investigam os crimes da ditadura militar no Brasil ainda est\u00e3o listando as pris\u00f5es, execu\u00e7\u00f5es e desaparecimentos for\u00e7ados que resultaram das dela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 nenhum documento com cr\u00e9dito dando conta de que foi preso, embora seu nome tenha sido citado pelo ex-agente do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) Marival Dias Chaves do Canto entre os sete militantes mortos na emboscada de Medianeira, ocorrida em 11 de julho de 1974 numa \u00e1rea rural do munic\u00edpio paranaense.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Uma irm\u00e3 de Zorro, Sonia Lima Bonelli, acredita que provavelmente o nome tenha sido dado como morto em Medianeira pela pr\u00f3pria pol\u00edcia para evitar retalia\u00e7\u00f5es da esquerda. Ela diz que a fam\u00edlia recebeu uma carta do irm\u00e3o em novembro de 1974 &#8211; portanto, depois do massacre -, mas n\u00e3o teve mais contatos com ele. Segundo S\u00f4nia, a fam\u00edlia foi informada pela pol\u00edcia, por meio de outra irm\u00e3, Rita, j\u00e1 falecida, que Giba, como era chamado em casa, teria feito um acordo com o Cenimar para sobreviver. \u201cSe ele mudou mesmo de lado, deve ter tido suas raz\u00f5es. Isso n\u00e3o importa para n\u00f3s. Queremos saber se ele est\u00e1 vivo\u201d, diz S\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Sobre o espi\u00e3o Uruguaio Alberto Conrado h\u00e1 fartura de documentos comprovando que ele foi o mais ativo espi\u00e3o a servi\u00e7o do regime militar brasileiro no continente. Um deles d\u00e1 conta de que o Itamaraty e o Cenimar bancaram as despesas da opera\u00e7\u00e3o em que ele se infiltrou ao lado de Brizola durante o ex\u00edlio em Portugal. O que se suspeita agora \u00e9 que, ao lado de Conrado, Faria Lima pode ter sido o elo brasileiro da Condor. A Comiss\u00e3o da Verdade paulista estima em 46 o n\u00famero de militantes de esquerda desaparecidos no exterior durante os anos de chumbo.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; \u00daltimo Segundo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-guerrilheiro Gilberto Faria Lima teria atuado como militante da esquerda armada e como suposto colaborador da ditadura Zorro chegou a ser condenado a pena de morte durante por assassinatos na ditadura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4142,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4146"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4146\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4142"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}