{"id":4154,"date":"2013-03-18T19:57:47","date_gmt":"2013-03-18T19:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/18\/espiao-uruguaio-pode-desvendar-misterio-de-agente-duplo-da-ditadura\/"},"modified":"2016-02-07T22:35:21","modified_gmt":"2016-02-07T22:35:21","slug":"espiao-uruguaio-pode-desvendar-misterio-de-agente-duplo-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/18\/espiao-uruguaio-pode-desvendar-misterio-de-agente-duplo-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Espi\u00e3o uruguaio pode desvendar mist\u00e9rio de agente duplo da ditadura"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Homem de confian\u00e7a de Carlos Lamarca, Gilberto Faria Lima atuou na guerrilha urbana e teria colaborado com a ditadura; ele est\u00e1 desaparecido desde ent\u00e3o, mas pode estar vivo  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Documentos encontrados no Arquivo Nacional, em Bras\u00edlia, levantam a suspeita de que Gilberto Faria Lima, dado como desaparecido h\u00e1 40 anos, um dos militantes da esquerda armada com mais a\u00e7\u00f5es no curr\u00edculo, <\/span><a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia-2\/\" style=\"line-height: 1.3em;\">pode ter sido um agente duplo<\/a><span style=\"line-height: 1.3em;\"> e estar vivo. Um relat\u00f3rio dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o militares liga Faria Lima ao uruguaio Alberto Octavio Conrado Avegno, apontado pelas comiss\u00f5es que investigam <\/span><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/memorias-de-uma-guerra-suja\/\" style=\"line-height: 1.3em;\">os anos de chumbo<\/a><span style=\"line-height: 1.3em;\"> como maior espi\u00e3o infiltrado junto aos grupos de brasileiros exilados no Chile, Argentina e Uruguai.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Filho do diplomata brasileiro Ot\u00e1vio Conrado, o espi\u00e3o atuou de 1967 a 1980, infiltrou-se nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, conseguiu enganar personagens como Leonel Brizola, Miguel Arraes e o Almirante C\u00e2ndido Arag\u00e3o e, assim, entregou ao Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (Cenimar) e ao Itamaraty informa\u00e7\u00f5es que resultaram em dezenas de pris\u00f5es e mortes no Brasil e no exterior.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4149\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/4s6jl7zbdni16a7cqe5g8r69f.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"408\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Gilberto Faria Lima, o Zorro, estava entre os procurados por agentes do regime militar<\/address>\n<p class=\"p2\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\">Numa opera\u00e7\u00e3o que chamou de \u201cMiss\u00e3o no Brasil\u201d, relatada em 21 p\u00e1ginas, Conrado diz que o brasileiro foi o elo com os grupos de esquerda. \u201cFizemos o primeiro contato em S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s do endere\u00e7o fornecido por Gilberto Faria Lima\u201d, conta Conrado, que usa o codinome de Johnson, embora na maioria dos informes listados num dossi\u00ea de 812 p\u00e1ginas se apresente como Altair.<\/p>\n<p class=\"p3\">Conrado recebia sal\u00e1rio mensal dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o do regime militar para espionar. Antes de viajar para o Brasil, entre setembro e agosto de 1972, diz que esteve pessoalmente com Faria Lima, no Chile. Ele revela que, \u201cseguindo as instru\u00e7\u00f5es de Carlos\u201d (codinome de Faria Lima), encontrou-se com v\u00e1rios militantes do PCB em S\u00e3o Paulo e no Rio, usando como \u00e1libi cartas escritas por Faria Lima cujos originais est\u00e3o anexados no dossi\u00ea.<\/p>\n<p class=\"p3\">Na guerrilha, Faria Lima usou pelo menos oito codinomes, mas era mais conhecido entre os companheiros por Zorro ou Giba. Com 16 a\u00e7\u00f5es armadas de alta envergadura no prontu\u00e1rio preenchido pelo Dops paulista \u2013 entre elas os assassinatos do ex-presidente do Grupo Ultra Henning Albert Boilesen e do tenente da PM Alberto Mendes J\u00fanior \u2013, Zorro chegou a ser condenado \u00e0 pena de morte, lei que vigorou no Brasil durante o AI-5, entre 1969 e 1978. A pena capital, aplic\u00e1vel com fuzilamento, foi convertida em pris\u00e3o perp\u00e9tua e, mais tarde, numa condena\u00e7\u00e3o de cinco anos de reclus\u00e3o, anulada pela Lei da Anistia.<\/p>\n<p class=\"p3\">O longo hist\u00f3rico de a\u00e7\u00f5es armadas listadas pelo Dops no curr\u00edculo do ex-guerrilheiro teria sido o primeiro cap\u00edtulo da faceta desconhecida de Zorro. Ele era linha de frente da guerrilha urbana e foi um dos homens de confian\u00e7a de um dos principais l\u00edderes da resist\u00eancia armada, o capit\u00e3o Carlos Lamarca.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4152\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/6vrn4wggnsdgm6kil2jrc5zji.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"408\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p3\">\n<p class=\"p1\">Um informe dos \u00f3rg\u00e3os de espionagem aponta que, ao lado de outros militantes, teria participado de um encontro com Fidel Castro no Chile, no qual se discutiram a\u00e7\u00f5es subversivas no Brasil, como um plano de sabotagem para parar a Rodovia Presidente Dutra por onde, \u00e0 \u00e9poca, escoava boa parte da economia do Pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p1\">Zorro foi militante de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na luta armada, a Resist\u00eancia Democr\u00e1tica (Rede), a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR) e Movimento Revolucion\u00e1rio Tiradentes (MRT), mas atuou tamb\u00e9m em a\u00e7\u00f5es conjuntas com a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN). Eram os grupos mais radicais e, por isso, ca\u00e7ados incessantemente pela repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">A esquerda sempre trabalhou com a hip\u00f3tese de que Zorro pudesse ter sido cooptado pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, mas guardou suas suspeitas at\u00e9 que as evid\u00eancias se tornassem mais claras. \u201cO comportamento dele em algumas a\u00e7\u00f5es sempre deixou d\u00favidas\u201d, diz o jornalista, ativista e coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade paulista, <a href=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/11\/08\/decisao-de-recebimento-da-denuncia\/\">Ivan Seixas<\/a> , companheiro de Zorro em v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, como assaltos a banco (a esquerda chama de expropria\u00e7\u00e3o) pelo MRT.<\/p>\n<p class=\"p1\">Preso aos 16 anos junto com o pai, Joaquim Alencar Seixas \u2013 oper\u00e1rio comunista morto na tortura \u2013, Ivan n\u00e3o era s\u00f3 parceiro de Faria Lima no MRT. Eles foram amigos. Ele acredita, no entanto, que o dif\u00edcil \u00e9 concluir se Zorro foi infiltrado pelos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o ou mudou de lado ao cair nas m\u00e3os da pol\u00edcia.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte &#8211; \u00daltimo Segundo<\/p>\n<p class=\"p3\"><span> <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span> <\/span><span> <\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homem de confian\u00e7a de Carlos Lamarca, Gilberto Faria Lima atuou na guerrilha urbana e teria colaborado com a ditadura; ele est\u00e1 desaparecido desde ent\u00e3o, mas pode estar vivo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4154"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4154"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5821,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4154\/revisions\/5821"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4149"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}