{"id":4175,"date":"2013-03-19T17:18:07","date_gmt":"2013-03-19T17:18:07","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/19\/procuradoria-prepara-acoes-contra-agentes-da-ditadura\/"},"modified":"2013-03-19T17:18:07","modified_gmt":"2013-03-19T17:18:07","slug":"procuradoria-prepara-acoes-contra-agentes-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/19\/procuradoria-prepara-acoes-contra-agentes-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Procuradoria prepara a\u00e7\u00f5es contra agentes da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica planeja entrar na Justi\u00e7a com novas a\u00e7\u00f5es contra militares na tentativa de responsabiliz\u00e1-los pelos crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Folha apurou que ao menos dez a\u00e7\u00f5es devem ser apresentadas at\u00e9 o fim deste semestre em cortes federais.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Um dos casos em que o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tentar\u00e1 responsabilizar os militares \u00e9 o do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido desde 1971, quando foi preso.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Embora o Supremo Tribunal Federal tenha reafirmado a validade da Lei da Anistia, de 1979, os procuradores defendem a tese de que alguns crimes, como sequestro e oculta\u00e7\u00e3o de provas e cad\u00e1veres, s\u00e3o permanentes, e portanto est\u00e3o fora do escopo da lei.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A tese foi apresentada nos \u00faltimos anos em processos abertos em inst\u00e2ncias inferiores da Justi\u00e7a, mas ainda n\u00e3o foi examinada pelo STF.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No caso de Rubens Paiva, novos documentos revelados neste ano mostram que ele foi levado preso para o DOI-Codi, uma reparti\u00e7\u00e3o militar, no Rio. \u00c9 o caso da lista de seus pertences pessoais emitida no momento de sua pris\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Lei da Anistia concedeu perd\u00e3o para crimes cometidos por agentes da ditadura e tamb\u00e9m pelos militantes que lutavam contra o regime.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2010, o Supremo julgou improcedente, por 7 votos a 2, a\u00e7\u00e3o da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que tentava revisar o perd\u00e3o dado aos representantes do Estado, policiais e militares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi analisado, nesse caso, a tese do crime permanente, mas sim a constitucionalidade de a\u00e7\u00f5es que pretendiam promover a revis\u00e3o da lei em car\u00e1ter retroativo.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No mesmo ano, a Corte Interamericana de Direitos Humanos sentenciou que o Estado brasileiro deveria buscar puni\u00e7\u00e3o para os crimes cometidos por seus agentes no combate \u00e0 Guerrilha do Araguaia (1972-1975).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A corte \u00e9 um tribunal internacional composto por representantes do Brasil e de outros membros da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos), mas n\u00e3o tem poder suficiente para obrigar os pa\u00edses a mudarem suas leis.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o motivou procuradores a organizarem um grupo de estudo, a partir de 2011, que buscou encontrar alternativas jur\u00eddicas para os crimes cometidos na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Liderados pela subprocuradora Raquel Dodge, coordenadora da \u00e1rea criminal do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o grupo, que ouviu especialistas da Argentina e do Chile, chegou \u00e0 tese dos crimes permanentes e imprescrit\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4173\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/13077848.jpeg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"1071\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\"><strong>HIST\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\">A tese do crime permanente gerou, at\u00e9 o momento, quatro den\u00fancias contra militares dos aparatos repressores que combateram militantes esquerdistas. Das quatro, tr\u00eas foram aceitas e viraram a\u00e7\u00f5es penais. Nenhuma delas chegou ao Supremo.<\/p>\n<p class=\"p1\">A Justi\u00e7a Federal em Marab\u00e1 (PA) determinou a abertura de uma a\u00e7\u00e3o penal contra o coronel da reserva Sebasti\u00e3o Rodrigues Curi\u00f3, 78 anos, e outra contra o tenente-coronel da reserva L\u00edcio Maciel, 82. Ambos estavam no Ex\u00e9rcito na Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nos dois casos, s\u00e3o acusados por sequestros cometidos contra militantes do PC do B que lutaram na guerrilha.<\/p>\n<p class=\"p1\">Outra a\u00e7\u00e3o foi aberta contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi em S\u00e3o Paulo de 1970 a 1974. Em outubro do ano passado, a den\u00fancia foi aceita na 9\u00aa Vara Criminal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Outra a\u00e7\u00e3o contra Ustra, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o foi aceita. A Procuradoria recorreu contra a decis\u00e3o ao Tribunal Regional Federal, que ainda analisa o caso.<\/p>\n<p class=\"p1\">Essas a\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal poder\u00e3o ser questionadas no Supremo. Elas ocorrem no momento em que a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade tamb\u00e9m investiga viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidas por agentes do Estado durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folhapress<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica planeja entrar na Justi\u00e7a com novas a\u00e7\u00f5es contra militares na tentativa de responsabiliz\u00e1-los pelos crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985). 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