{"id":420,"date":"2012-05-17T19:40:26","date_gmt":"2012-05-17T19:40:26","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/historias-pouco-conhecidas-os-evangelicos-e-a-ditadura-militar-no-brasil\/"},"modified":"2012-05-17T19:40:26","modified_gmt":"2012-05-17T19:40:26","slug":"historias-pouco-conhecidas-os-evangelicos-e-a-ditadura-militar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2012\/05\/17\/historias-pouco-conhecidas-os-evangelicos-e-a-ditadura-militar-no-brasil\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias pouco conhecidas: os evang\u00e9licos e a ditadura militar no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Os anos de chumbo do protestantismo no Brasil trazem \u00e0 baila informa\u00e7\u00f5es arrepiantes<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque el\u00e9trico, cadeira do drag\u00e3o e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resist\u00eancia f\u00edsica e moral. \u201cEu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de n\u00e3o suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endere\u00e7os\u2026 Eu dizia: \u2018N\u00e3o posso fazer isso.\u2019 Como eu poderia traz\u00ea-los para passar pelo que eu estava passando?\u201d Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos por\u00f5es do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es \u2013 Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi), em S\u00e3o Paulo.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-1.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"140\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O estudante de ci\u00eancias sociais da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido \u00f3rg\u00e3o do Ex\u00e9rcito. L\u00e1 chegou a pensar em suic\u00eddio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justi\u00e7a social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o sil\u00eancio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da f\u00e9. A mesma cren\u00e7a que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um ex\u00edlio de 13 anos em pa\u00edses como Uruguai, Su\u00ed\u00e7a e Estados Unidos levou v\u00e1rios evang\u00e9licos a colaborar com a m\u00e1quina repressora da ditadura. Delatando irm\u00e3os de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e at\u00e9 torturando. Os primeiros eram ecum\u00eanicos e promoviam a\u00e7\u00f5es sociais e os segundos eram herm\u00e9ticos e lutavam contra a amea\u00e7a comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas m\u00e3os de religiosos protestantes.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-2.jpg\" border=\"0\" width=\"450\" height=\"478\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">O metodista s\u00f3 descobriu quem foram seus delatores h\u00e1 cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es: os irm\u00e3os Jos\u00e9 Sucasas Jr. e Isa\u00edas Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, j\u00e1 falecidos, aos quais era subordinado em S\u00e3o Paulo. \u201cEu acreditava ser imposs\u00edvel que algu\u00e9m que se dedica a ser padre ou pastor, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger suas ovelhas, pudesse dedurar algu\u00e9m\u201d, diz Padilha, que n\u00e3o chegou a se surpreender com a descoberta. \u201cSeis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor Jos\u00e9 Sucasas uma carteirinha de informante do Dops\u201d, afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Sa\u00fade da Presid\u00eancia de Dilma Rousseff, que ele s\u00f3 conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o Pa\u00eds quando sua ent\u00e3o mulher estava gr\u00e1vida do ministro. Grande parte dessa hist\u00f3ria ser\u00e1 revolvida a partir da ter\u00e7a-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da Rep\u00fablica, em S\u00e3o Paulo, acontecer\u00e1 a repatria\u00e7\u00e3o das c\u00f3pias do material do projeto Brasil: Nunca Mais.<\/p>\n<p class=\"p1\">Maior registro hist\u00f3rico sobre a repress\u00e3o e a tortura na ditadura militar. o material, nos anos 80, foi enviado para o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organiza\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica com sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, e para o Center for Research Libraries, em Chicago (EUA), como precau\u00e7\u00e3o, caso os documentos que serviam de base do trabalho realizado no Brasil ca\u00edssem nas m\u00e3os dos militares. De Chicago, vir\u00e1 um milh\u00e3o de p\u00e1ginas microfilmadas referentes a depoimentos de presos nas auditorias militares, nomes de torturadores e tipos de tortura. A cereja do bolo, por\u00e9m, chegar\u00e1 de Genebra \u2013 um material in\u00e9dito composto por dez mil p\u00e1ginas com troca de correspond\u00eancias entre o reverendo presbiteriano Jaime Wright (1927 \u2013 1999) e o cardeal-arcebispo em\u00e9rito de S\u00e3o Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, que estavam \u00e0 frente do Brasil: Nunca Mais, e as conversas que eles mantinham com o CMI.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-3.jpg\" border=\"0\" width=\"400\" height=\"413\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Somente em 1968, quatro anos ap\u00f3s a ascens\u00e3o dos militares ao poder, o catolicismo come\u00e7ou a se distanciar daquele papel que tradicionalmente lhe cabia na legitima\u00e7\u00e3o da ordem pol\u00edtico-econ\u00f4mica estabelecida. Foi a\u00ed, quando no Brasil religiosos dominicanos como Frei Betto passaram a ser perseguidos, que a Igreja assumiu posturas contr\u00e1rias \u00e0s ditaduras na maioria dos pa\u00edses latino-americanos. Os protestantes, por sua vez, antes mesmo de 1964, viveram uma esp\u00e9cie de golpe end\u00f3geno em suas denomina\u00e7\u00f5es, perseguindo a juventude que caminhava na contram\u00e3o da ortodoxia teol\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 1963, quatro meses antes de o marechal Humberto Castelo Branco assumir a Presid\u00eancia, o l\u00edder batista carism\u00e1tico En\u00e9as Tognini convocou milhares de evang\u00e9licos para um dia nacional de ora\u00e7\u00e3o e jejum, para que Deus salvasse o Pa\u00eds do perigo comunista. Aos 97 anos, o pastor Tognini segue acreditando que Deus, al\u00e9m de brasileiro, se tornou um anticomunista simp\u00e1tico ao movimento militar golpista. \u201cN\u00e3o me arrependo (de ter se alinhado ao discurso dos militares). Eles fizeram um bom trabalho, salvaram a P\u00e1tria do comunismo\u201d, diz.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-4.jpg\" border=\"0\" width=\"450\" height=\"1037\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Assim, foi no exerc\u00edcio de sua f\u00e9 que os evang\u00e9licos \u2013 que colaboraram ou foram perseguidos pelo regime \u2013 entraram na al\u00e7a de mira dos militares (leia a movimenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos protestantes \u00e0 p\u00e1g. 80). Enquanto l\u00edderes conservadores propagavam o discurso da Guerra Fria em torno do medo do comunismo nos templos e recrutavam formadores de opini\u00e3o, jovens batistas, metodistas e presbiterianos, principalmente, com ideias liberais eram interrogados, presos, torturados e mortos. \u201cFui expulso, com mais oito colegas, do Semin\u00e1rio Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teol\u00f3gico de salva\u00e7\u00e3o das almas passava pela \u00e9tica e a preocupa\u00e7\u00e3o social\u201d, diz o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor em\u00e9rito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Penha, no Rio de Janeiro. Antigo membro do Centro Ecum\u00eanico de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o (Cedi), que promovia reuni\u00f5es para, entre outras a\u00e7\u00f5es, trocar informa\u00e7\u00f5es sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos, ele passou quase um m\u00eas preso no Doi-Codi carioca, em 1971. \u201cLevei um pesco\u00e7\u00e3o, me amea\u00e7avam mostrando gente torturada e davam choques em pessoas na minha frente\u201d, conta o irm\u00e3o do tamb\u00e9m presbiteriano Ivan Mota, preso e desaparecido desde 1971. Hoje professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dias lembra que, enquanto estava no Doi-Codi, militares enviaram observadores para a sua igreja, para analisar o comportamento dos fi\u00e9is.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-5.jpg\" border=\"0\" width=\"500\" height=\"376\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, antrop\u00f3logo de origem presbiteriana, preso em 1962, antes do golpe, por participar de movimentos estudantis, os evang\u00e9licos carregam uma mancha em sua hist\u00f3ria por convidar a repress\u00e3o a entrar na Igreja e perseguir os fi\u00e9is. \u201cOs cat\u00f3licos n\u00e3o fizeram isso. N\u00e3o \u00e9 justific\u00e1vel usar o poder militar para prender irm\u00e3os\u201d, diz ele, considerado \u201celemento perigoso\u201d no templo que frequentava em Niter\u00f3i (RJ). \u201cPastores fizeram uma lista com 40 nomes e entregaram aos militares. Um almirante que vivia na igreja achava que tinha o dever de me prender. N\u00e3o me encontrou porque eu estava escondido e, depois, fui para o ex\u00edlio\u201d, conta o hoje diretor da ONG Viva Rio.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O protestantismo hist\u00f3rico no Brasil tamb\u00e9m registra um alto grau de envolvimento de suas lideran\u00e7as com a repress\u00e3o. Em sua tese de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, defendida na Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo (Umesp), Daniel Augusto Schmidt teve acesso ao di\u00e1rio do irm\u00e3o de Jos\u00e9, um dos delatores de Anivaldo Padilha, o bispo Isa\u00edas. Na folha relativa a 25 de mar\u00e7o de 1969, o l\u00edder metodista escreveu: \u201cEu e o reverendo Sucasas fomos at\u00e9 o quartel do Dops. Conseguimos o que quer\u00edamos, de maneira que recebemos o documento que nos habilita aos servi\u00e7os secretos dessa organiza\u00e7\u00e3o nacional da alta pol\u00edcia do Brasil.\u201d Dono de uma empresa de consultoria em Porto Alegre, Isa\u00edas Sucasas Jr., 69 anos, desconhecia a hist\u00f3ria da pris\u00e3o de Padilha e n\u00e3o acredita que seu pai fora informante do Dops. \u201cComo o papai iria mentir se o cara fosse comunista? Isso n\u00e3o \u00e9 delatar, mas uma resposta correta a uma pergunta feita a ele por autoridades\u201d, diz. \u201cNunca o papai iria dedar um membro da igreja, se soubesse que havia essas coisas (torturas).\u201d Em 28 de agosto de 1969, um exemplar da primeira edi\u00e7\u00e3o do jornal \u201cUnidade III\u201d, editado pelo pai do ministro da Sa\u00fade, foi encaminhado ao Dops. Na primeira p\u00e1gina, h\u00e1 uma anota\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 preciso \u2018apertar\u2019 os jovens que respondem por este jornal e exigir a documenta\u00e7\u00e3o de seu registro porque \u00e9 de \u00e2mbito nacional e subversivo.\u201d Sobrinho do pastor Jos\u00e9, o advogado Jos\u00e9 Sucasas Hubaix, que mora em Al\u00e9m Para\u00edba (MG), conta que defendeu muitos perseguidos pol\u00edticos durante a ditadura e n\u00e3o sabia que o tio havia delatado um metodista. \u201cEstou decepcionado. Sabia que alguns evang\u00e9licos n\u00e3o faziam oposi\u00e7\u00e3o aos militares, mas da\u00ed a entregar um irm\u00e3o de f\u00e9 \u00e9 uma grande diferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-6.jpg\" border=\"0\" width=\"500\" height=\"442\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"p1\">Nenhum religioso, por\u00e9m, parece superar a obedi\u00eancia canina ao regime militar do pastor batista Roberto Pontuschka, capel\u00e3o do Ex\u00e9rcito que \u00e0 noite torturava os presos e de dia visitava celas distribuindo o \u201cNovo Testamento\u201d. O te\u00f3logo Leonildo Silveira Campos, que era seminarista na Igreja Presbiteriana Independente e ficou dez dias encarcerado nas depend\u00eancias da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante (Oban), em S\u00e3o Paulo, em 1969, n\u00e3o esquece o modus operandi de Pontuschka. \u201cUm dia bateram na cela: \u2018Quem \u00e9 o seminarista que est\u00e1 aqui?\u2019\u201d, conta ele, 21 anos \u00e0 \u00e9poca. \u201cDe terno e gravata, ele se apresentou como capel\u00e3o e disse que trazia uma \u201cB\u00edblia\u201d para eu ler para os comunistas f.d.p. e tentar converter algu\u00e9m.\u201d O capel\u00e3o chegou a ser questionado por um encarcerado se n\u00e3o tinha vergonha de torturar e tentar evangelizar. Como resposta, o pastor batista afirmou, apontando para uma pistola debaixo do palet\u00f3: \u201cPara os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem n\u00e3o quiser, h\u00e1 outras alternativas.\u201d Segundo o professor Maur\u00edcio Nacib Pontuschka, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC), de S\u00e3o Paulo, seu tio, o pastor-torturador, est\u00e1 vivo, mas os dois n\u00e3o t\u00eam contato. O sobrinho tamb\u00e9m n\u00e3o tinha conhecimento das hist\u00f3rias escabrosas do parente. \u201c\u00c9 assustador. Abomino tortura, vai contra tudo o que ensino no dia a dia\u201d, afirma. \u201c\u00c9 triste ficar sabendo que um familiar fez coisas horr\u00edveis como essa.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">Professor de sociologia da religi\u00e3o na Umesp, Campos, 64 anos, tem uma marca de queimadura no polegar e no indicador da m\u00e3o esquerda produzida por descargas el\u00e9tricas. \u201cEnrolavam fios na nossa m\u00e3o e descarregavam eletricidade\u201d, conta. Uma carta escrita por ele a um amigo, na qual relata a sua participa\u00e7\u00e3o em movimentos estudantis, o levou \u00e0 pris\u00e3o. \u201cFui acordado \u00e0 1h por uma metralhadora encostada na barriga.\u201d Solto por falta de provas, foi tachado de subversivo e perdeu o emprego em um banco. A assistente social e professora aposentada Tomiko Born, 79 anos, ligada a movimentos estudantis crist\u00e3os, tamb\u00e9m acredita que pode ter sido demitida por conta de sua ideologia. Em meados dos anos 60, Tomiko, que pertencia \u00e0 Igreja Evang\u00e9lica Holiness do Brasil, fundada pelo pai dela e outros imigrantes japoneses, participou de algumas reuni\u00f5es ecum\u00eanicas no Exterior. Em 1970, de volta ao Brasil, foi acusada de pertencer a movimentos subversivos internacionais pelo presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Bem-Estar do Menor, onde trabalhava. N\u00e3o foi presa, mas conviveu com o fantasma do aparelho repressor. \u201cMeu pesadelo era que o meu nome estivesse no caderninho de endere\u00e7o de alguma pessoa presa\u201d, conta.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/evang%C3%A9licos-ditadura-u.jpg\" border=\"0\" width=\"640\" height=\"3135\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Parte da hist\u00f3ria desses crist\u00e3os aterrissar\u00e1 no Brasil na ter\u00e7a-feira 14, emaranhada no mais de um milh\u00e3o de p\u00e1ginas do Projeto Brasil: Nunca Mais repatriadas pelo Conselho Mundial de Igrejas. N\u00e3o que algum deles tenha conseguido esquecer, durante um dia sequer, aqueles anos t\u00e3o intensos, de picos de utopia e desespero, sustentados pela f\u00e9 que muitos ainda nutrem. Para seguir em frente, Anivaldo Padilha trilhou o caminho do perd\u00e3o \u2013 tanto dos delatores quanto dos torturadores. Em 1983, ele encontrou um de seus torturadores em um baile de Carnaval. \u201cVoc\u00ea quis me matar, seu f.d.p., mas eu estou vivo aqui\u201d, pensou, antes de virar as costas. Enquanto o mineiro, que colabora com uma entidade ecum\u00eanica focada na defesa de direitos, cutuca suas mem\u00f3rias, uma l\u00e1grima desce do lado direito de seu rosto e, depois de enxuta, d\u00e1 vez para outra, no esquerdo. Um choro t\u00e3o contido e v\u00edvido quanto suas lembran\u00e7as e sua dor.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Isto \u00c9<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos de chumbo do protestantismo no Brasil trazem \u00e0 baila informa\u00e7\u00f5es arrepiantes No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. 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