{"id":4302,"date":"2013-03-24T13:40:16","date_gmt":"2013-03-24T13:40:16","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/24\/caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-o-regime-militar\/"},"modified":"2013-03-24T13:40:16","modified_gmt":"2013-03-24T13:40:16","slug":"caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-o-regime-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/24\/caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-o-regime-militar\/","title":{"rendered":"Caso Panair abre debate sobre persegui\u00e7\u00e3o a empresas durante o regime militar"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Audi\u00eancia p\u00fablica organizada pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) discutiu hoje o caso da companhia a\u00e9rea Panair do Brasil. A empresa perdeu a licen\u00e7a para voar em 10 de fevereiro de 1965 e foi extinta pelo regime militar, sendo reabilitada em 1995.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O atual presidente da Panair, Rodolfo da Rocha Miranda, filho de Celso da Rocha Miranda, um dos s\u00f3cios da empresa na \u00e9poca do fechamento, diz que somente ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da CNV e da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel conhecer documentos, antes considerados sigilosos, que comprovam a suspeita que se tinha sobre a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e financeira.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa documenta\u00e7\u00e3o provou o que se intu\u00eda, o que se comentava veladamente: Celso da Rocha Miranda e Mario Wallace Simonsen sofreram persegui\u00e7\u00e3o por parte do regime militar por serem identificados com os governos de Juscelino Kubitschek e Jo\u00e3o Goulart. Eram documentos secretos, todos acusat\u00f3rios de Celso da Rocha Miranda, que posteriormente instru\u00edram a Comiss\u00e3o Geral de Investiga\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, num processo aberto em 1969, visando o enquadramento de Celso da Rocha Miranda no crime de enriquecimento il\u00edcito\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista e escritor Daniel Leb Sasaki, autor do livro Pouso For\u00e7ado, sobre a hist\u00f3ria da Panair, lembra que a empresa era a maior companhia a\u00e9rea do Brasil na \u00e9poca, concession\u00e1ria da maior parte dos voos internacionais e uma rede nacional muito grande, al\u00e9m de ter uma estrutura em terra que nenhuma companhia alcan\u00e7ou at\u00e9 hoje, com aeroportos e uma \u00e1rea de telecomunica\u00e7\u00f5es aeron\u00e1uticas privada.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, a Panair recebeu por telegrama a not\u00edcia de que n\u00e3o podia mais voar e imediatamente foi paralisada, sem aviso pr\u00e9vio ou direito de defesa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO governo militar pressionou para que fosse decretada a fal\u00eancia. Uma fal\u00eancia em que n\u00e3o havia credores pedindo, n\u00e3o havia d\u00edvidas vencidas, todos os funcion\u00e1rios estavam em dia, a empresa tentou durante esses quase 50 anos se proteger juridicamente, pagou todos os credores, pagou at\u00e9 mais do que devia pagar, tem dinheiro at\u00e9 hoje, s\u00f3 que o governo militar publicou decretos modificando a legisla\u00e7\u00e3o para que impedisse a reabilita\u00e7\u00e3o da empresa, porque ela n\u00e3o tinha porque n\u00e3o operar\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A coordenadora do Grupo de Trabalho sobre o golpe de 64 da CNV, Rosa Cardoso, explica que a audi\u00eancia sobre a Panair inaugura a linha de investiga\u00e7\u00e3o sobre a persegui\u00e7\u00e3o a empresas e empres\u00e1rios feita pelo regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 muito valioso n\u00f3s recordarmos porque mostra a extens\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direitos \u00e0 vida durante a ditadura. Viola\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se caracterizaram somente com assassinatos, sequestros, desaparecimentos for\u00e7ados, tortura, mas tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o contra empresas e empres\u00e1rios que anteriormente haviam apoiado governos como o de Juscelino Kubistchek, como \u00e9 o caso da Panair, e tamb\u00e9m Jo\u00e3o Goulart\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ela, v\u00e3o ser chamados para uma reuni\u00e3o empres\u00e1rios e empresas que se sentiram perseguidos para montar os casos e iniciar as pesquisas no Arquivo Nacional e em outros acervos. Por enquanto, a comiss\u00e3o n\u00e3o tem nenhum outro caso concreto.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O coordenador da CNV, Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, afirma que a comiss\u00e3o trabalha com duas linhas de pesquisa sobre as pessoas jur\u00eddicas na \u00e9poca da ditadura, que se complementam, para compreender que interesses sustentaram a persegui\u00e7\u00e3o a certas empresas e empres\u00e1rios e quem se beneficiou dessas pr\u00e1ticas ilegais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cUma investiga as empresas e empres\u00e1rios que deram suporte material ao regime, financiando equipes de repress\u00e3o, tortura, assassinatos, desaparecimentos em v\u00e1rios estados, tendo sido beneficiados. E uma outra linha sobre empresas e empres\u00e1rios que sofreram persegui\u00e7\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es do regime, como \u00e9 o caso da Panair. Os motivos da persegui\u00e7\u00e3o podiam variar desde um poss\u00edvel alinhamento ideol\u00f3gico de esquerda at\u00e9 uma recusa em colaborar materialmente com o regime ditatorial. Tudo isso precisa ser trazido \u00e0 luz pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ressaltando a import\u00e2ncia de se entender melhor a hist\u00f3ria do pa\u00eds, Pinheiro terminou sua exposi\u00e7\u00e3o citando Milton Nascimento e Fernando Brant: \u201cdescobri que a minha arma \u00e9 o que a mem\u00f3ria guarda dos tempos da Panair\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Amanh\u00e3 (24), integrantes da CNC participam do ato p\u00fablico pelo Dia Internacional pelo Direito \u00e0 Verdade sobre Graves Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos, \u00e0s 16h na Pra\u00e7a S\u00e3o Salvador, em Laranjeiras, na zona sul.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audi\u00eancia p\u00fablica organizada pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) discutiu hoje o caso da companhia a\u00e9rea Panair do Brasil. 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