{"id":4310,"date":"2013-03-25T16:42:02","date_gmt":"2013-03-25T16:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/25\/vitimas-da-ditadura-militar-terao-ajuda-psicologica-nas-clinicas-do-testemunho\/"},"modified":"2013-03-25T16:42:02","modified_gmt":"2013-03-25T16:42:02","slug":"vitimas-da-ditadura-militar-terao-ajuda-psicologica-nas-clinicas-do-testemunho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/25\/vitimas-da-ditadura-militar-terao-ajuda-psicologica-nas-clinicas-do-testemunho\/","title":{"rendered":"V\u00edtimas da ditadura militar ter\u00e3o ajuda psicol\u00f3gica nas &#8216;Cl\u00ednicas do Testemunho&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Projeto visa dar atendimento a ex-presos e perseguidos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-4309\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/clinicas_testemunhos_fabiomottaae_288212.jpg\" border=\"0\" width=\"288\" height=\"212\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Torturada entre 1970 e 1974, Ana Miranda procurou atendimento no Tortura Nunca Mais, em 2001  <!--more-->  <\/address>\n<address><\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entrar com um processo de repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pelos danos sofridos durante a ditadura ou depor na Comiss\u00e3o da Verdade, que investiga viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988, \u00e9 uma dolorida volta ao passado. Reunir documentos, puxar pela mem\u00f3ria, relatar fatos, datas e nomes s\u00e3o provid\u00eancias necess\u00e1rias, mas penosas. Pensando nas pessoas que tomaram essas iniciativas e em outras v\u00edtimas da viol\u00eancia do Estado, a Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a lan\u00e7ou o projeto Cl\u00ednicas do Testemunho, que prestar\u00e1 durante dois anos atendimento psicol\u00f3gico a ex-presos e perseguidos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Quatro projetos-piloto come\u00e7ar\u00e3o os atendimentos &#8211; dois em S\u00e3o Paulo, um no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre, com investimentos federais de R$ 2,4 milh\u00f5es. Um quinto projeto, em Recife, \u00e9 patrocinado pelo governo de Pernambuco, ao custo de R$ 600 mil. O primeiro passo \u00e9 a chamada p\u00fablica de ades\u00e3o volunt\u00e1ria ao projeto, que come\u00e7ou esta semana e vai at\u00e9 6 de abril. Em outra frente, o projeto capacitar\u00e1 profissionais de sa\u00fade mental para o atendimento a v\u00edtimas do abuso estatal.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia surgiu a partir dos dez anos de atua\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Anistia e dos milhares de testemunhos colhidos voluntariamente. Esse processo hist\u00f3rico e pol\u00edtico de dar voz aos que foram calados arbitrariamente, por si s\u00f3, \u00e9 terap\u00eautico. Para muitos, significa a liberta\u00e7\u00e3o do peso da imposi\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio e do esquecimento. Sentimos que era preciso um passo adiante. O dever de repara\u00e7\u00e3o, como se sabe, \u00e9 imprescrit\u00edvel. E cabe ao Estado, outrora criminoso, manter um servi\u00e7o de apoio psicol\u00f3gico aos que ele mesmo prejudicou&#8221;, diz o presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Entre 1991 e 2010, o Grupo Tortura Nunca Mais ofereceu atendimento psicol\u00f3gico a v\u00edtimas de torturas durante a ditadura, em um projeto financiado por organismos internacionais. A psic\u00f3loga Vera Vital Brasil fez parte da primeira equipe de terapeutas do Tortura Nunca Mais e agora coordena o projeto-piloto no Rio de Janeiro, que atendimentos em grupo e individuais. &#8220;A Comiss\u00e3o de Anistia percebeu o quanto as pessoas precisam de atendimento psicoter\u00e1pico. As marcas da tortura n\u00e3o se extinguem quando cessa a tortura. A viol\u00eancia da tortura \u00e9 irrepar\u00e1vel. O que se pode conseguir \u00e9 ter al\u00edvio ps\u00edquico, entender o processo de outra maneira&#8221;, diz Vera, ela mesma ex-presa pol\u00edtica. No projeto do Rio tamb\u00e9m est\u00e1 previsto o acompanhamento de pessoas que decidem depor na Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Presa entre 1970 1974 e torturada nas depend\u00eancias da repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo e no Rio, Ana Miranda procurou o atendimento do Tortura Nunca Mais em 2001, quando, depois de muita insist\u00eancia de amigos e parentes, decidiu entrar com o processo de repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Ana teve que se submeter at\u00e9 mesmo a um exame para provar a inexist\u00eancia de um rim, perdido em consequ\u00eancia das torturas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nessa \u00e9poca fiquei deprimida, tive crises de alergia. A viol\u00eancia foi deles e eu tinha que correr atr\u00e1s de provar o que tinha sofrido. Fui me tratar na cl\u00ednica do Tortura Nunca Mais. Os terapeutas t\u00eam um olhar diferenciado que ajuda muito. O sofrimento n\u00e3o passa, mas voc\u00ea consegue dar outro significado. As Cl\u00ednicas do Testemunho t\u00eam esse sentido&#8221;, diz Ana que, depois da pris\u00e3o, concluiu o curso de Farm\u00e1cia na UFRJ.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Um dos projetos de S\u00e3o Paulo ser\u00e1 coordenado pelo psicanalista Mois\u00e9s Rodrigues da Silva J\u00fanior, diretor do grupo Projetos Terap\u00eauticos. Mois\u00e9s optou por atendimentos apenas em grupo. &#8220;A gente acredita na pot\u00eancia que um grupo comporta, o suporte de um coletivo \u00e9 fundamental. Atendemos pessoas que t\u00eam hist\u00f3rias de viol\u00eancia, mas quem sofreu a viol\u00eancia foi a sociedade, os grupos s\u00e3o articuladores potentes entre o indiv\u00edduo e o social&#8221;, diz Mois\u00e9s.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em Porto Alegre, a psicanalista B\u00e1rbara Conte, respons\u00e1vel pelo projeto-piloto da Cl\u00ednica do Testemunho, tem planos de atender at\u00e9 70 pessoas nos pr\u00f3ximos dois anos no que ela chama de &#8220;escutas psicanal\u00edticas&#8221;. &#8220;\u00c9 a possibilidade de falar de algo que ficou engasgado. Quanto maior a viol\u00eancia, mais a pessoa se fecha. Quando se fala em repara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 esquecer, mas abrir a possibilidade de dar um novo destino a uma experi\u00eancia traum\u00e1tica&#8221;, diz B\u00e1rbara, que atender\u00e1 pessoas que sofreram diretamente viola\u00e7\u00f5es por parte do Estado e parentes de at\u00e9 segundo grau, al\u00e9m de capacitar profissionais para tratar dessas v\u00edtimas.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto visa dar atendimento a ex-presos e perseguidos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias Torturada entre 1970 e 1974, Ana Miranda procurou atendimento no Tortura Nunca Mais, em 2001<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4310"}],"collection":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4310\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}