{"id":4351,"date":"2013-03-26T00:03:11","date_gmt":"2013-03-26T00:03:11","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/26\/caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-a-ditadura\/"},"modified":"2013-03-26T00:03:11","modified_gmt":"2013-03-26T00:03:11","slug":"caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/26\/caso-panair-abre-debate-sobre-perseguicao-a-empresas-durante-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Caso Panair abre debate sobre persegui\u00e7\u00e3o a empresas durante a ditadura"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A companhia a\u00e9rea perdeu a licen\u00e7a para voar em 1965 e foi reabilitada em 1995<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>Audi\u00eancia p\u00fablica organizada pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) discutiu neste s\u00e1bado (23) o caso da companhia a\u00e9rea Panair do Brasil. A empresa perdeu a licen\u00e7a para voar em 10 de fevereiro de 1965 e foi extinta pelo regime militar, sendo reabilitada em 1995.  <!--more-->  <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O atual presidente da Panair, Rodolfo da Rocha Miranda, filho de Celso da Rocha Miranda, um dos s\u00f3cios da empresa na \u00e9poca do fechamento, diz que somente ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da CNV e da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel conhecer documentos, antes considerados sigilosos, que comprovam a suspeita que se tinha sobre a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e financeira.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa documenta\u00e7\u00e3o provou o que se intu\u00eda, o que se comentava veladamente: Celso da Rocha Miranda e Mario Wallace Simonsen sofreram persegui\u00e7\u00e3o por parte do regime militar por serem identificados com os governos de Juscelino Kubitschek e Jo\u00e3o Goulart. Eram documentos secretos, todos acusat\u00f3rios de Celso da Rocha Miranda, que posteriormente instru\u00edram a Comiss\u00e3o Geral de Investiga\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, num processo aberto em 1969, visando o enquadramento de Celso da Rocha Miranda no crime de enriquecimento il\u00edcito\u201d.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O jornalista e escritor Daniel Leb Sasaki, autor do livro Pouso For\u00e7ado, sobre a hist\u00f3ria da Panair, lembra que a empresa era a maior companhia a\u00e9rea do Brasil na \u00e9poca, concession\u00e1ria da maior parte dos voos internacionais e uma rede nacional muito grande, al\u00e9m de ter uma estrutura em terra que nenhuma companhia alcan\u00e7ou at\u00e9 hoje, com aeroportos e uma \u00e1rea de telecomunica\u00e7\u00f5es aeron\u00e1uticas privadas.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, a Panair recebeu por telegrama a not\u00edcia de que n\u00e3o podia mais voar e imediatamente foi paralisada, sem aviso pr\u00e9vio ou direito de defesa.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cO governo militar pressionou para que fosse decretada a fal\u00eancia. Uma fal\u00eancia em que n\u00e3o havia credores pedindo, n\u00e3o havia d\u00edvidas vencidas, todos os funcion\u00e1rios estavam em dia, a empresa tentou durante esses quase 50 anos se proteger juridicamente, pagou todos os credores, pagou at\u00e9 mais do que devia pagar, tem dinheiro at\u00e9 hoje, s\u00f3 que o governo militar publicou decretos modificando a legisla\u00e7\u00e3o para que impedisse a reabilita\u00e7\u00e3o da empresa, porque ela n\u00e3o tinha porque n\u00e3o operar\u201d.<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A coordenadora do Grupo de Trabalho sobre o golpe de 64 da CNV, Rosa Cardoso, explica que a audi\u00eancia sobre a Panair inaugura a linha de investiga\u00e7\u00e3o sobre a persegui\u00e7\u00e3o a empresas e empres\u00e1rios feita pelo regime militar.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 muito valioso n\u00f3s recordarmos porque mostra a extens\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direitos \u00e0 vida durante a ditadura. Viola\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se caracterizaram somente com assassinatos, sequestros, desaparecimentos for\u00e7ados, tortura, mas tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o contra empresas e empres\u00e1rios que anteriormente haviam apoiado governos como o de Juscelino Kubistchek, como \u00e9 o caso da Panair, e tamb\u00e9m Jo\u00e3o Goulart\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com ela, v\u00e3o ser chamados para uma reuni\u00e3o empres\u00e1rios e empresas que se sentiram perseguidos para montar os casos e iniciar as pesquisas no Arquivo Nacional e em outros acervos. Por enquanto, a comiss\u00e3o n\u00e3o tem nenhum outro caso concreto.<span style=\"line-height: 1.3em;\"> <\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O coordenador da CNV, Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, afirma que a comiss\u00e3o trabalha com duas linhas de pesquisa sobre as pessoas jur\u00eddicas na \u00e9poca da ditadura, que se complementam, para compreender que interesses sustentaram a persegui\u00e7\u00e3o a certas empresas e empres\u00e1rios e quem se beneficiou dessas pr\u00e1ticas ilegais.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A companhia a\u00e9rea perdeu a licen\u00e7a para voar em 1965 e foi reabilitada em 1995 Audi\u00eancia p\u00fablica organizada pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) discutiu neste s\u00e1bado (23) o caso da companhia a\u00e9rea Panair do Brasil. 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