{"id":4378,"date":"2013-03-30T13:36:02","date_gmt":"2013-03-30T13:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/30\/marinheiro-perseguido-pela-ditadura-narra-fugas-prisoes-e-torturas\/"},"modified":"2013-03-30T13:36:02","modified_gmt":"2013-03-30T13:36:02","slug":"marinheiro-perseguido-pela-ditadura-narra-fugas-prisoes-e-torturas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/03\/30\/marinheiro-perseguido-pela-ditadura-narra-fugas-prisoes-e-torturas\/","title":{"rendered":"Marinheiro perseguido pela ditadura narra fugas, pris\u00f5es e torturas"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Antonio Duarte dos Santos viveu entre o c\u00e1rcere e as ruas por ser contra o autoritarismo nas For\u00e7as Armadas. Na \u00faltima escapada, cruzou o pa\u00eds clandestino, foi at\u00e9 Cuba de barco e chegou \u00e0 Su\u00e9cia<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/temas\/cidadania\/2013\/03\/marinheiro-perseguido-pela-ditadura-narra-fugas-prisoes-e-torturas\/image_preview\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Depois do golpe, Antonio Duarte passou dois anos na clandestinidade (Foto: Daniella Camba\u00fava. RBA)  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Aquela a\u00e7\u00e3o n\u00e3o durou mais de cinco minutos. \u00c0s seis horas da tarde, depois de tr\u00eas anos de um planejamento minucioso, Antonio Duarte dos Santos e um grupo de nove colegas \u2013 entre eles seu irm\u00e3o \u2013 conseguiram escapar da pris\u00e3o de Ilha das Cobras. Com armas contrabandeadas, renderam os guardas da frente da pris\u00e3o, entraram em um carro que parou na porta da penitenci\u00e1ria e sumiram pelas ruas do Rio de Janeiro. A fuga foi bem sucedida. Anoiteceu e o grupo n\u00e3o foi encontrado. Depois de driblar a seguran\u00e7a, trocaram o carro por uma Kombi e se esconderam na mata em Angra dos Reis. \u201cN\u00f3s s\u00f3 t\u00ednhamos um lugar por onde eles nunca imaginam que a gente ia passar: pelo port\u00e3o principal\u201d, relembra o ex-marinheiro sobre aquele maio de 1969.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Duarte esperava aquele momento desde que havia sido escoltado pelos fuzileiros navais ao chegar na pris\u00e3o. \u201cTentava lembrar-me da \u00faltima vez em que tinha, sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es, vagabundeado pela Rua da Lapa, sentado \u00e0 mesa do caf\u00e9, ao p\u00e9 dos arcos\u201d, relata em um de seus livros, \u201cA luta dos marinheiros\u201d. Seu crime: n\u00e3o concordou com a instaura\u00e7\u00e3o do regime militar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Nascido em Natal, Rio Grande do Norte, ingressou na Marinha em 1958, quando entrou para a Escola de Aprendizes de Marinheiros em Recife, Pernambuco. Em 1964, era marinheiro, servindo no Rio de Janeiro. Duarte nunca foi membro do Partido Comunista. Afirma que conhecia, respeitava, mas que seu \u00fanico partido era a a luta travada contra a repress\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Naval. Segundo ele, \u00e9 poss\u00edvel estimar em 1.500 o n\u00famero de marinheiros processados e perseguidos pela ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes do golpe, foi participante ativo da Associa\u00e7\u00e3o dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, da qual Jos\u00e9 Anselmo dos Santos \u2013 cabo Anselmo \u2013 era presidente. Os dois serviram e militaram juntos, antes de Anselmo se tornar um colaborador da ditadura. Duarte foi um dos protagonistas da Rebeli\u00e3o dos Marinheiros, de 25 a 28 de mar\u00e7o de 1964, movimento que serviu como um dos pretextos para o golpe. Antes mesmo de lutar por comunismo, argumenta ele, a luta do grupo era motivada por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Com o golpe, os navios ficaram vazios e come\u00e7ou o processo de identifica\u00e7\u00e3o de marinheiros que frequentavam o sindicato. \u201cFui expulso no dia 2 de abril. Eu n\u00e3o voltei mais, fiquei dois anos na ilegalidade at\u00e9 ser preso&#8230;\u201d. Durante a clandestinidade, ficou em S\u00e3o Paulo com outros militares que tentavam articular uma forma de resist\u00eancia armada, anos depois fracassada. \u201cFui morar em uma casa no Ipiranga, fui conspirar. Eles moravam em uma casa enorme no Ipiranga. S\u00f3 tinha militar l\u00e1, tinha sargento, marinheiro, tinha uns dez militares l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foi quando, em junho de 1966, viajou ao Rio de Janeiro para executar uma tarefa da organiza\u00e7\u00e3o e foi preso. \u201cFui ajudar uma menina, irm\u00e3 de um amigo. Ele n\u00e3o falou nada das condi\u00e7\u00f5es do quarto. Quando estou l\u00e1 dentro, chega o Senimar. Eles tinham falado para uma senhora que morava na frente &#8216;se algu\u00e9m chegar aqui tentando tirar alguma coisa desse quarto, a senhora me chama&#8217;. Para eles, foi uma alegria danada&#8221;, lembra. \u00a0Duarte tentou uma primeira fuga, sem sucesso, dando uma cotovelada em quem lhe segurava enquanto era transportado. \u201cCorri, entrei no \u00f4nibus e disse pro motorista ir embora, e ele disse &#8216;calma, estou manobrando&#8217;. Corri de novo e algu\u00e9m colocou um p\u00e9 na minha frente, tropecei e foram me pegar l\u00e1 na Pra\u00e7a Mau\u00e1\u201d. Desde ent\u00e3o, passou a ser transportado sempre com algemas.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foi levado ent\u00e3o para a penitenci\u00e1ria Lemos Brito, onde ficou tr\u00eas anos. Depois foi julgado e condenado a 12 anos de pris\u00e3o. \u201cForam dias abomin\u00e1veis em que causas diversas pareciam sufocar os nossos desejos de renova\u00e7\u00e3o. As \u00fanicas pessoas que apoiavam aqueles lutadores an\u00f4nimos no c\u00e1rcere eram os estudantes que se comprometiam com aquela aventura revolucion\u00e1ria\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o que lhe surgiu a ideia de escapar. Depois de sair, se refugiou primeiro em Cuba depois de sair da pris\u00e3o, em 1969. Foi por Goi\u00e1s, atravessou a Bol\u00edvia e seguiu para a ilha em um navio cubano. Depois se estabeleceu na Su\u00e9cia. \u00a0No ex\u00edlio, se graduou em Antropologia na Universidade de Estocolmo. Passados dez anos, j\u00e1 quando havia anista, regressou ao Brasil. \u201cVoltei porque eu queria lutar, achava que a luta ia continuar, de uma forma diferente. Mas n\u00e3o foi poss\u00edvel, n\u00e3o. \u00c9 outro pa\u00eds, \u00e9 outro mentalidade\u201d, lamenta.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Duarte dos Santos viveu entre o c\u00e1rcere e as ruas por ser contra o autoritarismo nas For\u00e7as Armadas. Na \u00faltima escapada, cruzou o pa\u00eds clandestino, foi at\u00e9 Cuba de barco e chegou \u00e0 Su\u00e9cia Depois do golpe, Antonio Duarte passou dois anos na clandestinidade (Foto: Daniella Camba\u00fava. 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