{"id":4407,"date":"2013-04-01T02:02:32","date_gmt":"2013-04-01T02:02:32","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/01\/acorda-abc-comissao-visa-identificar-torturadores\/"},"modified":"2013-04-01T02:02:32","modified_gmt":"2013-04-01T02:02:32","slug":"acorda-abc-comissao-visa-identificar-torturadores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/01\/acorda-abc-comissao-visa-identificar-torturadores\/","title":{"rendered":"&#8216;Acorda ABC&#8217;: comiss\u00e3o visa identificar torturadores"},"content":{"rendered":"<p \/>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Associa\u00e7\u00e3o Centro de Mem\u00f3ria do ABC pretende trazer \u00e0 tona os militares da regi\u00e3o que utilizavam pr\u00e1tica de tortura durante o regime militar (1964-1985). O projeto \u2018Acorda ABC&#8217; projeta coletar depoimentos de pessoas que sofreram com a repress\u00e3o no per\u00edodo da ditadura. Cerca de 120 pessoas ser\u00e3o ouvidas pelo pesquisador Cido Franco. Com as hist\u00f3rias sendo contadas, os personagens do regime come\u00e7am a ser revelados.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Diferentemente da maioria dos trabalhos sobre o tema, o projeto \u2018Acorda ABC&#8217; n\u00e3o planeja esconder aqueles que seguiram ordens e praticaram a tortura. O per\u00edodo a ser estudado pela associa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 1964 at\u00e9 1979, \u00e9poca considerada a mais pesada da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Adonis Bernardes, diretor da associa\u00e7\u00e3o, recordou que existem ex-servidores do regime em plena atividade, inclusive, na regi\u00e3o. &#8220;Muitos trabalham em empresas como vigias, seguran\u00e7as. Outros ocupam cargos p\u00fablicos. Essas pessoas precisam ser identificadas e punidas no sentido moral, tendo em vista que legalmente nada mais pode ser feito.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A identifica\u00e7\u00e3o de torturadores que moram no Grande ABC passa pela Lei da Anistia. Na \u00e9poca que a legisla\u00e7\u00e3o entrou em vigor, em 1985, as pessoas que participavam do regime receberam o mesmo direito daqueles que foram considerados subversivos. A isonomia \u00e9 questionada at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Franco, que tamb\u00e9m foi preso e exilado pol\u00edtico, destacou que o Brasil foi exce\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao direitos e deveres da anistia. &#8220;Os torturadores devem ser identificados porque aqui foi um dos poucos pa\u00edses do mundo que eles tiveram liberdade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Chico Bezerra, integrante da Associa\u00e7\u00e3o e representante do grupo \u2018Tortura Nunca Mais&#8217;, avaliou que a identifica\u00e7\u00e3o dos militares que praticaram a tortura \u00e9 importante para a conscientiza\u00e7\u00e3o dessa gera\u00e7\u00e3o &#8211; abaixo de 35 anos. &#8220;Nossa juventude precisa acordar e saber. Muitos jovens n\u00e3o sabem que muitas vezes um av\u00f4 ou um tio foi torturador&#8221;, disse o militante.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho \u2018Acorda ABC&#8217; tende a ser direcionado para os jovens. Al\u00e9m do livro que ser\u00e1 lan\u00e7ado com os depoimentos, a entidade vislumbra produzir gibis para distribui\u00e7\u00e3o nas escolas municipais. Um document\u00e1rio tamb\u00e9m est\u00e1 nos planos do grupo. &#8220;Atrav\u00e9s dos depoimentos queremos ter acesso aos jovens para que essa historia n\u00e3o fique esquecida. Se h\u00e1 democracia hoje, \u00e9 gra\u00e7as ao povo que lutou contra o regime&#8221;, avaliou Bernardes.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A expectativa \u00e9 que o trabalho demore dois anos para ficar pronto. As pessoas com mais idade ter\u00e3o prioridade. &#8220;J\u00e1 tenho 10% do material coletado porque muitos que desejo ouvir est\u00e3o com a sa\u00fade fragilizada ou est\u00e3o morrendo&#8221;, disse o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade, em Bras\u00edlia, \u00e9 outro elemento que ter\u00e1 acompanhamento do grupo. Embora ressaltem a relev\u00e2ncia do espa\u00e7o, a associa\u00e7\u00e3o entende que o car\u00e1ter n\u00e3o punitivo prejudica a propaga\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. O Brasil foi um dos \u00faltimos pa\u00edses do mundo a instalar comiss\u00e3o para investigar crimes contra os direitos humanos durante uma ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Metal\u00fargico teve morte de tr\u00eas irm\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Derly Carvalho figura entre os fundadores do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, que posteriormente veio revelar a lideran\u00e7a pol\u00edtica do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A milit\u00e2ncia iniciada no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1960 lhe rendeu a morte de tr\u00eas irm\u00e3os e um ex\u00edlio. &#8220;Fui diretor do sindicato em 1962 e os meus irm\u00e3os vieram para a luta comigo&#8221;, contou. A milit\u00e2ncia teve in\u00edcio aos 22 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O quarteto acabou caindo na clandestinidade e seguiram juntos para fora do Brasil em busca de sossego. Antes de ser exilado, Derly ficou dois anos e tr\u00eas meses preso. &#8220;Fui para Chile e Argentina. Os meus irm\u00e3os sempre me acompanharam&#8221;, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Tudo corria bem at\u00e9 que a Opera\u00e7\u00e3o Condor entrou em a\u00e7\u00e3o. A alian\u00e7a entre regimes militares de Brasil, Argentina, Chile, Bol\u00edvia, Paraguai e Uruguai tinha como principal objetivo captar pessoas contra as ditaduras e acabar com as lideran\u00e7as esquerdistas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Dois irm\u00e3os de Derly foram capturados por essa opera\u00e7\u00e3o durante o ex\u00edlio na Argentina. Ambos foram capturados numa emboscada. &#8220;Eles foram assassinados em Foz do Igua\u00e7u (no Paran\u00e1). Ainda n\u00e3o sabemos muitos detalhes sobre o que aconteceu&#8221;, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1971, foi a vez que Derly perder seu terceiro irm\u00e3o durante uma sess\u00e3o de tortura. &#8220;Ele foi preso e depois assassinado pelos torturadores. Depois foi a minha vez de ir preso&#8221;, relatou o ex-metal\u00fargico.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, Derly possui um trabalho ativo na propaga\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias da ditadura em sua p\u00e1gina no Facebook. Aos 73 anos, o ex-preso pol\u00edtico reiterou que o trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o da juventude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do Brasil n\u00e3o pode parar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Padre sofreu nas ma\u00f5s de S\u00e9rgio Fleury<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O padre Rubens Chasseraux sente na pele as dores da repress\u00e3o. Aos 75 anos, ainda gagueja ao pronunciar &#8211; contra a vontade &#8211; o nome de S\u00e9rgio Fernando Paranhos Fleury, delegado do Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), respons\u00e1vel por sua pris\u00e3o e sess\u00f5es de tortura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rubens era garoto de uma fam\u00edlia tradicional de Santos que queria ser padre. Estudou, mas logo no come\u00e7o da faculdade iniciou sua milit\u00e2ncia na JEC (Juventude Estudantil Cat\u00f3lica). N\u00e3o passou muito tempo para cair nas m\u00e3os do regime militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho realizado na Vila Palmares come\u00e7ou a ser supervisionado pelos \u00f3rg\u00e3os de investiga\u00e7\u00e3o. O padre acredita que foi delatado por colegas da igreja. O motivo para cair nas garras da ditadura foi a excurs\u00e3o de cinco \u00f4nibus para o evento do governador Roberto Costa de Abreu Sodr\u00e9, na Pra\u00e7a da S\u00e9, no dia 1\u00ba de maio. Na ocasi\u00e3o, o comandante do Estado foi apedrejado pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Foram cinco pris\u00f5es durante a ditadura, sendo que a primeira durou 34 dias. Padre Rubens conta com detalhes o primeiro encontro com Fleury. &#8220;Ele invadiu minha casa. (Eu) estava descal\u00e7o e sem camisa em cima do sof\u00e1 pregando um crucifixo de metal na parede. Ele se apresentou, falou muitos palavr\u00f5es. Me jogou dentro do carro e saiu comigo&#8221;, recordou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">As sess\u00f5es de torturas psicol\u00f3gicas come\u00e7aram antes mesmo de chegar ao Dops &#8211; trajeto que demorou cerca de seis horas, segundo padre Rubens. &#8220;Ele falava que ia me atirar na represa. Me fizeram descer do carro e eu sentia que estava pisando num local molhado. Estava encapuzado. N\u00e3o via nada&#8221;, contou ele.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O padre mencionou que levou muito choque e foi jogado numa cela individual. Segundo relatos de presos do Dops, o local era destinado para pessoas consideradas l\u00edderes de movimentos contra o regime. &#8220;De repente me vi num local imundo e estava sozinho&#8221;, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nos dias seguintes \u00e0 pris\u00e3o, as torturas continuaram. Al\u00e9m dos choques e das agress\u00f5es, padre Rubens foi alvo da roleta russa. &#8220;O torturador colocou uma bala e girou o tambor. Perguntou se eu estava com sorte e apertou o gatilho. Gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o aconteceu nada comigo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O ex-preso pol\u00edtico defende a identifica\u00e7\u00e3o dos torturadores e faz um coment\u00e1rio sobre o delegado Fleury. &#8220;Era um covarde quando estava sozinho. Vivia acompanhado de dois guarda-costas. Ele nunca aparecia sozinho&#8221;, recordou o padre.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio ABC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00e3o Centro de Mem\u00f3ria do ABC pretende trazer \u00e0 tona os militares da regi\u00e3o que utilizavam pr\u00e1tica de tortura durante o regime militar (1964-1985). O projeto \u2018Acorda ABC&#8217; projeta coletar depoimentos de pessoas que sofreram com a repress\u00e3o no per\u00edodo da ditadura. Cerca de 120 pessoas ser\u00e3o ouvidas pelo pesquisador Cido Franco. 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