{"id":4569,"date":"2013-04-05T02:17:45","date_gmt":"2013-04-05T02:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/05\/projeto-no-abc-paulista-busca-verdade-sobre-a-ditadura-militar\/"},"modified":"2013-04-05T02:17:45","modified_gmt":"2013-04-05T02:17:45","slug":"projeto-no-abc-paulista-busca-verdade-sobre-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/04\/05\/projeto-no-abc-paulista-busca-verdade-sobre-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Projeto no ABC paulista busca verdade sobre a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSer reprimido, ser torturado, ser preso, ser assassinado \u00e9 o resultado de voc\u00ea fazer parte de uma luta contra o sistema. E eu n\u00e3o lutei contra os militares, eu n\u00e3o lutei contra os generais da ditadura. Eu lutei contra o sistema capitalista\u201d. Essa \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Derly Carvalho, morador do ABC paulista e ex-militante da Ala Vermelha, sobre seu engajamento durante os anos de ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/abc_49-anos-golpe_Gustavo-Xavier.gif\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"180\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>\n<address \/>Centro de Mem\u00f3ria do Grande ABC colhe depoimentos de militantes que lutaram contra o regime e prepara materiais para os 50 anos do golpe  <!--more-->  <\/address>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Junto com Derly estiveram outros depoentes, que compartilharam suas experi\u00eancias de luta, no dia 27 de mar\u00e7o, em evento promovido pelo Centro de Mem\u00f3ria do Grande ABC para marcar os 49 anos do golpe militar no Brasil e da resist\u00eancia do povo da regi\u00e3o. Mais de 200 pessoas, entre os quais militantes sindicais, de partidos pol\u00edticos, da Igreja, al\u00e9m de estudantes, estiveram presentes no Sindicato dos Metal\u00fargicos de Santo Andr\u00e9 e Mau\u00e1, em Santo Andr\u00e9 (SP), para ouvirem hist\u00f3rias como as do padre Rubens Chasseraux, preso em cinco ocasi\u00f5es e torturado pelo delegado S\u00e9rgio Fleury.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Feridas da repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/abc_Padre-Rubens-Chasserau_gustavo_xavier.gif\" border=\"0\" width=\"400\" height=\"250\" style=\"vertical-align: middle;\" \/><\/p>\n<address> <span style=\"line-height: 1.3em;\">Padre Rubens Chasseraux, preso cinco vezes &#8211; Foto: Gustavo Xavier<\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Padre Rubens foi preso pela primeira vez em 1968, logo ap\u00f3s o ato do 1\u00ba de maio. Uma das deten\u00e7\u00f5es foi motivada por ele ter lido trechos b\u00edblicos do livro de Isa\u00edas, os quais tinham como tema a reprova\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0s injusti\u00e7as praticadas contra o povo. Tamb\u00e9m foi preso quando militantes pol\u00edticos assaltaram, certa vez, um autom\u00f3vel da empresa Swift e, noutra, quando tomaram um carro de pol\u00edcia. \u201cJ\u00e1 estava ficando acostumado. Porque tudo o que acontecia no ABC, o padre Rubens era o culpado\u201d, conta o padre, embora ele mesmo nunca tenha tocado numa arma. Em todas as pris\u00f5es, foi torturado. \u201cMas as torturas f\u00edsicas n\u00e3o me incomodavam tanto. O que me incomodava era a tortura moral e a tortura psicol\u00f3gica. Essas, sim. Uma delas, inclusive, quase me levou ao suic\u00eddio\u201d, relata padre Rubens.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outro depoimento foi o de H\u00e9lio Jer\u00f4nimo da Silva, irm\u00e3o de Raimundo Eduardo da Silva, militante da A\u00e7\u00e3o Popular (AP), que foi assassinado nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi). Raimundo era morador de Mau\u00e1, num dos bairros mais atingidos pela repress\u00e3o, o Jardim Za\u00edra. Devido a um acidente, teve que passar por cirurgia e, enquanto ainda estava internado, os agentes da repress\u00e3o ficaram sabendo de seu paradeiro e foram peg\u00e1-lo. H\u00e9lio lembra que os agentes n\u00e3o tinham ordem oficial para levar Raimundo e, enquanto foram providenciar o documento, H\u00e9lio e um amigo montaram um esquema para tirar o irm\u00e3o do hospital. Por\u00e9m, o cerco da pol\u00edcia j\u00e1 estava montado e Raimundo foi levado do hospital para ser preso, torturado e assassinado. Anos depois, na exuma\u00e7\u00e3o do corpo, a fam\u00edlia descobriu que os torturadores tinham tampado o tubo da sonda que Raimundo mantinha ap\u00f3s a cirurgia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A lembran\u00e7a das atrocidades cometidas pelas for\u00e7as repressivas emerge ao lado das conquistas alcan\u00e7adas pelos militantes organizados. \u201cO resultado desta luta foi a democracia que n\u00f3s temos hoje. E n\u00e3o \u00e9 a democracia que o povo precisa, n\u00e3o \u00e9 ainda a democracia do socialismo. Mas valeu a pena toda esta luta, porque n\u00f3s conquistamos os grandes direitos dos trabalhadores. Quebramos os paradigmas da sociedade anterior. N\u00f3s rompemos preconceitos. N\u00f3s abrimos caminhos para que as novas gera\u00e7\u00f5es possam cometer menos erros do que n\u00f3s cometemos e conquistem melhores resultados do que este que est\u00e1 a\u00ed\u201d, avalia Derly Carvalho.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3ria pedag\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/abc_49-anos-golpe1_Gustavo-Xavier.gif\" border=\"0\" width=\"400\" height=\"250\" \/><\/p>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\">Evento reuniu cerca de 200 pessoas em Santo Andr\u00e9 &#8211; Foto: Gustavo Xavier<\/span><\/address>\n<address><span style=\"line-height: 1.3em;\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O encontro faz parte de uma s\u00e9rie de esfor\u00e7os da rec\u00e9m-criada Associa\u00e7\u00e3o Centro de Mem\u00f3ria do Grande ABC, reunidos sob o projeto Acorda ABC. Entre seus objetivos, est\u00e3o os de esclarecer crimes cometidos pela ditadura, buscar o perfil dos torturadores e suas liga\u00e7\u00f5es atuais com empresas privadas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Devem ser registrados os depoimentos de mais de 100 pessoas que viveram no ABC durante a ditadura militar e que se engajaram contra o regime. Est\u00e1 previsto um livro sobre os movimentos de resist\u00eancia na regi\u00e3o, o \u201cLivro Vermelho do ABC\u201d. Tamb\u00e9m deve ser editada uma cartilha pedag\u00f3gica a ser entregue nas escolas p\u00fablicas. Al\u00e9m de um document\u00e1rio que ser\u00e1 produzido a partir dos depoimentos. O projeto oferecer\u00e1, ainda, subs\u00eddios para a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aparecido Faria, um dos coordenadores do projeto e ex-militante da AP que esteve exilado durante os anos 1970, conta que devem ser realizadas mais a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nos pr\u00f3ximos meses. Para o dia 11 de setembro est\u00e1 previsto um grande ato reunindo chilenos e brasileiros para lembrar os golpes militares em ambos os pa\u00edses. \u201cDevemos passar essas experi\u00eancias aos jovens no sentido de que fatos semelhantes jamais voltem a acontecer\u201d, conclui Aparecido.<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Brasil de Fato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSer reprimido, ser torturado, ser preso, ser assassinado \u00e9 o resultado de voc\u00ea fazer parte de uma luta contra o sistema. 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